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Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2018
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Pela primeira vez em Santa Catarina, Miss Mundo Brasil mostra o longo processo por trás da coroa

Neste sábado, no Costão do Santinho, em Florianópolis, 40 candidatas concorrem ao título que levará apenas uma ao Miss World

Juliete Lunkes
Florianópolis
Daniel Queiroz/ND
Misses estão desde o último domingo (3) confinadas no resort

 

O coordenador artístico Marcelo Soes já estava a postos sob o sol forte à beira da piscina do resort Costão do Santinho, pouco antes das 10h de quarta-feira (6), quando as misses começavam a deixar seus quartos rumo ao ensaio geral. Após uma bronca de Dona Vanda, chaperona do Miss Mundo Brasil, por causa do atraso de parte das 40 candidatas que concorrem ao título na noite deste sábado, e uma palavrinha de motivação do Mister Brasil Lucas Montandon, as beldades finalmente começaram a se posicionar e acompanhar as ordens do responsável pelo desfile.

Desde o último domingo (3), candidatas de 27 Estados e Distrito Federal e de 14 Ilhas brasileiras – ou13, após a saída da representante de Fernando de Noronha para recuperação de um problema de saúde – estão confinadas no resort da praia do Santinho, onde são constantemente avaliadas, seja nas provas que acumulam pontos para a grande final, ou por atitudes que podem gerar a diminuição deles. Hospedado junto com elas, um staff de cerca de 30 pessoas cuida de cada detalhe para que saiam dentro do planejado todas as etapas que vão definir a nova representante do Brasil a embarcar para Londres, em dezembro, para o Miss World 2014.

Principais responsáveis por definir os padrões femininos entre as décadas de 1950 e 1970, os concursos de beleza tornaram mulheres como Marta Rocha, eleita a primeira Miss Brasil em 1954, e Ieda Maria Vargas, primeira Miss Brasil a conquistar o Miss Universo em 1963, grandes ícones do imaginário nacional no quesito “mulheres perfeitas”. O feminismo e as mudanças gradativas dos hábitos das mulheres fizeram com que o longo das décadas os concursos de miss fossem perdendo força como grandes ditadores de padrões de beleza, o que torna curioso que nos dias de hoje milhares de jovens ainda queiram fazer parte desse cenário. Ao lado do Miss Brasil Universo e do Miss Brasil Internacional, o Miss Mundo Brasil, sediado este ano pela primeira vez em Santa Catarina, está entre os principais concursos de beleza do país e traz em sua tradição o orgulho de valorizar mais do que a beleza, também o lado humanitário das participantes.

 

Daniel Queiroz/ND
Ensaios e provas marcaram a semana das misses 

 

Em busca de um futuro brilhante

Cuidados com alimentação, pele e cabelo, exercícios físicos, acompanhamento psicológico e aulas de português e oratória já são práticas que acompanham a maioria das meninas acostumadas aos concursos de beleza e que ficam ainda mais intensas quando se trata da nova Miss Mundo Brasil. Antes de embarcar para Londres, a representante brasileira passará por uma maratona preparatória e a primeira etapa é uma viagem à China, onde está localizada a mais nova escola de misses do consultor de imagem venezuelano Alexander Gonzalez, preparador oficial do Miss Mundo Brasil desde 2009.

“Esse período de um mês meio na China será de muito trabalho, não vim aqui buscar uma amiga, vim buscar uma Miss Mundo. Ela precisa amar as cores de sua bandeira, quero que ela sinta essa grandeza. Uma Miss Mundo é uma mulher de beleza integral, que vai estar preparada para assumir uma grande responsabilidade”, destaca Alexander.

Nascido em um país conhecido por ser berço de grandes misses, Alexander aprendeu com quem há muitos anos valoriza de maneira obsessiva as belas mulheres nascidas por lá. Desde o final da década de 1960, as escolas preparatórias de misses começaram a se espalhar pela Venezuela e hoje é tradição que meninas bonitas ingressem em uma delas já a partir dos quatro anos de idade. “Eu comecei trabalhando em uma agência de modelos de onde saiam muitas misses, virei relações públicas delas e eventualmente cuidava também do vestuário. Hoje a mídia me considera um dos principais consultores de imagem do mundo. Eu só me considero um apaixonado pelo que faço”, diz.

Apesar da rotina aparentemente puxada, só o caminho para se tornar uma miss já é responsável por uma grande mudança na vida das candidatas. Os sacrifícios para perder alguns quilinhos e a dedicação para ficar por dentro de assuntos de conhecimento geral não são nada perto da oportunidade de viajar de avião e ver o mar pela primeira vez.

A Miss Mundo Goiás, natural de Anápolis, Luciana Novais, teve em Florianópolis a chance de conhecer pessoalmente as ondas geladas e salgadas que antes só via pela televisão. “Ontem nos fomos à praia, eu e outras duas meninas que também nunca tinham visto o mar, molhamos os pés e ficamos surpresas com as ondas, que batem na gente e nunca param”, diverte-se. De origem humilde, assim como boa parte das participantes, Luciana espera uma drástica mudança em sua vida, mesmo se não vencer. “Eu abandonei meu emprego para estar aqui, sempre foi meu sonho ser modelo e na minha cidade quase não havia trabalhos nessa área, e quando tinha não pagavam quase nada. Espero que alguém me veja aqui”.

