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Orquestra de Florianópolis com sete músicos busca fugir do tradicional

A Orquestra Manancial da Alvorada lança no final deste ano o primeiro álbum, "Via várzea"

Karin Barros
Florianópolis
14/10/2017 às 09H26

Foi em 2014, durante uma passagem de Julian Brzozowski por Belo Horizonte, que surgiu a vontade de fazer um grupo musical que fosse como uma orquestra, porém com aspectos de banda. Julian já havia integrado a Orquestra Eletroacústica da UFSC, na qual teve sua primeira experiência como compositor e regente de um grande grupo, e um quarteto musical.

Orquestra Manancial da Alvorada - Marco Santiago/ND
A Orquestra Manancial da Alvorada tem como maestro Julian Brzozowski (centro) - Marco Santiago/ND


Ao retornar a Florianópolis, ele iniciou o processo de “curadoria” de musicistas e profissionais que teve contato no passado e na procura de novas pessoas para esse grupo com proposta diferenciada. Assim surgiu a Orquestra Manancial da Alvorada, a OQMA, que no nome parece algo institucional ou até mesmo de interior, como o próprio criador e regente admite, mas tem como ideia principal a dinâmica emocional das músicas. “Tem a tensão nas composições, mas também as partes apoteóticas. Queremos sempre acabar o show ‘para cima’, como a imagem de um riacho com o sol nascendo. Manter um pouco esse triunfo da vida. O nome indica essa primazia do trabalho”, explica ele.

Formam a orquestra atualmente Julian (direção, voz, violão e saxofone tenor), Dandara Manoela (voz e percussão), Rafael Pfleger (produção e baixo), Fabio Cadore (percussão), Paulo Zanetti (saxofone tenor e clarone), Leonardo Schmidt (guitarra e percussão) e Gabriel Dutra (bateria e sintetizador). “Fui pinçando músicos que nunca tinham tocado juntos. Apresentei uma proposta com uma composição e logo fomos ao estúdio gravar”, lembra ele.  

No início do mês, o grupo sobressaiu ao fazer a trilha do projeto Cinema ao Vivo, do Museu da Imagem e do Som de Santa Catarina, que consiste em executar ao vivo músicas de um filme, em questão, “Tempos Modernos”, de Charles Chaplin.

Há quase um ano, a orquestra apresentou para o público no Teatro Álvaro de Carvalho o primeiro álbum, “Via várzea”, que teve inicialmente nove composições, todas autorais, e que atualmente está em produção e mixagem em estúdio com previsão de lançamento para o final do ano.

Nas composições, Julian explica que os músicos combinam a personalidade com o roteiro pré-descrito por eles nos arranjos. A questão política também perpassa todo o trabalho da orquestra, com pautas decisivas e objetivas, como movimento negro e feminista. “Ela [a orquestra] é politizada no sentido de ter consciência desses lugares, mas de um jeito que trabalha mais o estético das tensões”, diz. “Fica mais nas entrelinhas, é um sentimento. Tem o contraponto na questão da música ter que ser algo para as pessoas gostarem, mas tem muito forte uma parte da angústia que mostra tensões que levam ao ápice”, acrescenta o produtor Rafael.

Referência em Frank Zappa

Apesar de se denominar orquestra, o produtor Rafael Pfleger explica que é algo bem fora do tradicional. “É mais pelo arranjo, de uma abordagem diferente dos instrumentos. Em uma banda de rock, é todo mundo tocando junto, pensando a mesma coisa ao mesmo tempo, na orquestra desde a parte do arranjo vem a parte do contraponto, que são várias ‘vozes’ falando coisas diferentes ao mesmo tempo, mas que se juntam para formar uma ideia”, diz.  

Julian coloca que o que caracteriza o grupo como orquestra “é o lugar que o musicista se pensa dentro da composição”, colocando-a em primeiro lugar. “É um pensamento de som orquestrado”, acrescente o maestro.

Uma das características principais da Manancial é a mistura de influências, como o caso do musicistas Fábio Cadore, que, de acordo com maestro, estuda há mais de dez anos percussão africana. “O pensamento percussivo deles é muito diferente do nosso, os arranjos buscam sempre nos espaços vazios fazer pontuações interessantes. Essa cara que o Fábio traz para a banda é uma marca bem forte do pulso que a música acaba tendo”, coloca Julian.

Dos arranjos, Julian tem como inspiração e influência o compositor estadunidense Frank Zappa. “Ele mesclou duas vertentes musicais muito distintas, a britânica, de trilhas sonoras de filme ‘para cima’, com a música percussiva da Mongólia e de Bali, que é como se fosse o oposto. São composições que não tem notas definidas, como se fossem sons meio ruidosos e muito complexos. A ideia da banda que a gente tem hoje partiu de uma banda que Zappa teve”, explica.

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