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Programação especial marca os 70 anos do Masc com celebração e reivindicação

Três exposição integram a agenda até julho tentando repetir a dose do evento de 1948

Karin Barros
Florianópolis
18/04/2018 às 10H26

Três exposições marcam a partir desta quarta-feira (18) os 70 anos de existência - e resistência - do Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), em Florianópolis, o segundo museu público mais antigo do Brasil, atrás apenas da Pinatecoteca de São Paulo. O projeto também é o último com Josué Mattos a frente da administração do museu. 

O curador Josué Mattos quis replicar a sensação da exposição embrionária do Masc - Daniel Queiroz/ND
O curador Josué Mattos quis replicar a sensação da exposição embrionária do Masc - Daniel Queiroz/ND


O espaço foi oficialmente fundado em 18 de março de 1949, contudo o acervo do Masc começou a partir de uma exposição de arte contemporânea, trazida a Capital em 1948 pelo escritor carioca Marques Rebelo (1907 – 1973). Este foi o primeiro choque de modernidade nas artes catarinenses e o embrião para o que viria a ser o Masc, um ano depois da criação do Masp (Museu de Arte de São Paulo). 

Josué afirma que se prendeu a fala do escritor Salim Miguel (1924 – 2016), um dos fundadores do Grupo Sul, na obra “Biografia de um Museu” (2002), onde ele diz que foi a primeira vez que pintores como Portinari, Segall, Pancetti foram vistos na cidade, para idealizar a programação comemorativa. Como resultado imediato da exposição de 1948, surgiu um pequeno museu, o pátio Marques Rebelo. A partir daí o acervo se constituiu e foi a primeira versão do que hoje se chama de Masc. 

“Desterro desaterro”, com 85 artistas, somando ainda os artistas australianos de “O Tempo dos Sonhos: Arte Aborígene Contemporânea da Austrália” e o “Projeto Armazém – O mundo como armazém” é para o administrador do museu um momento de comemoração. “Seja como for, estamos vivos. Os artistas estão ai. É provavelmente a primeira vez que muitos artistas estão reunidos dessa forma aqui. Há muito deleite, muita entrega para esse projeto, e isso é motivo de comemoração”, coloca. 

Josué não nega que quer repetir nos próximos meses a dose do que aconteceu em 1948. “Naquela época foi no pátio do colégio Dias Velho [na Capital]. Reuniram lá 49 artistas, mais ou menos, e tinham entre eles regionais, nacionais e internacionais. O que estamos fazendo aqui não é diferente. É uma exposição de arte contemporânea com artistas que passaram por Santa Catarina, não necessariamente catarinenses, deixando marcas. Elas são integradas ao cenário”, salienta. Essa grande reunião de obras foi possível graças ao apoio de colecionadores importantes da cidade, Itajaí, Joinville, e São Paulo, por exemplo, que emprestaram seus acervos. 

Entre os pontos positivos para Josué enquanto sua administração, ele vê o bom andamento do projeto Claraboia, que vai para a quinta edição, com artistas contemporâneos em um espaço que estava obsoleto no Masc. 

A programação comemorativa também prevê também uma imersão na obra de Ivens Machado, escultor, gravador e pintor de Florianópolis que morreu em 2015 e nunca havia exposto na cidade. Quatro obras do artista — duas marcantes do começo da carreira, nos anos 1970, e duas dos últimos anos de vida — estarão em exibição na sala de vídeo. 

Uma centena de artistas em exposição

“Desterro Desaterro”, assinada por Josué Mattos, é um encontro de figuras pertencentes a diferentes gerações em Santa Catarina que entendem o território da arte vinculado a percursos, trajetos e envolvimentos mútuos. Serão 85 artistas no total, entre eles nomes expressivos para a arte catarinense, como Fernando Lindote, Franzoi, Clara Fernandes, Elke Hering, Berenice Gorini, Paulo Gaiad e Raquel Stolf. Entre os emergentes, nomes como Audrian Cassanelli, Sonia Beltrame, Cyntia Werner e Daniele Zacarão. Já a exposição “O Tempo dos Sonhos: Arte Aborígene Contemporânea da Austrália”, sob curadoria de Clay D’Paula, trata-se da coleção mais diversificada, vigorosa e exuberante da tradição artística contínua mais antiga do planeta. Ela está circulando o país desde 2015 ano da Austrália no país para estreitar laços com os brasileiros. 

Clay D'Paula, curador da mostra que reúne arte aborígene da Austrália - Daniel Queiroz/Nd
Clay D'Paula, curador da mostra que reúne arte aborígene da Austrália - Daniel Queiroz/Nd


A mostra na sala Lindof Bell é separada por regiões da Austrália que trabalham as paletas e as formas de diferentes maneiras. As obras são de artistas renomados, como Rover Thomas, Tommy Watson e Emily KameKngwarray, entre outros, que já tiveram os seus trabalhos expostos no MoMA e Metropolitan, de Nova Iorque, Bienais como a de Veneza, São Paulo e Sidney, entre outros eventos de prestígio internacional, como o Documenta, em Kassel, e ArtBasel (Miami, Basel e Hong Kong). “ A arte aborígenes é muito complexa, por trás de cada uma existe uma narrativa, por isso é separado por regiões. Ela é um movimento revolucionário que mudou toda a visão pré-estabelecida da arte. Todos os trabalhos são baseados apenas no conhecimento deles”, diz o curador. 

A 16ª edição do projeto Armazém reúne em uma nova sala, ao lado da Lindo Bell, 300 artistas, coletivos e editoras, selecionados por meio de convocatória e obras do acervo. Entre eles Fran Favero, Helene Sacco, Eliana Borges e Vanessa Schultz. 

Serviço

O quê: "Desterro Desaterro - Arte contemporânea em Santa Catarina”
Quando: 18/4, 19h (abertura). Visitação até 22/7, de terça a domingo, das 10h às 21h
Onde: Masc, CIC, av. Governador Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis
Quanto: gratuito 

O quê: "O Tempo dos Sonhos: Arte Aborígene Contemporânea da Austrália" e Projeto Armazém 
Quando: até 3/6, de terça a domingo, das 10h às 21h
Onde: Espaço Lindolf Bell, CIC, av. Governador Irineu Bornhausen, 5.600, Agronômica, Florianópolis
Quanto: gratuito

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