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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Produzido e filmado em Florianópolis, curta Almofada de Penas usa técnica stop motion

“É uma animação para adultos, um suspense psicológico que trata de relações humanas", contou o diretor Joseph Specker Nys

Marciano Diogo
Florianópolis

Técnica de animação minuciosa que requer envolvimento de profissionais de diferentes áreas, o stop motion é bem difundido no mercado cinematográfico. Em Santa Catarina, há um filme em desenvolvimento nessa técnica há quatro anos. Adaptação cinematográfica de um conto do escritor latino Horacio Quiroga (1879-1937), o curta-metragem “Almofada de Penas” está sendo produzido em Florianópolis por uma equipe local e deve ser lançado em 2017, ano em que completa 80 anos da morte do autor uruguaio.

Daniel Queiroz/ND
Filho de escultora ceramista, o diretor Joseph Specker tem familiaridade com a criação de peças artesanais


“É uma animação para adultos, um suspense psicológico que trata de relações humanas. O filme retrata os primeiros meses de um casamento e a crise de relacionamento entre o casal e, diante das diferenças entre os personagens, a mulher adoece e passa por delírios. Apesar de ser de forma sutil, busco explorar a profundidade da história”, conta o diretor Joseph Specker Nys, 31.

Uruguaio radicado na Capital, formado em design gráfico pela Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), filho de escultora ceramista, Joseph tem familiaridade com a criação de peças artesanais – fato este que facilitou a proposta do curta. O uruguaio, que também é diretor de arte da produção, teve a ideia para o filme ainda em 2012 e no ano seguinte conseguiu levantar uma verba inicial através de financiamento coletivo.

Em 2014, o projeto venceu edital do Rumos Itaú e ganhou patrocínio cultural, e a partir de então os bonecos da animação começaram finalmente a serem modelados. Em junho deste ano, o projeto também venceu um pitching na Bolívia e ganhou uma consultoria com profissionais que já trabalharam com Tim Burton, entre eles a diretora de arte Francesca Maxwell e o animador Rich Zimm.


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O curta, retratado na década de 1880, apresenta quatro personagens e traz cinco diferentes cenários. O filme, que também traz referências da estética gótica surrealista, envolve o trabalho de cerca de 40 profissionais, entre eles escultores, ilustradores, pintores, produtores, puppet makers, atores e figurinistas.

“São tantos detalhes que se você não for perfeccionista não consegue controlar o todo. É um trabalho que precisa ser executado com destreza por envolver uma técnica complexa e o uso de diferentes materiais. Cada elemento presente na cena é planejado e construído especificamente para tal. Não há soluções fáceis no stop motion, por isso os filmes feitos através de tal técnica levam mais tempo para serem produzidos”, explica o diretor de “Almofada de Penas”.

A criação dos bonecos de “Almofada de Penas” envolve moldes e impressões em 3D e as peças são produzidas com materiais como clay, aço, espuma, silicone, gesso, resina, plástico e borracha. Os testes de animação já iniciaram e as filmagens ocorrem durante o segundo semestre de 2016.

“É tudo muito manual e artesanal. É um filme ambicioso, desafiador e estimulante. E o projeto tem incentivado o desenvolvimento local e profissionalização através da capacitação da mão de obra. É fazendo que se aprende”, observa Maria Emília Azevedo, 50, produtora-executiva do curta-metragem. “Almofada de Penas” também conta com apoio de diferentes parceiros, entre eles as produtoras Plural Filmes e Dois Plátanos Filmes e a empresa Agil3D.

• Acompanhe o processo criativo e desenvolvimento do filme “Almofada de Penas” através do site www.almofadadepenas.tumblr.com.

 

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