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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Perfil - Cabeleireiro Maikon Tomaz fala sobre arte de cortar cabelos, uma tradição em sua família

Conhecido por Maik, cabeleireiro é famoso em Florianópolis por utilizar o conceito do visagismo para criar cortes de cabelo e penteados

Carol Macário
Florianópolis

Janine Turco / ND
Visagismo - Maik estuda a características de cada cliente para criar cortes de cabelo personalizados

A escola de artes Bauhaus, considerada uma das mais importantes e influentes do mundo, foi fundada em 1919 na Alemanha a partir do princípio de que "a forma sempre segue a função". A frase é atribuída ao arquiteto Louis Sullivan (1856 - 1924), tido como o pai do design funcional, e que inspirou o grupo de artistas e arquitetos a darem um novo conceito às artes visuais, desde as chamadas "belas artes" até o design de cabelos - sim, cortar cabelos também é arte. Quase um século depois, em Araranguá, no Sul de Santa Catarina, o jovem cabeleireiro Maikon Tomaz assimilava intuitivamente o princípio de Bauhaus (a escola funcionou só até 1933) para transformar o visual de homens e mulheres e ajudar-lhes a definir a própria identidade.

Maikon, 29, hoje é conhecido pela vasta clientela de Florianópolis e de outras cidades em todo o Brasil como Maik. Ele é a terceira geração de cabeleireiros de sua família. O avô, do ramo, teve seis filhos. Cinco deles herdaram a profissão. Dos sete netos nenhum ficou de fora, entre eles Maik. Aos 13 anos já trabalhava num salão profissional, do seu tio. "Foi onde aprendi o básico. Foi minha grande escola", diz. Ele conta que só não nasceu dentro de um salão por questão de minutos. "Mas me criei nesse meio."

Já antes de trabalhar com o tio, gostava de reunir colegas da escola quando ainda estava no primário e cortar-lhes o cabelo. Era uma criança. "Os pais é que não gostavam", brinca. Depos da adolescência continuou usando amigos como cobaia. Ele os embebedava para que pudesse praticar cortes e penteados. "Somos até hoje grandes amigos, e muitos deles são clientes. Me ligam pedindo que conserte uma besteira feita por outro cabeleireiro."        

Maik veio para Florianópolis no ano 2000 com a cara, coragem e R$ 35 no bolso. A única certeza era a de que queria trabalhar como artista de cabelo. "Nunca tive dúvida do que gostaria de ser." Conseguiu emprego num salão simples no bairro Estreito, e três meses mais tarde trabalhava em outro no Kobrasol, em São José. Se firmou como profissional e alcançou reconhecimento e fama quando trabalhou no tradicional Rossi Cabeleireiros, da Capital. "Foi lá que construí minha clientela." E cita algumas famosas cujos cabelos já passaram por suas mãos, como Camila Morgado e Isabeli Fontana.

Antropólogo Capilar

Maik usa o conceito do visagismo para criar cortes. O termo deriva de visage, e significa rosto em francês. Foi criado por Fernand Aubry, em 1937, para conceituar a arte de criar uma imagem pessoal personalizada. "Visagismo é o estilo. É trabalhar a identidade de cada pessoa, um estudo desde o modo de como cada cliente se veste, se comporta etc, e adequar o corte de cabelo a tudo isso", explica Maik.

Segundo ele, o corte de cabelo, aliado a outros elementos, pode mudar a impressão que os outros têm de você. Por seguir esse princípio, o cabeleireiro não tem uma técnica específica para corte de cabelos. É um processo intuivo. "Cortar é como esculpir uma obra de arte", compara.

Por isso não usa pentes, ou ângulos precisos de 90 ou 45 graus. "Até porque essas técnicas são limitadoras e não combinam com todos".  Outro detalhe de sua arte é que realiza os cortes sempre em cabelo seco.

Profissão está sendo reconhecida

Maik pretende continuar desenvolvendo seu trabalho em Florianópolis. Ele acredita que a profissão de cabeleireiro está sendo finalmente reconhecida, empurrada pelo crescimento da indústria de cosméticos. "Antes não era visto como profissão, e sim um pretsador de serviço."

Ele comenta também que ainda hoje existe preconceito com a função. Já aconteceu de o pai de uma ex-namorada julgá-lo por sua profissão. "Pô, mas um cabeleireiro?", comentou o pai da moça. "Ainda é muito grande também a ideia pré concebida de que os homens que trabalham na área são homosexuais."

Maik atende atualmente no salão Le Visage, no bairro Santa Mônica.

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