Apesar da grande expectativa criada pelas candidatas, para o diretor do Miss Mundo Brasil, Henrique Fontes, é importante ter cautela. “Não somos loucos de virar para elas e dizer que depois do concurso elas serão milionárias, mas a vida delas muda. Muitas viram modelos ou apresentadoras de TV, passam a ser conhecidas e a ter histórias de sucesso, embora não se tornem superfamosas”, pondera.

 

Exigências

Aos 24 anos, Isabel Correa, Miss Mundo Ilhas de Búzios, voltou ao mesmo concurso cinco anos após ter participado pela primeira vez. Habituada às competições de beleza desde 2007, quando foi Miss Baixada Fluminense, em 2009 Isabel ficou na sexta na posição do Miss Mundo Brasil. Agora, mais madura e confiante, decidiu retornar, mas não sem antes abrir mão de um relacionamento estável. “Estava noiva de um dinamarquês, pedi se não poderíamos esperar um pouquinho mais para casar e ele disse que não, então tive que escolher e optei pela minha carreira”, conta.

Ter entre 17 e 25 anos, não ser casada, não ter filhos e nunca ter posado nua são algumas das exigências que norteiam os principais concursos de miss. E mesmo que o Miss Mundo Brasil carregue a fama de valorizar as atitudes, o lado humano e o engajamento social das misses – tendo criado inclusive o lema “Beleza com propósito” –, ele não abre mão dessas regras.

“Quando você vai tentar um emprego em que vai precisar viajar muito, pode ter certeza que vão te perguntar se você é casada. E o mesmo acontece com o Miss Mundo. Muitas vezes os maridos não dão essa liberdade para as esposas, e elas vão viajar muito, além de cumprir uma agenda cheia de compromissos”, justifica Alexander.

“Não temos como saber tudo em relação às meninas. Temos os coordenadores em cada Estado que convivem com elas e ficam responsáveis por checar essas questões, a primeira delas é a idade. Desde que assumi a franquia do Miss Mundo Brasil, em 2006, nunca houve um caso de desclassificação por alguma irregularidade, mas na história dos concursos pelo mundo já foram vários casos. Já aconteceu de descobrirem que uma miss tinha filhos e ela ser desclassificada”, lembra Henrique Fontes. De acordo com ele, apesar dessas regras básicas, não há nenhum padrão estipulado quando o assunto é o corpo das misses. “O padrão de beleza muda muito com o passar dos anos, mas o padrão Miss Mundo é diferente porque valoriza a mulher pelo que ela é, tanto que nem divulgamos as medidas delas. E não incentivamos cirurgias plásticas. Não proibimos, mas não há qualquer tipo incentivo e relação a isso”, garante o diretor.

Sobre a restrição a uma miss já ter posado nua, Alexander afirma que é uma questão de valores. “Quando o nu é feito em forma de arte, tudo bem, mas quase sempre é feito de uma maneira vulgar, e as misses precisam mostrar seus valores, passar um bom exemplo”, conclui.

 

Daniel Queiroz/ND
Isabel Correa, Miss Ilhas de Búzios, teve de optar entre o casamento e o concurso

 

Disciplina

Auxiliada pelos monitores Willian e Matheus, a chaperona Dona Vanda funciona mais ou menos como uma mãe das concorrentes ao Miss Mundo Brasil. A função, muito comum em concursos de beleza, consiste em acompanhar e estar à disposição das candidatas durante toda a preparação delas para a grande final. Mas assim como uma verdadeira mãe, Dona Vanda nem sempre é boazinha. “Se elas se comportam eu dou beijo, se elas não se comportam eu dou bronca. De boazinha só tenho a cara”, brinca.

Vanda, que era advogada antes de assumir o cargo, ainda é nova na área e foi convidada assumi-la graças à amizade com boa parte da produção do evento. Além do Miss Mundo Brasil deste ano, ela só havia participado do Mister Brasil, no mês de maio, mas já pôde notar bem a diferença. “O Mister foi mais fácil porque mulher é mais delicada, ela são mais dengosinhas. Os meninos também levavam broncas, mas dificilmente atrasavam quando era marcado um horário”, lembra.

 

 Curiosidades

- O Miss Mundo Brasil existe desde 1958 e só elegeu uma única Mis World, Lúcia Petterle, no ano de 1971.

- Santa Catarina teve quatro Misses Mundo Brasil: Roberta Pereira (1986), Francine Eickemberg (2000), Taíza Thomsen (2002) e Regiane Andrade (2007).

- No Miss Brasil Universo, realizado desde 1954, Santa Catarina teve cinco eleitas, entre elas a atriz Vera Fisher, em 1969. 

 

Índice miss

Estados com mais títulos no Miss Mundo Brasil

1º lugar: Rio Grande do Sul - 8 títulos

2º lugar: Rio de Janeiro - 7 títulos

3º lugar: São Paulo e Paraná - 6 títulos

4º lugar: Minas Gerais - 4 títulos

5º lugar: Santa Catarina e Pernambuco - 4 títulos

 

Países com mais títulos no Miss World

1° lugar: Venezuela – 6 títulos

2° Lugar: Reino Unido e Índia– 5 títulos

3° lugar: Estados Unidos, Suíça, Jamaica e Islândia- 3 títulos

 

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