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Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
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Por que se paga mais caro para consumir cultura em Santa Catarina?

Assistir a espetáculos de música, teatro e dança chega a custar até quatro vezes mais no Estado do que no resto do país

Carol Macário
Florianópolis
Edu Cavalcanti / Arquivo ND
Último show em estádio na Capital foi do Black Eyed Peas, em 2010

 

Consumir cultura em Florianópolis é mais caro do que no resto do Brasil. Grandes produções internacionais chegam a ter o preço dos ingressos quase 100% mais salgados do que em outras capitais. Quem mora em Recife, por exemplo, poderá assistir ao mesmo show que o ex-Beatle Paul McCartney  apresenta na Ilha no dia 25 de abril a partir de R$ 80 a meia entrada. Por aqui não sai por menos de R$ 140. Mas são nas apresentações de médio e pequeno porte que a diferença é mais gritante. Assistir a shows de artistas brasileiros na Ilha ou turnês de espetáculos teatrais chega a ser três, até quatro vezes mais caro.

“Florianópolis não está na rota das grandes produções, é um eixo logístico”, afirma Doreni Caramori Jr., sócio-diretor do Grupo All, empresa produtora de eventos. “Aqui não temos um volume de pessoas e de estrutura para receber grandes espetáculos. Ou se faz num espaço menor, com capacidade para menos pessoas, e aí o público acaba pagando mais. Muitas vezes é o mesmo espetáculo, o mesmo custo, mas o público aqui paga mais”, observa o empresário. “Além disso, os fornecedores e prestadores de serviço são mais caros aqui – chega a ser 20% a mais”, corrobora a produtora Eveline Orht. São equipamentos de som, iluminação e vídeo, entre outros aparatos cênicos, cujo custo é maior em Florianópolis.

O aspecto dos patrocínios e apoios de empresas privadas também reflete nos custos. “Aqui é mais acuado”, diz Eveline Orth. “Nosso mercado consumidor é bem menor e por isso o apetite das grandes empresas em investir aqui é menor”, complementa Caramori Jr. Segundo ele, a cultura local mostra que as empresas ainda não estão acostumadas a investir em marketing cultural. Falta profissionalização da indústria.

Falta de espaços empurra o preço para o alto

Responsável por duas grandes produções em 2010 em Florianópolis, os shows de Black Eyed Peas e Beyonce, Rolf Krueger destaca a falta de espaços para apresentações. “O grande problema são os locais com capacidade insuficiente. Isso incide diretamente no valor dos ingressos”, avalia. Um exemplo recente foi o show da cantora Maria Methânia, realizado em setembro passado no teatro Pedro Ivo. A mesma turnê, “Bethânia e as Palavras”, foi apresentada em outras quatro capitais por R$ 60. Na Ilha o valor subiu para R$ 240, quatro vezes mais.

“O que se tem que observar é que lá o público foi de pelo menos 3 mil pessoas”, observa o presidente da Fundação Catarinense de Cultura, Joceli de Souza. Atualmente, o maior teatro em operação na cidade tem capacidade para apenas 702 cadeiras.

“Além disso”, acrescenta a consultora da Sol (Secretaria Estadual de Turismo, Cultura e Esporte) Lucia Helena Vieira, “espetáculos de teatro e música que na capital paulista, por exemplo, chegam a ficar seis meses em cartaz, por aqui tem única apresentação, no máximo duas. E tem os custos de transporte, montagem”, diz.

Viajar às vezes sai mais barato

O músico Rodrigo Nascimento Lisboa, 34, não mede esforços para assistir aos shows dos grupos que gosta. Já foi até Dublin, na Irlanda, para assistir ao U2, a Los Angeles para ver Guns n’ Roses e outras loucuras. No Brasil já perdeu a conta das viagens que fez. Como bom consumidor de música e espetáculos, percebe a diferença de preços entre as capitais brasileiras. “Shows de médio porte é que sinto mais. Uma vez paguei R$ 250 aqui por um show da Rita Lee. No Rio de Janeiro, o mesmo show me custou R$ 100”, conta.

 

Débora Klempous / ND
Rodrigo Nascimento viaja para outros estados e países para assistir aos shows de seus ídolos

 

Quem paga a conta dos estudantes?

A polêmica lei da meia entrada para estudantes também gera controvérsias entre os produtores. “Hoje quem não tem a carteirinha de estudante é obrigado a pagar a conta. Se fosse sério, regulamentado, seria diferente. Mas hoje não há nem mesmo cotas definidas”, afirma o produtor Rolf Krueger. A produtora Eveline Orth é da mesma opinião. “Num paralelo com Porto Alegre: lá a lei da meia entrada é diferente, estudante paga meia só em espetáculos em cartaz por mais de três dias”, diz.

Quanto você paga?

Quanto vale o show do Paul McCartney?

21 e 22/4, Recife – Estádio do Arruda, capacidade para 60 mil pessoas

Arquibancada Superior: R$ 160 / R$ 80 (meia)
Cadeiras: R$ 360 / R$ 170
Gramado e Arquibancada inferior: R$ 260 / R$ 130
Pista Premium: R$ 600 / R$ 300

24/4, Florianópolis - Estádio da Ressacada, capacidade para 17 mil pessoas

Cadeiras descobertas: R$ 280 / R$ 140
Gramado: R$ 350 / R$ 175
Cadeiras Cobertas Gold: R$ 380 (sem direito a meia entrada)
Gramado Premium: R$ 760 (sem direito a meia entrada)

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