Publicidade
Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 24º C
  • 18º C

Promissora na poesia, florianopolitana Catarina Lins lança sua primeira obra

"Músculo" traz seis longos poemas da autora que pesquisa a poesia contemporânea e sua estrutura sonora

Marciano Diogo
Florianópolis
Débora Klempous/ND
Catarina Lins é filha da produtora Luiza Lins e por coração, do cineasta Chico Faganello


Para a jovem poeta Catarina Lins, 25, toda poesia deve ser fundamentada no prazer. Prazer de escrever, de relembrar, de sintetizar, de refletir. Na arte da combinação de letras e palavras, a florianopolitana radicada no Rio de Janeiro, filha da produtora Luiza Lins e, por coração, do cineasta Chico Faganello, lançou no início de dezembro sua primeira obra, o livro de poemas “Músculo”. Pesquisadora principiante, a autora afirma que a sonoridade é essencial na composição dos poemas.  “A poesia é historicamente dita e lida em voz alta. Poesia é algo oral e sonoro. O som da poesia e a voz do poeta são relevantes e cruciais. Poesia é escrita para ser declamada”, observa.

Formada em letras pela PUC/RJ (Pontifícia Universidade Católica) e mestranda em literatura, cultura e modernidade pela mesma instituição, Catarina Lins pesquisa atualmente a poesia contemporânea e sua estrutura sonora. A autora chegou a cursar a graduação de cinema, mas mudou de curso e optou por seguir o aprendizado na arte, que é indispensavelmente construída pelas letras: “as linguagens se somam. O trânsito do poeta por outras artes pode ser bem proveitoso”, brinca. Nos longos versos livres da poeta catarinense, temas como o corpo, a cidade e a relação entre pessoas e lugares são continuamente explorados. “Meus poemas são longos, exploro o pensamento até a escassez. Eles raramente terminam na página em que começaram. Deixo o poema tomar o caminho dele”, afirma.

Com voz doce e serena, a jovem escritora conta também que suas breves experiências no mercado literário a fizeram optar pelo texto lírico. “Trabalhei nas editoras Cobogó, Mais 2 e Numa”, conta. Em 2015, Catarina também teve um de seus poemas expostos no Museu da Língua Portuguesa durante três meses, na mostra “Poesia Agora”. “Iniciei na poesia por influência do Paulo Henriques Britto, venci um concurso promovido pelo escritor com um texto que escrevi”, conta.

Sobre o livro “Músculo”, que costura seis longos poemas, a jovem autora explica que para a publicação buscou os seus textos que dialogavam entre si. “Minha poesia é algo corporal, quero colocar o leitor em movimento, busco fazer com que ele leia os meus poemas em voz alta. Por isso esse título”, observa a escritora, que explora claramente o verso livre em seus poemas.

Fuga do contrato métrico
Catarina Lins explica que procura quebrar com o antiquado parnasianismo ao romper com as normas que ditam a estruturação fonética nas poesias. “Busco romper com o contrato métrico. Rimas não me interessam, necessariamente. Meu poema tem versos livres e fluídos”, pontua a autora, que confirma ainda que a influência da família foi fundamental para que ela optasse pelo caminho das artes. “Por ter pais envolvidos com cinema, eles me mostraram múltiplas possibilidades e referências. Eles foram muito importantes para minha formação, me apontaram os caminhos e me deram a liberdade para escolhê-los”, conclui a promissora poeta, em férias em Florianópolis.

“Músculo”. De: Catarina Lins. Editora: 7Letras. Selo: Megamíni. 22 págs. R$ 12.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade