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Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Sandra Makoviecky lança livro que analisa a representação de Florianópolis nas obras de artistas

“A representação da cidade de Florianópolis na visão dos artistas plásticos” resgata a história e a arte da Capital desde o século 18

Carolina Moura
Florianópolis
Divulgação
 "Igreja Nosa Senhora da Conceição" (1996), de Rodrigo de Haro


Com pesquisas anteriores sobre arquitetura religiosa, imagens sacras e patrimônio histórico no centro de Florianópolis, Sandra Makoviecky já mostrava a vocação de se voltar para o passado — e para a cidade onde nasceu. No livro “A representação da cidade de Florianópolis na visão dos artistas plásticos”, fruto de sua tese de doutorado defendida em 2003 na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e que ela lança esta noite na Fundação Cultural Badesc, ela explora a cidade sob o olhar de artistas que a retrataram durante três séculos de história, até chegar à contemporaneidade.

 

Após trabalhar as questões de representação, memória e a conceituação de cidade, Sandra esmiúça o contexto da Europa, do Brasil e de Florianópolis em cada período, como referência para a arte desenvolvida na cidade. Isso começa com os viajantes estrangeiros, encantados pela beleza da Ilha, nos séculos 18 e 19, passa por Victor Meirelles na transição para o século 20 e depois segue década a década, com artistas como Martinho e Rodrigo de Haro, Aldo Beck, Meyer Filho, Sílvio Pléticos, Eli Heil, Vera Sabino e Paulo Gaiad, até chegar às mais recentes Fabiana Wielewicki e Lela Martorano.

Janine Turco/ND
Livro é resultado da pesquisa de mestrado de Sandra Makoviecky, que é professora no departamento de artes visuais da Udesc
 

 

Dessa forma Sandra costura a história e a memória, a primeira de uma perspectiva crítica e a segunda de um lugar afetivo, construção imaginada e simbólica. A organização cronológica, porém, não infere uma ideia de evolução linear, reforça a autora. “A arte do século 20 não é de forma alguma superior à renascentista do século 15. É diferente”, escreve na introdução do livro. Pensamento ligado à sua forma de ensinar arte, como professora na graduação e mestrado em Artes Visuais da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina). “Não existe essa questão da arte contemporânea como aquilo que nasceu hoje. As pessoas pensam que a única coisa que vale é a ultima tendência, esquecendo que essa ultima vem de algum lugar”, diz ela. “Viver sem o fardo de um passado é muito pesado.”

 

Divulgação
"Da memória e de seus lapsos" (2000), Lela Martorano

 

Resgate de múltiplas cidades

A matriz que Sandra usa para tanger as mudanças é a proposta por Christine Boyer, que enumera a cidade como obra de arte (cidade tradicional), a cidade com panorama (cidade moderna) e a cidade como espetáculo (cidade contemporânea), o que não necessariamente está ligado a uma linha do tempo definida. Mesmo ao longo de décadas de transformações — tanto na paisagem urbana quanto nos paradigmas da arte e da sociedade — encontram-se paralelos entre obras e artistas.

“Por exemplo, é bastante forte em vários deles uma preocupação com a preservação do patrimônio histórico da cidade. Eles acabam denunciando os problemas de um jeito ou de outro”, aponta Sandra. Nessa linha, ela cita Aldo Beck, Aldo Nunes e Martinho e Rodrigo de Haro. O mesmo mote é encontrado na obra de Lela Martorano, já nos anos 90. “Ela fala de memória, de ruína. Todos eles no fundo fazem uma certa crítica da cidade que se perde.”

O livro de Sandra, nesse sentido, recupera essa cidade em suas múltiplas facetas enquanto arte, história e memória. Desde as paisagens dos estrangeiros e as ruas de Victor Meirelles, às formas de Sílvio Pléticos ou o fascínio pela natureza de Vera Sabino. Um panorama de lugares e olhares que caminham juntos.

“A representação da cidade de Florianópolis na visão dos artistas plásticos”. De: Sandra Makowiecky. Editora Dioesc. 474 págs. R$ 50.

Serviço

O quê: Lançamento do livro “A representação da cidade de Florianópolis na visão dos artistas plásticos”, de Sandra Makoviecky

Quando: Hoje, 19h

Onde: Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis, tel. 3224-8846

Quanto: Gratuito

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