Publicidade
Domingo, 18 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 28º C
  • 21º C

Oskar Metsavaht, criador da Osklen, fala ao ND sobre moda, criação e estilo de vida

Oskar esteve em Florianópolis na última semana onde participou dos desfiles da OCTA Fashion

Carol Macário
Florianópolis

Alexandro Albornoz / ND
Metsavaht quer dizer "guardião da floresta", e Oskar faz questão de levar a missão a sério

Oskar Metsavaht é um homem cheiroso. E cool. Criador e diretor criativo da Osklen, uma das poucas marcas brasileiras no circuito internacional high fashion, o estilista de 50 anos esteve em Florianópolis na última semana para abrir os desfiles da OCTA Fashion (Observatório de Culturas e Tendências Antecipadas), evento de formatura dos estudantes de design de moda da Udesc (Universidade de Santa Catarina).

Metsavaht é gaúcho, tem traços europeus e adora a palavra cool. É daquele tipo que se joga da montanha antes mesmo de ter garantias, literalmente. Aventureiro, ingressou na moda casualmente, depois do sucesso das jaquetas impermeáveis que criou para escalar uma montanha. Médico com futuro promissor como ortopedista, preferiu largar tudo e apostar no simples e no ecologicamente correto num tempo em que salvar o mundo era filosofia de gueto. E deu certo. Seu sobrenome estoniano significa “guardião da floresta”, significado que faz questão de dizer e aplicar na prática.

Recentemente a Osklen foi eleita em todo mundo exemplo do chamado “Novo Luxo”, termo criado para denominar peças desenvolvidas em processos eco sustentáveis. E foi a única grife citada recentemente sobre o que seria o futuro da moda. “Acredito que exista espaço para criação brasileira no mercado internacional. Mas é preciso se dedicar. E dou a fórmula do segredo: dedicação, persistência e uma linguagem estética universal com a essência brazilian soul”, diz. Em entrevista ao Notícias do Dia, evidenciou seu estilo meio zen-surfista. Mas citando nomes dos amigos internacionais, entre Carolina Herrera e Valentino, não nega que é sim um jet setter internacional.

Notícias do Dia – O que é ser Cool?
Oskar Metsavaht – Cool para mim é inovação, diferente e com significado. Toda expressão artística tem que ter um por que – e todas as minhas peças têm. Não acho cool quem pensa apenas em sofisticação e luxo, mas quem assimila o simples. Sou muito clássico, e quando se tem domínio desses dois aspectos – simples e clássico - tem-se a estrutura básica para criar em cima. Dizem que sou minimalista, não sei. Você até pode não gostar do meu estilo, mas uma coisa  tem que concordar: é coerente, legítimo.

ND – Então todas as suas criações representam seu estilo de vida?
Metsavaht – Para trabalhar com moda não é preciso vender. Moda é uma forma de expressão e é isso que eu faço. Vender roupa é outra coisa. Os looks que eu crio são figurinos da minha história, são meus personagens.

ND – Você ainda mantém o mesmo ritmo de aventureiro, mesmo com os negócios no auge?
Metsavaht – Com certeza. Aliás, quase vim morar em Florianópolis. Nasci em Caxias, no Rio Grande do Sul, costumava vir para a Ilha para surfar. Hoje moro onde sempre quis, na beira do mar, na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro. Larguei a medicina em 1997 e consigo conciliar numa boa.

ND – Por que as roupas e acessórios da Osklen são tão caros?
Metsavaht – Não acho caro. Os brasileiros é que não aceitam que uma marca nacional tenha qualidade. Há duas semanas Carolina Herrera esteve aqui e comentou justamente que achava muito barato. A Osklen está no mesmo patamar das principais grifes do mundo nas principais cidades do planeta. Em Tóquio, Milão, Paris, a Osklen divide a mesma rua. Acho que é preconceito com uma marca brasileira. E acho que não é caro em primeiro lugar porque não copiamos. Tem muita gente que viaja por aí para fazer pesquisa de moda e volta com cópias. Meu desenvolvimento é inovador, desde a pesquisa até chegar ao mercado. O período de desenvolvimento de novos materiais é longo e o custo disso no Brasil é muito caro.

 


Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade