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Robledo Ribeiro ajudou a consolidar empresa forte de hospedagem de internet

Da aventura de viver fora do país, ele ampliou o alcance da norte-americana HostGator, que também criou base em Florianópolis

Por Janine Alves, especial para a Inspira
Florianópolis
03/08/2018 às 19H04

Desde os 13 anos Robledo Ribeiro  tinha o sonho de morar fora do país. Começou a estudar inglês, tornou-se fluente aos 15 anos, depois terminou a graduação, mas nada desse desejo acontecer. Aos 25 anos, o empresário goiano  tinha a vida estabelecida no Brasil, sócio de uma empresa, com a esposa proprietária de uma clínica de psicologia. Então, ele desfez a sociedade, ela saiu da clinica, eles venderam a casa e o sofá (leia a história do sofá na entrevista) e os dois foram morar nos Estados Unidos. Com um visto de estudante, Robledo tinha um único objetivo: “viver fora do Brasil”, colocar o pé na estrada.

Empresário goiano trouxe a empresa para Florianópolis. Hoje, mora nos Estados Unidos e gerencia escritório aqui e em Boston   - Daniel Queiroz/ND
Empresário goiano trouxe a empresa para Florianópolis. Hoje, mora nos Estados Unidos e gerencia escritório aqui e em Boston - Daniel Queiroz/ND



Fez de tudo um pouco nas terras do Tio Sam: foi pedreiro, encanador, entregador de jornais e revistas, mas também realizou o sonho de estudar antropologia e artes por lá, isso porque precisava do visto de estudante.

 Entre muitos bicos e trabalhos, Robledo então foi contratado pela HostGator nos Estados Unidos – foi o 10º funcionário – e sua vida mudou de rumo. Sua história se confunde com o sucesso da empresa que ele mesmo trouxe ao Brasil.

 A HostGator foi fundada em 2007 e no primeiro ano de atividade conquistou 30 clientes. No segundo ano de operações no país chegou a 300. No terceiro, 3.000 e hoje tem mais de 100 mil clientes no Brasil e é uma empresa consolidada no mercado. Mas foi em Florianópolis que Robledo viu a HostGator crescer a passos largos no mercado de hospedagem. Encontrou mão de obra qualificada e determinada em oferecer as soluções necessárias.  A HostGator chegou à Ilha em 2010, quando o cenário emergente de startups já chamava a atenção do país.

62%

Dos brasileiros entre 16 e 24 anos desejam morar no exterior de acordo com pesquisa do Datafolha. Segundo a sondagem, metade da população entre 25 e 34 anos deseja deixar o país, enquanto entre os entrevistados de 35 a 44 anos, 44% querem viver fora do país. Mas qual a motivação que define quem será bem-sucedido? A resposta para esta pergunta foi dada por Robledo Ribeiro em uma entrevista exclusiva.

 

Robledo Ribeiro deixou o país para viver o sonho de morar fora. Lá, ajudou a consolidar empresa forte de hospedagem de internet, que criou base na Capital - Daniel Queiroz/ND
Robledo Ribeiro deixou o país para viver o sonho de morar fora. Lá, ajudou a consolidar empresa forte de hospedagem de internet, que criou base na Capital - Daniel Queiroz/ND



Confira a entrevista:

Como você começou a trabalhar com provedoras de hospedagem de internet?

Você sabe como é brasileiro. A gente sabe fazer de tudo e o americano não sabe fazer muita coisa de casa. Eu estava num escritório de imigração e alguém reclamou ‘essa rede de internet não funciona’. Eu perguntei: qual o problema? Então disse que conseguia arrumar. Eu arrumei e eles me pagaram e eu pensei ‘esse negócio aqui funciona’. Eu voltei para trabalhar na rede deles mais algumas vezes e teve um dia que estava debaixo da mesa arrumando um cabo e alguém falou no telefone ‘você precisa arrumar alguém para limpar o seu apartamento’ eu levantei a cabeça na hora e disse ‘eu limpo’. Nessa época eu já sabia que precisa arrumar dinheiro para ficar por lá. Então comecei a procurar emprego pela internet. Eu não tinha visto de trabalho americano, mas poderia trabalhar pela internet aonde eu quisesse. Então consegui um emprego na empresa pela internet HostGator, que estava começando. Eu comecei a trabalhar e fui ganhando confiança, eles eram muito jovens, eu tinha 29 anos e ele (dono da empresa) tinha 18 anos. Tinha muita coisa que eu sabia de administração e ele não. Eu estruturei toda a parte administrativa, de contabilidade, empréstimo em banco para tocar a empresa e o meu relacionamento foi aumentando muito. Teve um furacão na Flórida que destruiu o escritório inteiro e a gente ficou sem internet. Eu fui até o escritório e o dono da HostGator estava colocando uns computadores numa caminhonete e disse que iria para o norte para poder trabalhar. E eu disse: ‘então me espera que eu vou também’. Eu fui até em casa peguei minha esposa e o cachorro e fomos para o norte. Foram duas semanas num hotel – dia e noite - dando suporte para os nossos clientes. E isso eu herdei dele: a gente faz tudo pelo cliente. A empresa existe pelo cliente. E os nossos clientes entenderam isso.

