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Sábado, 17 de Novembro de 2018
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Reconhecido por sua escrita existencialista, Santiago Nazarian lança seu oitavo livro, "Biofobia"

Escritor busca referências no pop, horror e trash

Marciano Diogo
Florianópolis
Marco Santiago/ND
Em passagem pela Capital, escritor paulistano afirma que sua nova obra conta uma história negativa, mas com muito humor negro


“Tudo pode ser inspiração, desde livros, filmes, até uma história de vida, uma conversa escutada. O importante é encontrar o elo de ligação pessoal, uma forma de dar vida àquela trama e aquele personagem”. É com tal justificativa um tanto existencialista que o autor paulistano Santiago Nazarian, 37 anos, explica quais as fontes que usa para conceber as estórias contadas em seus livros. Reconhecido no circuito literário por utilizar uma linguagem que ressalta a cultura pop, o deboche, o trash e o horror, o escritor lança neste mês sua oitava obra, o romance “Biofobia”.

“Biofobia” é um thriller sobre um roqueiro decadente que se refugia na casa de campo de sua mãe, uma escritora premiada que recém cometeu suicídio. A estória se passa em um fim de semana apenas, em que o personagem principal André relembra memórias provocantes e perturbadoras. “Assim como ele eu não esqueço, sou ressentido, fico remoendo. É um livro negativo, mas que trata essas questões existencialistas com muito humor negro”, explica Santiago, que esteve na Capital nesta semana para o lançamento de seu novo livro.

O autor, que atualmente retornou para a sua cidade natal, mas já morou em Florianópolis durante quase dois anos, afirma que seus livros flertam com o terror e o suspense, mas não necessariamente se limitam aos gêneros. “O ‘existencialismo bizarro’ foi criado como uma maneira irônica de explicar o que faço, que é uma literatura com densidade e questões existenciais, mas com referências pop de terror”, relata o artista.

Em todas as suas obras, Santiago afirma que utiliza o sarcasmo e o cinismo tanto na linguagem narrativa quanto na essência característica das próprias personagens. “Meus livros abordam temas mórbidos, mas sempre com certo humor. Acho isso fundamental no niilismo, porque comunica que até as maiores tragédias não podem ser levadas a sério. Nada é sério; tudo é tolice”, opina o autor, que busca suas referências literárias em grandes nomes como Kafka, Oscar Wilde e Thomas Mann.

Quanto aos projetos futuros de Santiago, que segue viajando pelo Brasil para divulgar o lançamento de sua mais recente obra literária, o autor prefere ser conciso nas informações. “No começo da minha carreira, na produção dos meus primeiros livros, eu arriscava menos, era menos ousado na linguagem. Agora a maturidade me deu maior liberdade criativa. A produção do ser humano é o reflexo dele mesmo”, conclui.

Leitores e adaptações audiovisuais
Em seu oitavo livro, Santiago Nazarian afirma que retorna para o romance adulto. Até então, suas últimas obras eram voltadas para o público juvenil – os livros “Mastigando Humanos” e “Garotos Malditos” foram sucessos entre os jovens e o primeiro até chegou a ser leitura de vestibular. “Isso gerou um público leitor adolescente grande, mas não é meu único público. ‘Biofobia’ trata de dilemas de meia-idade. Me interessa poder dialogar com diferentes públicos”, observa.

Na última semana o autor foi contemplado com um edital da Proac (Programa de Ação Cultural) para desenvolvimento de um roteiro cinematográfico de “Biofobia”, que irá ser adaptado para o cinema. Neste ano o escritor também desenvolveu o roteiro para uma série de televisão, “Passionais”, que está sendo exibida pelo canal +Globosat. O seriado, que é baseado em fatos reais e conta em cada episódio a história de um crime passional, tem participações de Betty Faria e Marcelo Tas. “Gostei muito do resultado, do processo, aprendi a escrever para a TV. No final, acho que ficou um pouco mais macabro do que esperava”, conclui Santiago.

 “Biofobia”. De: Santiago Nazarian. Editora: Record. 240 págs. R$ 30.

Confira o blog de Santiago Nazarian e acompanhe suas peripécias e reflexões: http://santiagonazarian.blogspot.com.br/

 

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