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Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2018
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Rapper Maykon Calibre faz músicas sobre a realidade do tráfico em Florianópolis

É no alto da cidade que se concentra o público de Calibre, onde ele vende seus CDs, faz shows e também tira inspiração para suas composições

Redação ND
Florianópolis

Débora Klempous / ND
Maykon transforma em letras a realidade do tráfico e da violência, mas também fala de amor e solidão

Por Carolina Moura

Depois de cinco anos sem novos lançamentos, o rapper Maykon Calibre acabou de receber as cópias de seu terceiro disco, “Pra quem gostou... É só curtir”. Quem não faz parte das comunidades dos morros da Capital pode não conhecer o seu nome, mas é no alto da cidade que se concentra seu público, onde ele vende seus CDs, faz shows, e também de onde tira inspiração para suas composições.

Mesmo vindo de uma família de policiais, Maykon se envolveu com as drogas na adolescência e aos 17 anos teve uma overdose de cocaína. Como seqüela ele tinha movimentos involuntários na perna e a voz travada. A forma que encontrou de desenvolver a fala novamente foi cantar – e assim ele começou a escrever seus raps, sempre com o objetivo de evitar que outros jovens passem pelas mesmas situações que ele ou entrem para o tráfico.

“Como a gente tem o mesmo linguajar, a mesma gíria, quando eu canto parece que eles absorvem”, diz ele. Seu novo disco tem um som menos pesado que os anteriores, antes de entrar sua voz o ritmo poderia ser de uma canção pop. Mas os temas de suas letras vão desde o amor até a solidão de uma cela. Chama atenção a faixa “São os donos da razão”, que fala da ação da polícia nos morros. O próprio rapper já foi abordado várias vezes quando tentava vender seus discos nas comunidades. “Quem canta rap para algumas pessoas ainda é taxado de marginal”, diz ele.

 Com uma grande coruja brilhante pendurada em sua corrente, Maykon apela para a inteligência dos jovens para que não se envolvam no crime. “A coruja seria o símbolo da sabedoria, mas também é a ave que não dorme, como os meninos do tráfico que usam a inteligência para o mal.” Na música “Coruja atenta”, que dá nome ao seu segundo CD, ele narra a história desses meninos como quem conhece a realidade de dentro, sem perder uma rima.

Funk romântico e denúncia

Todos os CDs de Maykon foram produzidos independentemente. Os dois primeiros, lançados em 2007 e 2008, foram masterizados e duplicados em São Paulo. O primeiro, “Final dos tempos”, foi financiado com a venda do seu carro. Agora ele comprou um Armazém no bairro de Canasvieiras e não podia fazer tal extravagância, então para conseguir lançar o terceiro disco decidiu fazer tudo em Florianópolis, com um acabamento mais simples.

“Eu tenho um caderno cheio de músicas que dava para lançar outro CD”, conta ele. Mas agora seu investimento vai para uma experimentação com um estilo diferente: o funk. “Mas não o funk ostentação. O funk tradicional, que fala de amor.” Ele espera lançar o disco nos próximos meses. Outra parte das suas economias será destinada para a publicação de um livro, que ele escreve há cerca de três anos. É uma obra autobiográfica, na qual ele pretende contar sua história e também fazer denúncias, inclusive de violência policial. 

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