Você foi para Europa par esperar o visto de trabalho nos Estados unidos. Como foi essa experiência?

Se eu ficasse nos EUA eu teria que ficar estudando, como ganhava pouco e eu não conseguia pagar os estudos, minha esposa sugeriu que fôssemos para Europa. Nós compramos a passagem para a Espanha e fomos. Moramos em Barcelona seis meses, depois fomos para Paris, Holanda e Itália.  Eu continuei trabalhando pela internet. Eu começava as 17h e terminava as 3h da manhã. A minha esposa às 8h da manhã estava em pé e queria passear. Foi uma época que eu dormi pouco. Minha esposa procurava o local para gente ficar, se tivesse internet e aceitasse cachorro, a gente ia. Quando eu estava na Itália o visto de trabalho americano saiu e eu voltei para os EUA. Durante todo o período que nós ficamos na Europa não deu para ir a um restaurante sequer.

 O que você fez quando saiu o visto?

A Hostgator tinha se mudado da Flórida para Houston, no Texas. Eu fui na frente e minha esposa ficou esperando para eu arrumar apartamento, mas eu cheguei em Houston e não gostei da cidade e sabia que a minha esposa também não iria gostar. Na primeira semana eu já estava muito insatisfeito, eu passei de um estágio que eu estava supersatisfeito vivendo pelo mundo, para um estado de muita insatisfação. Então tive a ideia de pesquisar sobre como estava no Brasil o mercado de provedores de hospedagem de internet, porque se o mercado estivesse favorável eu poderia ir para lá e montar uma empresa. Eu conheço bem o negócio. Eu sei tudo. Passei o dia pesquisando, descobri os concorrentes, o preço que eles cobravam e vi uma oportunidade gigante. Nos EUA nós tínhamos suporte via bate-papo, telefone e e-mail, no Brasil só via e-mail. Nos EUA o tempo de resposta era uma hora no e-mail, no Brasil eram três dias. Um determinado produto nos EUA custava US$ 2 por mês, no Brasil custava R$ 100 por mês. Aí eu fiz um plano de negócio, cheguei para o dono da empresa e perguntei o que ele achava de nós fazermos uma sociedade 50 por 50 no Brasil. Ele topou.

Quais foram os desafios na volta ao Brasil?

Fomos para o Rio de Janeiro e nos primeiros dois anos éramos só eu e minha esposa na empresa. Eu coloquei o meu celular no site. Eu dormia com o computador ao lado, quando tocava eu acordava, atendia e dormia novamente. Quanto eu saía para fazer alguma coisa ela que atendia. Quando não sabia alguma coisa ela me ligava e respondia o cliente pelo bate-papo. No primeiro ano a gente ganhou 30 clientes, no terceiro 3.000, depois 30.000. A empresa estava crescendo, nós tivemos um filho e a mão de obra no Rio não estava fácil. Aí começamos a procurar um lugar do Brasil para a gente criar uma família e viemos para Florianópolis. Então, eu e o meu sócio nos EUA vendemos a empresa lá, pois a administração dos negócios da América Latina estavam indo muito bem, e assumimos a HostGator Global. Como havia prometido à minha esposa que a vinda ao Brasil era só por um tempo, nos mudamos para a Flórida (EUA), mas divido o tempo cuidando dos escritórios em Boston e Florianópolis..

Qual a dica que você dá para quem está pensando em ir morar fora do país?

Primeiro não ter medo de trabalhar, de limpar chão. Eu tinha amigos que queriam ir morar fora, mas só pensavam em ganhar dinheiro, em ganhar em dólar. Eu não fui para lá para ganhar dólar, eu fui para lá para poder viver e esse foi sempre o objetivo. Eu ia trabalhar todos os dias super feliz. Era o meu sonho, não interessava quanto eu estava ganhando. Eu tinha que ganhar o suficiente para viver. Eu e a minha esposa viajamos muito assim. Na Europa, durante um ano, não fui em nenhum restaurante. Em Paris, não comi nenhuma vez carne, porque era caro. Eu ia no supermercado e o vinho era mais barato do que água. Eu comprava pão, queijo e vinho. O que importava é que a gente estava vivendo o que queríamos viver.

E sobre o sofá?

Quando eu estava em Paris um amigo me perguntou o que eu tinha e eu respondi: uma mochila. Ele perguntou: você não tem nem um sofá? Eu disse não. Ele chegou a trabalhar comigo, mas não conseguiu acompanhar as mudanças, pediu demissão, estava apegado ao ‘próprio sofá’. Eu lembro de uma situação aonde eu estava voltando para casa às 3h da manhã de bicicleta e parei num sinal. Nesse momento começou uma chuva daquelas, eu estava todo molhado e nesse momento eu pensei ‘eu estou aqui às 3h da manhã, num país que eu não nasci, que talvez eu não seja nem respeitado e que eu estou tendo um trabalhão para conseguir um visto de trabalho, não tenho dinheiro, estou de bicicleta, mas eu estou tão feliz, com uma sensação de realização”.

 

 

 

 

 

 

 

 

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