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Roteiro histórico reconta casos macabros que aconteceram no Centro de Florianópolis

Promovida pela Sociedade Histórica Destherrense, primeira edição do passeio Floripa Misteriosa aconteceu nesta sexta-feira

Gustavo Bruning
Florianópolis
20/11/2016 às 15H46

Caminhar pelo Centro de Histórico de Florianópolis faz parte da rotina de muita gente, que todos os dias, cruza as ruas e passa pelos monumentos históricos sem imaginar o que aconteceu por ali há muito, muito tempo. Essa região, especialmente, é lar de uma série de histórias macabras que, há séculos, são especuladas e passadas de geração para geração. Após uma extensa pesquisa em documentos e antigos jornais, além de conversas com pessoas mais velhas, os principais casos místicos que aconteceram entre os séculos 17 e 20 no local ganharam um toque cênico em um roteiro cultural criado pela Sociedade Histórica Destherrense.

A historiadora Pauline Kisner Zamboni (de preto) estudou documentos e antigos periódicos em busca de casos sobrenaturais - Maurice Kisner/Divulgação/ND
A historiadora Pauline Kisner Zamboni (de preto) estudou documentos e antigos periódicos em busca de casos sobrenaturais - Maurice Kisner/Divulgação/ND


Apresentado na noite de sexta-feira (18), o passeio "Floripa Misteriosa – A Ilha dos Casos Raros" tem como protagonista a viúva Matilda Augusta, personagem do século 19 que faz a contação de histórias em um clima de luto. Vivida pela historiadora Pauline Kisner Zamboni, 31, diretora da Sociedade Histórica Destherrense, a personagem guia o público a partir da Catedral Metropolitana de Florianópolis até a Casa da Alfândega. Relatos de torturas de escravos na Praça 15 de Novembro, tragédias envolvendo noivos que aconteceram no mesmo lugar onde hoje está instalada popular loja de roupas e detalhes sobre os fantasmas do Palácio Cruz e Sousa permeiam o roteiro. “Existem inúmeros fantasmas aqui. Perguntem a quem frequenta o palácio depois das 18h”, revela Pauline durante a apresentação.

Além trazer as histórias clássicas, muitos crimes misteriosos e relatos orais inéditos são apresentados durante o evento, que terá uma segunda edição em 16 de dezembro. Das mortes trágicas durante a construção do prédio da Alfândega, em 1866, à região do Centro onde abortos eram realizados, as memórias permitem que o público viaje para outra época. Este último caso, inclusive, surpreendeu o casal Patrícia Leandra Pinheiro, 37, e Saulo Popov Zambiasi, 42. De Porto Alegre e São Paulo, respectivamente, a dupla, que mora há mais de dez anos na Capital, entrou na experiência de imersão. “Acho importante um evento desses pois não tem nada desse tipo por aqui. É uma cidade centrada muito em praias e turismo, e é preciso um outro tipo de entretenimento para conhecer mais Florianópolis”, elogia Patrícia.

História viva

A possibilidade de chuva e o gelado vento que permeava a noite de sexta-feira não acanharam Pauline. “Tudo que tem a ver com o sobrenatural é muito Florianópolis”, afirma. “Só que ficou muito massificada a questão das bruxas da Ilha e os relatos de Franklin Cascaes”. A professora de história se juntou às também historiadoras Laura Pereira e Elisiana Castro, vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Cemiteriais, para estudar o passado da antiga Nossa Senhora do Desterro. Foram quatro meses de pesquisa, tanto em acervos digitais de jornais quanto em processos criminais da época. “Tem coisas que não saíam muito nos jornais, como assassinatos suspeitos e magia negra”, detalha.

Com trajes da época e vocabulário característico, Pauline se mostra íntima da obscuridade da região durante a apresentação. “São detalhes que fazem a diferença, e é exatamente essa a proposta do ‘living history’”, explica. A gaúcha mora na cidade há 17 anos e já organizou roteiros temáticos sobre a história e cultura de Florianópolis. Os eventos, por exemplo, já comemoraram o aniversário da visita de Dom Pedro 2, em 1845, e destacaram as reformas urbanas do começo do século 20.

Serviço

O que: passeio Floripa Misteriosa

Quando: 16/12, a partir das 18h30

Quanto: R$ 50 / R$ 25 (meia ou com doação de alimento não perecível)

Onde: Largo da Catedral, próximo à Praça 15 de Novembro, Centro, Florianópolis

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