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Projeto de fotógrafa busca registros do cotidiano para revelar histórias de amor

Ana Paula Santos criou o Save the Love para mostrar a realidade das famílias e o quê realmente importa

Karin Barros
Florianópolis
16/09/2017 às 00H17

Numa época em que qualquer coisa é motivo para fotos nas redes sociais, o que de fato é um registro que merece uma atenção especial, ser revelado e quem sabe até virar uma história? A jornalista Ana Paula Santos, 28, do Paraná, mas moradora de Florianópolis, tem se dedicado há um ano a pensar nesse assunto e a dar mais essência a essas fotos que por fim parecem tão repetitivas e monótonas. Com o projeto Save the Love, ela trabalha com o nicho de Fotografia Documental de Família, incluindo ainda o que chama de Escrita Afetuosa.

Ana Paula Santos, do projeto Save the Love - Daniel Queiroz/ND
Ana Paula Santos, do projeto Save the Love - Daniel Queiroz/ND


>> Conheça mais do projeto

Ana Paula conta que, por motivos pessoais, não aceitava a própria história da família. Depois das aulas de fotografia na faculdade, veio a inspiração de relacionar de forma mais sentimental fotografias que registram momentos do cotidiano com textos, que não são literários nem jornalísticos, mas que tocam o outro e criam uma conexão.

O fato a levou a cidade natal, em Santo Antônio da Platina, para registrar momentos dos pais que ficaram em sua memória, como ele, um senhor de 82 anos, capinando um terreno, e a mãe, que foi freira, fazendo sonho de doce de leite.

O nome do projeto vem de encontro a exatamente o que a fotógrafa busca: salvar o amor a partir de registros do cotidiano. “Eu ficava incomodada com aqueles ensaios de casal que o fotógrafo escrevia que a energia era incrível durante o ensaio. Mas como que essas pessoas se conheceram, como é a realidade delas? O resultado final fica uma imagem muito idealizada”, comenta ela.

Ana Paula, que se autodefine como uma fotógrafa de histórias de amor, é procurada para fazer registros tanto de momentos importantes, como uma gestação, aniversários e casamentos, como de momentos que passariam em branco, mas que marcam a história de uma família. No caso da gestação, Ana lembra de um caso em que fez o ensaio da futura mamãe no quarto do bebê que estava em reforma, fugindo do comum e mostrando a realidade daquela casa.

Serenidade e pausa de Gabriela Flores Tamura no ensaio de Ana Paula - Ana Paula Santos/Divulgação/ND
Serenidade e pausa de Gabriela Flores Tamura no ensaio de Ana Paula - Ana Paula Santos/Divulgação/ND



No aniversário, Ana deu o exemplo de um em que fez a preparação da festa no dia anterior, com a produção dos doces e a chegada de parentes que vinham de longe. São emoções que às vezes passam despercebidas quando o foco do fotógrafo é apenas na festa. Seu trabalho mais recente foi um casamento entre dois idosos viúvos em uma cerimônia simples. “Eu quero sair do convencional e registrar o quê as pessoas escondem, histórias incomuns, independentes de gênero e raça. Registros do cotidiano revelam histórias de amor”, diz.

Modo operacional diferenciado

Com a realização do projeto, a fotógrafa já executou duas oficinas na Grande Florianópolis e tem na agenda mais uma marcada para o mês de outubro. Diferente do que acontece na maioria desses cursos, a oficina não é voltada ao profissional da fotografia, mas sim às famílias. Ana Paula explica o significado da Fotografia Documental e como fazer a curadoria desses momentos importantes para um resgate no futuro, para àqueles momentos em que os pais sentam com os filhos em uma sala para reviver boas histórias.

Ana Paula chega a fazer mil fotos em um dia de trabalho, porém, seu modo de funcionamento é diferenciado. Primeiro ela separa uma parte do dia para identificar no cliente o que é importante para ele, lugares que fazem sentido naquela vida. Em seguida, ela começa a produção, que pode durar de quatro horas a um dia inteiro, e finaliza com a curadoria das imagens, que também, diferente da maioria dos ensaios que as pessoas conhecem, quem escolhe os melhores ângulos é Ana Paula. Por fim, o cliente tem a opção de escolher as fotos em um fotolivro, produzido em São Paulo, ou na maneira mais artesanal, dentro de uma caixinha pintada a mão com uma carta com o texto da jornalista, em que revela tudo que ela captou sobre aquele lar. “Eu construo uma narrativa de acordo com a vida da pessoa. Sou um pouco contra as questões de horas contratadas. O mesmo cuidado que eu quero ter com a minha família, eu quero ter com a dos outros. Eu não vejo isso só como uma profissão”, finaliza ela.

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