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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Padre Ney Brasil Pereira, estudioso da música e da Bíblia, comemora o jubileu de diamante

Natural de São Francisco do Sul e ornado padre em Roma, ele participou de diversos traduções da Bíblia para o Brasil

Karin Barros
Florianópolis
Daniel Queiroz/ND
Padre Ney é maestro do coral Santa Cecília, do centro da Capital


Foi em 1956, em Roma, que o padre Ney Brasil Pereira, 80, nascido em São Francisco do Sul, foi ordenado padre. Este ano ele comemorou em Florianópolis, onde é pároco de instituições penais, professor emérito do Itesc (Instituto Teológico de Santa Catarina) e maestro do coral Santa Cecília, o jubileu de diamante, que implica em 60 anos de sacerdócio. Na última quarta-feira, o padre regeu o espetáculo do coral dedicado a Carlos Gomes no palco do Teatro Ademir Rosa, no Centro Integrado de Cultura.

Desde os 11 ele já dedicava sua vida a Deus, sendo educado no Seminário Menor, em Brusque. No local, fez o primeiro e o segundo grau, e lá mesmo descobriu o dom da música. “Diziam que eu tinha uma voz muito bonita, uma pena que naquele tempo não tinha gravador. Eu era solista do coral de meninos do seminário”, lembra o padre, que aos 12 já fazia composições sacras. 

Ainda na instituição religiosa aprendeu a falar francês, inglês e italiano, e a ler textos em alemão, latim e grego, o que mais tarde o levou a ser um dos estudiosos da Bíblia mais reconhecidos da América Latina. “Nós terminávamos o curso sabendo perfeitamente o latim, pois usamos com frequência, aprendi também perfeitamente o grego, para ler o novo testamento”, relata. 

Mais tarde, foi para São Leopoldo estudar filosofia, e virou organista do coral local; em seguida, para o Seminário de Azambuja, novamente em Brusque, para lecionar e reger o coral de lá, função que realiza desde os 17 anos de idade. Em Roma, o padre Ney estudou teologia e regeu o coral brasileiro do seminário. “Lá, tive a oportunidade de assistir, em 1954, um encontro mundial de meninos cantores na basílica São Pedro, aquele momento eu não me esqueço jamais. Era um grande coro”, conta ele. 

De volta ao Brasil, em 1957, retornou também com os trabalhos em Azambuja onde deu aulas de línguas, história e música. De 1962 a 1963, o padre esteve nos Estados Unidos para estudar música. As aulas foram entre o Texas e Pittsburgh, e o ajudaram com o repertório clássico, ponto alto de sua jornada ao retornar ao Brasil. Nessa época, segundo ele, houve uma reforma na música litúrgica, e padre Ney fez diversas composições baseadas nos estudos americanos para o Brasil. Ele não sabe ao certo, mas suas composições atualmente passam de 500. A última foi escrita para a celebração em comemoração ao jubilado, que ocorreu na Catedral Metropolitana de Florianópolis, e chama-se “Magnificat”, baseada no evangelho de Lucas, em que alterna o uso da língua portuguesa e do latim nos refrões. Ela foi tocada ao som de trompetes e do órgão da igreja. 

Ele vai com frequência a Roma, principalmente depois de ser um dos cinco representantes da América Latina em dois períodos da Pontifícia Comissão Bíblica, de 2002 a 2013, nomeado pelos Papas João Paulo 2º e Bento 16. “Assim como médico têm especialidades, alguns padres também. Isso requer muito estudo do grego, hebraico e latim. Para fazer o mestrado em Bíblia [ou Exegese Bíblica] foram três anos e meio, isso que eu já sabia o grego, ai encurtou o prazo”, afirma. Nessa qualidade, o padre colaborou nas traduções da Bíblia de 1970 até hoje em marcas como Paulus, Jerusalém e CNBB. 

Em setembro 1973, foi convidado para o recomeço do coral Santa Cecília, que é sediado na Catedral. “Tenho o cuidado de não fazer o coral cantar só as minhas músicas. Cantamos missas de Mozart, Raiden, Santa Cecília de Handel, peças de Richard Wagner, e de Carlos Gomes”, acrescenta.

Proposta de novo hino para o Estado

Além de composições musicais, o padre também costuma se dedicar a compor hinos. Uma de suas insistências, desde 1992, tem sido pela mudança do hino do Estado de Santa Catarina, que, segundo ele, é um hino da república, e que não remete ao Estado. “Meu desejo é a criação de um hino do Estado, porque não o temos, o hino oficial é de 1895. Não é absolutamente do Estado, pois não diz nada dele. Hino, em qualquer dicionário, é uma composição poética que exalta determinado entidade, país, clube etc. Que o digam os clubes Avaí e Figueirense”, afirma ele, que tem uma composição pronta como ideia.

Para Ney, o novo hino precisaria falar do pioneirismo do Estado, em ser o primeiro criado da região Sul, das belezas naturais, do povo forte, sobre Anita e a Guerra do Contestado, e sobre a bandeira e seus significados. Outra “briga” do padre é pela elevação da cruz do Morro da Cruz, localizada no mirante, “que desapareceu no meio da floresta”. Segundo ele, o local era uma referência, e hoje se tornou um ponto esquecido pelo cristão

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