Publicidade
Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 25º C
  • 16º C

Racionais MCs, Karon Conka e Lurdez da Luz em show único nesta sexta na Capital

A rapper Lurdez da Luz conversou com o Notícias do Dia e falou da cena rapper para as mulheres

Redação ND
Florianópolis
Divulgação
O quarteto Mano Brown (à esq.), KL Jay, Ice Blue e Edi Rock apresenta o trabalho mais recente

Luciano Vitor

Especial para o Notícias do Dia

Certamente todos os olhos estarão voltados para o palco principal do Complexo Music Park em Jurerê Internacional na noite de hoje quando o quarteto Racionais MC’s subir ao palco do Devassa On Stage. Edi Rock, Ice Blue, KL Jay e Mano Brown serão recebidos com toda a pompa e circunstância que o evento merece, afinal é o primeiro show do grupo após o lançamento de seu mais recente trabalho,”Cores e Valores”, em Florianópolis. O álbum rompeu um hiato de 12 anos e trouxe uma obra que vai além da já conhecida sonoridade da banda.

Se no último trabalho do grupo, “Nada Como Um Dia Após o Outro”, de 2002, o CD (também lançado em LP) duplo tinha quase duas horas de duração, “Cores e Valores” foi na direção contrária. São 32 minutos, 15 faixas e um direcionamento musical diferenciado. Os “samplers” utilizados se aproximam muito mais do hip hop e rap norte-americano, as letras, porém, não mudaram: contundentes, diretas e sem rodeios, nada mais Racionais.

Embora grande parte do público pretenda assistir ao quarteto, é bom chegar cedo, pois duas das maiores estrelas do rap nacional estarão fazendo a abertura do show principal. Show Principal? Nesse caso Karol Conka e Lurdez da Luz estarão pisando em pé de igualdade com o longevo grupo nessa noite. As rappers com trajetórias e histórias diferentes são duas das maiores representantes da cena recente do hip hop e rap nacional. Em meio a nomes como Emicida, Criolo, Rashid, Projota e Rael, elas buscaram seu próprio espaço com sonoridades e atitudes distintas.

Karol Conka não é paulista como muitos possam imaginar. A paranaense, de Curitiba, começou cedo no ofício das rimas, aos 16 anos, quando venceu um concurso escolar com um rap de sua autoria. Participou de grupos e desde 2011 se lançou em carreira solo, ganhando fãs, gravando clipes com bastante repercussão e incorporando ritmos diversos com a velocidade que lhe convém, tanto que já fez vários shows na Europa.

Lurdez da Luz, rapper que integrou as fileiras do grupo Mamelo Sound System no final da década 1990 ralou bastante para chegar até aqui. Sua carreira solo começou em 2009, e desde então soltou dois trabalhos: “Lurdez da Luz” e “Gana Pelo Bang”. Sua música procura abraçar não apenas as origens do rap, mas encontra espaço para referências da música popular, ritmos africanos e de outros países, principalmente na periferia desses.

 

Fernando Eduardo/Divulgação/ND
A surpresa da vez na cena rapper é Lurdez da Luz

Entrevista - Lurdez da Luz

Lurdez conversou via e-mail com o Notícias do Dia sobre diversos assuntos esta semana: machismo no mundo do rap, a dificuldade de conciliar a carreira de mãe e artista, o papel da mulher no universo hip hop e, claro, sobre o show de hoje e a alegria de estar dividindo o palco com os Racionais MC´s. Você lê a seguir.

 

O quão importante foi o aparecimento de artistas como Flora Matos, você, Karol Conka e Kamila CDD no cenário do rap nacional?

Acho de extrema importância tanto no discurso quanto para a música em geral. É outro tipo de energia e visão se materializando. São estilos bem diferentes e tem pontos de atuação diferentes, cada qual com sua missão, mas é a missão é que traz a transformação. 

Foi difícil a aceitação do público de mulheres cantando, compondo e à frente de bandas ou carreira solo em um universo essencialmente masculino?

Acho que em todas as áreas de atuação que são predominantemente masculinas é complicado para a mulher ser reconhecida. Até pouco tempo atrás, tudo que fosse fora de casa era ambiente de homem, não é? Mas geração após geração uma liberdade e autonomia vêm sendo conquistadas. A aceitação, no sentido de aprovação dos homens não é o foco. O importante é a mulher se sentir capaz e não se limitar, não aceitar opressão de forma alguma. O campo agora que precisa ser transformado são nossas mentes, mais do que algum métier.   

A diversidade sonora dentro do universo do hip hop e rap nacionais aumentou nos últimos anos. Criolo e o Emicida são os exemplos mais conhecidos. Seria um caminho para o nosso rap e hip hop se aproximarem mais dos ritmos brasileiros para obterem um reconhecimento tanto aqui como lá fora?

Acho isso muito pessoal.Temos que colocar no nosso som o que nós sentimos e não se preocupar se é brasileiro ou não. Meu primeiro disco tem alguns samplers de MPB, pois tem isso na minha formação musical. Meu pai e minha mãe curtiram os medalhões, as grandes cantoras e tal. O samba está no coração, na memória mais antiga da gente, então ele vem na lírica, na cadência das rimas, em algumas melodias, sem ser de forma consciente. Nesse disco novo, usar um berimbau não é para talvez na Europa entenderem que sou brasileira e gerar um interesse. É porque tinha tudo a ver! Se uso guitarra posso usar um berimbau, não é para exportação é só pra ser legal. 

Como conciliar o papel de mãe e artista?

Ah, esse é o constante desafio! Não conheço nenhuma mãe que é mãe mesmo no dia a dia, que é dura, sem ajuda cotidiana de pai e que não “terceiriza” o trabalho de mãe. Que consiga, de fato, ter a carreira totalmente no gás como deveria ser. Pelo menos enquanto é pequeno, eu me incluo nessas, concilio sim, mas gostaria de me dedicar mais a carreira, embora tenha escolhido como prioridade o meu filho!

Quais são as influências na sua música que ninguém percebe ou menciona quando vão lhe entrevistar?

Geralmente as pessoas perguntam quais são minhas influências e eu tenho dificuldade de resumir. Associam-me mais ao rap com influências de MPB. Em minha opinião a música brasileira popular bate forte, mas diferente das vertentes que me associam. Eu gosto muito de alguns artistas de funk e pagode. Gosto de ouvir mesmo e isso não aparece de maneira clara no meu som. De Cidinho a Leandro Lehart. Acho que a característica que acompanha meu trabalho desde sempre e permanece é a percussão. 

Deixe um recado para o público que irá assistir ao show aqui em Florianópolis e o que eles podem esperar.

Bom, eu quero dizer que é a primeira vez que vou chegar ai, e chegarei já realizando um sonho que é dividir palco com os Racionais, que é o som brasileiro da minha geração. O som que eu mais gosto desde os 13 anos. Se alguém perguntar: Quanto vale o show (risos)? Eu diria que não tem preço! Será uma experiência de vida muito importante como sempre é um show dos Racionais e espero poder fazer jus!

 

• O quê: Show Racionais MC’s (Karol Conka e Lurdez Luz)

• Quando: 7/8, 22h (abertura)

• Onde: Music Park , rod. Maurício Sirotsky Sobrinho, 2500, km 1,5, Jurerê, Florianópolis, tel. 3282-2054/3282-1669

• Quanto: R$ 45 (pista) a R$ 80 (camarote)

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade