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Piter Santana tem uma trajetória no associativismo dos micro e pequenos empresários

Ainda adolescente já tinha uma veia empreendedora. Hoje se desdobra como presidente de uma associação de microempresários e funções em entidades e poder público

Por Janine Alves, especial para a Inspira
Florianópolis
29/06/2018 às 22H34

Entender o que o empresário e empreendedor Piter Santana faz não é um problema, porém entender as inúmeras funções que exerce e os projetos que fazem dele umas das principais referências para os micro e pequenos empreendedores de Florianópolis é um trabalho complexo. Além de atuar na iniciativa privada como “cliente oculto”, Piter é presidente da Ampe Metropolitana (Associação dos Empreendedores de Micro e Pequenas Empresas e dos Empreendedores Individuais da Região Metropolitana de Florianópolis), onde implantou 170 ações em 24 meses e também superintendente de Desenvolvimento, Indústria e Comércio, função na qual realizou mais de 60 ações desde que assumiu o cargo em janeiro de 2017. Por força dos cargos que exerce tem representação em outras 22 funções, seja como conselheiro nomeado ou voluntário. Preocupado com as metas, prazos e resultados, Piter diz que os primeiros 100 dias de uma gestão são fundamentais para definir o desempenho de quem ocupa o cargo e assim estabelece um ritmo de trabalho com o pé no acelerador. Com criatividade e uma sólida rede de relacionamento ultrapassa os obstáculos que se colocam, construindo uma carreira e implantando muitas ações. 

Piter Santana diz que para fazer um bom trabalho é necessário estar à disposição do cliente ou do cidadão   - Daniel Queiroz/ND
Piter Santana diz que para fazer um bom trabalho é necessário estar à disposição do cliente ou do cidadão - Daniel Queiroz/ND



Como surgiu a veia associativista?

Eu participo de associações empresariais desde 2003 e comecei isso de uma forma muito simples. Eu dei a ideia para criar uma rádio na escola e a diretora cedeu o espaço para montar a estrutura. Ainda lembro exatamente a data: dia 15 de novembro de 2001. Eu estava no ensino médio, com 16 anos, e o meu irmão com dois anos a menos. Todos os dias eu levava o MP3 e colocava as músicas. Com o passar do tempo procurei as casas noturnas na região – eu morava em Criciúma – dizia que a escola tinha 1.200 alunos e propunha a criação de um anúncio simples - falado mesmo - e a contrapartida era o ingresso para poder ir à casa noturna. Na época o projeto da rádio ganhou o prêmio do MEC como melhor iniciativa estudantil. Nesse período, ainda com 16 anos comecei a dar aula de informática básica no colégio, esse foi o meu primeiro emprego. Nesse momento fui convidado para participar do Projeto Junior Achievement, um projeto voltado para miniempresa. Participei de uma turma e fui destaque na cidade, depois de ter sido destaque na escola. Depois disso fundamos o Núcleo de Ex- Achievement e todos que saiam com o projeto ingressavam neste Núcleo - que mais tarde virou a Associação de Jovens Empresários de Criciúma. Então comecei a participar do associativismo, da Associação de Jovens Empreendedores de Criciúma, participei da fundação e fui tesoureiro por três gestões. Em 2007 vim morar em Florianópolis e procurei a Acif, a CDL e a Aemflo e assim comecei a gerar minha rede de relacionamentos por aqui. Participei do Cejesc (Conselho Estadual de Jovens Empresários); em 2009, me aproximei da Fampesc e em janeiro de 2010 e numa reunião decidimos fundar a Ampe Metropolitana. Fui o primeiro Presidente Jovem.

Qual o foco do seu trabalho à frente da Ampe Metropolitana?

O associativismo tem três pilares principais: a capacitação, representatividade e relacionamento. Tudo que é feito na Ampe segue um desses pilares e benefício foi uma característica que eu coloquei na Entidade. Quando eu assumi a Ampe existiam apenas quatro benefícios para os associados: plano de saúde, plano odontológico, maquininha de cartão e o seguro de vida. Nos primeiros 100 dias de gestão eu assinei 45 novos convênios, com os mais diversos tipos de empresa, justamente para que o associado percebesse o valor em participar da Ampe. Outra ação foi em relação ao valor pago. Muitas vezes o microempreendedor não consegue pagar, então visitei um sindicato que tinha 129.000 associados e lá eles cobravam R$ 1 por associado, o que correspondia a R$ 129 mil de receita. Então implantei isso na Ampe - um real por mês mais o custo do boleto dá uma anuidade de R$ 14,90 por ano, ou seja, o associado recebe todo o pacote de benefícios por esse valor. A Ampe sempre foi metropolitana no nome, mas com atuação apenas em Florianópolis e a ideia agora é nos apresentar aos prefeitos da região, dizer que a gente existe e está à disposição. Nós temos associados nos 22 municípios da região, porém não temos muitas ações. A intenção é espalhar essas ações por toda a região, em todos os municípios. Nós defendemos a microempresa como ação fundamental da nossa entidade.

 

Como surgiu o convite para trabalhar na Prefeitura de Florianópolis?

Em 2012 nós fizemos um manifesto à ‘Carta da Ampe Metropolitana’ com 40 demandas da micro e pequena empresa e apresentamos para todos os candidatos a prefeito dos 22 municípios da região, isso em 2012 e em 2016, e o Gean Loureiro, atual prefeito de Florianópolis, foi o único que leu o documento e disse que pegaria oito itens para colocar na proposta de campanha. Então naquele pacotão com 40 ações, oito eram para a pequena e microempresa. E quando foi eleito ele disse ‘já que tu propuseste tanta coisa agora vem executar. Cobra, cobra e cobra, então agora vêm fazer’. Já colocamos oito ações em prática.

 

O que você vê em comum na sua atividade empresarial, na associação (Ampe) e no poder público municipal?

Minha mãe tem um salão de beleza há 45 anos e o que sempre me marcou foi da frase dela ‘estou sempre à disposição’. Assim eu sempre levei em consideração a empatia e a possibilidade de me colocar no lugar do cliente.  Quanto eu estou no meu âmbito de trabalho empresarial o meu foco é apresentar para o gestor a percepção do cliente, o olhar do cliente. Quando eu estou na Ampe eu tenho que ter o olhar no associado, saber o que o associado quer da minha gestão como presidente. E no poder público tenho que observar o cidadão, a possibilidade de mudar a minha vida e a vida de todo mundo. Eu estou no poder público pela possibilidade de fazer alguma coisa, não é pelo valor, mas pela oportunidade de poder aproveitar esse momento para fazer algo diferente.

 

E quanto ao futuro?

Criar o Centro de Empreendedorismo de Florianópolis, um espaço para formar microempreendedores e  microempresas. A partir desta semana vai começar a reforma no espaço. Vamos ter um auditório para capacitação, um escritório administrativo, espaço comum e dez salas com a mesma concepção de um coworking, com a possibilidade de ser usado também pelos alunos dos cursos de capacitação para desenvolver seus projetos. A ideia é que já saiam dali com um projeto definido e o financiamento do juro zero para iniciar o negócio.  Esse projeto foi cadastrado no Prêmio Progredir do Governo Federal e ficamos em 3º no ranking brasileiro.

 

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