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Quinta-Feira, 20 de Setembro de 2018
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Projetos culturais catarinenses buscam recursos através do crowdfunding, um financiamento coletivo

Sites como o Catarse permitem aos produtores e artistas pedir contribuições diretamente para o público

Carolina Moura
Florianópolis
Janine Turco
Larissa Galvão, Mateus Mira, Pedro Loch, Rafael Meksenas e Carol Miranda já financiaram um CD. François Muleka está seguindo o exemplo para arrecadar os fundos par seu primeiro álbum


Florianópolis — No último dia 15 de fevereiro, o grupo Sonora lançou do seu CD, “Música Súbita”, no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho). A produção do disco foi possível graças a 58 pessoas que fizeram contribuições de R$ 10 a R$ 500 reais através do Catarse, site de financiamento colaborativo. Recente no Brasil, essa nova forma de custeamento ainda não está muito difundida em Santa Catarina, mas já é uma ferramenta para projetos culturais e criativos. A administração do site calcula que seis projetos daqui foram bem sucedidos na plataforma até agora.

O sétimo pode estar a caminho. O músico François Muleka, que em quase 10 anos de carreira ainda não havia gravado nenhum álbum, decidiu parar de reclamar da vida e colocar seu projeto no Catarse. Depois de ver o projeto do Sonora dar certo, ele decidiu apostar. Com a ajuda da de Andrea Rosas e Luiz Henrique dos Santos, seus produtores, ele tem até 24 de março para arrecadar R$ 13.500.

O sistema do Catarse é inspirado no Kickstarter, plataforma americana criada em 2009 e que é o maior site de crowdfunding (“financiamento de multidão”) do mundo. Um atrativo é que o realizador oferece recompensas para cada pessoa que contribuir, com diferentes quantias. Mas o grande diferencial da proposta é o tudo ou nada: você estabelece uma meta, e tem um prazo de até 60 dias para arrecadá-la. Se atingir, ou ultrapassar a meta, você leva tudo. Se não chegar lá, não ganha um centavo e os colaboradores recebem o dinheiro de volta. 

“Não é só colocar o projeto lá. O Catarse é um evento que precisa ser produzido”, conta Andrea. O Sonora Parceria, por exemplo, realizou diversos eventos e shows que tiveram todo o rendimento revertido para a campanha no site. François Muleka está seguindo o mesmo caminho, e inclusive fez parcerias para promover um workshop sobre crowdfunding em Florianópolis, na última quinta-feira.

Promover o projeto dá trabalho, mas tem grandes recompensas. “A partir do momento que o cara apóia, ele vira seu parceiro”, conta Tattiana Cobbett, cantora e bailarina que faz parte do Sonora. Para realizar um show gratuito neste domingo na Fortaleza São José da Ponta Grossa, no Norte da Ilha, o grupo acionou os colaboradores do disco, que foi financiado em agosto do ano passado, e conseguiu o dinheiro para a sonorização.  Isso em contato direto, sem precisar entrar no Catarse novamente.

Um novo canal de captação de recursos

Colegas de administração na FGV (Faculdade Getúlio Vargas) Diego Reeberg, 24, e Luis Otavio Ribeiro, 21, se encantaram pelo modelo de crowdfunding do Kickstarter em 2010. Em nove meses, eles encontraram o desenvolvedor Daniel Weinmann, 29, de Porto Alegre, e o jornalista Rodrigo Maia, 30, do Rio de Janeiro, e juntos começaram o Catarse.

O site foi inaugurado em 17 de janeiro do no passado, com cinco projetos — dos quais quatro foram financiados. Hoje somam-se 175 projetos bem sucedidos e 1,6 milhão de reais arrecadados. Os sócios realizam uma curadoria dos projetos, avaliando se eles se enquadram na proposta do site, se o orçamento é viável e se o realizador tem uma rede grande para apoiar.

“Crowdfunding como conceito existe há muito tempo. É a vaquinha”, simplifica Luis, que ministrou aqui um workshop sobre o assunto na quinta-feira. A internet maximiza esse alcance e permite criar comunidades em volta de projetos. “Para mim a importância é criar uma nova via para que projetos saiam da gaveta e se tornem realidade”, diz ele.

Apoio para realização de projetos universitários

Durante as filmagens do seu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso), entre o fim de 2010 e início de 2011, as então alunas de jornalismo da UFSC Letícia Arcoverde e Cecilia Cussioli descobriram o Catarse, que tinha acabado de ser lançado. O projeto delas, o “São Paulo Polifônica”, precisava de um programador para criar o site colaborativo onde o material seria compartilhado.

Elas bateram a meta de R$ 3,5 mil e arrecadaram R$4.630. “Foi ótimo, porque além de termos conseguido financiar o projeto, usamos a colaboração para avançar mais uma etapa dele, que era a divulgação para as pessoas colaborarem depois”, conta Cecilia. Elas estavam entre os 10 primeiros projetos financiados pelo Catarse.

No fim do ano passado, outro projeto do mesmo curso foi financiado. O estudante Felipe Costa, arrecadou R$ 26 mil para percorrer a América Latina em uma Kombi, em busca de diferentes respostas sobre o que é felicidade. O resultado será um documentário apresentado como TCC.

 

Outros sites:

Movere.me: parecido com o Catarse

Benfeitoria.com e Lets.bt: projetos sociais

Queremos!: shows de bandas

Nakeit: ensaios sensuais

 

Projetos catarinenses em andamento:

CD Feijão e Sonho, de François Muleka: http://migre.me/8tW78

Filme “Infância de Monique”, de Fábio e Fabrício Porto: http://migre.me/8tW8U

 

Confira dicas para fazer um projeto dar certo via crowdfunding

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