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Octa Fashion chega a sétima edição nesta terça-feira, em Florianópolis

Alunos precisam estar atentos ao que será tendência com quase dois anos de antecedência

Karin Barros
Florianópolis
10/11/2017 às 11H50

No ramo da moda há inúmeras áreas ainda pouco exploradas, mas que são viáveis para o mercado de Florianópolis. Segundo a professora Balbinette Silveira, do curso de moda da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), o campo de atuação é amplo, há vagas para trabalhar com publicidade, agências de modelos, como designers freelancers e, também, como empresários com peças autorais, além da indústria têxtil, que já é tradicional no Estado.

Formandos Maria Eduarda (à esq.), Anayara e Matheus com suas criações - Daniel Queiroz/ND
Formandos Maria Eduarda (à esq.), Anayara e Matheus com suas criações - Daniel Queiroz/ND


Não necessariamente naturais de Santa Catarina, muitos jovens vêm seguindo seus sonhos e concluem o curso de design de moda da Udesc. O motivo da busca pela Capital é que a universidade tem a melhor graduação do país no setor.

O que tem empurrado o bom desempenho é o Octa Fashion, que chega à sétima edição, e é um evento organizado pelos alunos do curso de moda ao final de cada ano com desfiles de minicoleções que mostram a qualidade do trabalho desenvolvido por eles.

Na próxima terça-feira (14), uma passarela de 30 metros, com estrutura profissional de sistemas de áudio, vídeo e iluminação será montada no Norte da Ilha, no Centro de Eventos Luiz Henrique da Silveira, para o Octa Fashion 2017. Com transmissão ao vivo via redes sociais para o mundo inteiro, o evento marca a conclusão de curso em design de moda na Udesc com 42 alunos responsáveis pelas coleções e outros 50 no staff. Este ano, cerca de 2.000 pessoas, entre empresários da moda, imprensa especializada e público geral, devem prestigiar a data.

Pensar numa produção desse porte, com certeza, foi uma ideia ousada, principalmente para uma instituição de ensino. “Deixamos de ser um desfile de formatura, muito simples, com foco nas famílias dos alunos. Atingimos um porte com repercussão nacional, tendo como principal público empresários e imprensa especializada. Isso refletiu diretamente no formato do evento, que hoje tem catálogo, revista, vídeo-documentário, palestras e exposições voltadas aos profissionais da área”, comenta Balbinette, que também é idealizadora do projeto.

Há sete anos consecutivos, o curso de design de moda é apontado pelo Guia do Estudante como o melhor do país. Referência que é garantia de uma boa formação e base para enfrentar o concorrido mercado com diferenciais significativos. São muitos os alunos da Udesc que estão atuando em grandes empresas nacionais e até internacionais, como Carine Borba, que está na Malwee; Daniel Kumagai, na Dudalina; Juliane Bis, na Tecnoblu; Tatiana Lorenzoni, na Burberry, e, Kenia Cabral, na Chanel.

Anayara Rovaris, 24, Matheus Castro, 22, e Maria Eduarda Caminha, 21, são alguns dos alunos que apresentarão suas coleções nesta terça e estarão disponíveis no mercado da moda como profissionais. Para chegar ao resultado final para o Octa, o curso exige um ano e meio de preparação.

Alunos bem preparados

O curso tem como propósito orientar para todas as oportunidades do setor, seja nas empresas de pequeno ou grande porte, ou com iniciativas empreendedoras. A maior parte da construção do evento é feita  pelos alunos, desde a busca do fornecedor à contratação de funcionários, por exemplo.

Matheus, que já trabalha numa rede varejista, coloca a importância de estar no evento mesmo antes de ter uma de suas coleções na passarela. “A gente acaba criando uma rede de contatos para o futuro, e isso aumenta a nossa bagagem e mostra nosso profissionalismo para outras pessoas da área. O Octa também é uma forma de mostrar como a gente se posiciona trabalhando para outros profissionais”, afirma ele, que é natural do Rio Grande do Sul, mas escolheu Florianópolis para morar por causa do curso.

Maria Eduarda não teve muitas experiências profissionais durante a graduação, mas vê o trabalho no Octa como uma grande oportunidade de conhecer diversas áreas da moda. “Não estou perdendo como profissional por não trabalhar fora, pois o Octa nos proporciona muitas atividades”, explica.

Anayara trabalhou na coordenação geral do Octa nos últimos três anos e teve a oportunidade de observar os 13 grupos de trabalhos que se formam. “Consigo ver que o aluno de moda sai muito preparado para trabalhar com muitas coisas. Temos uma preparação que poucos cursos têm. A questão do trabalho em equipe que o evento gera é primordial, pois na moda não importa se você desenha ou administra muito bem se não tiver uma equipe unida”, pontua.

Na Udesc também se formou Lui Iarocheski, em 2014, que inscreveu a coleção que desenvolveu para o Octa Fashion em um evento internacional, voltado para recém-formados, na Áustria. Ele foi classificado, apresentou o trabalho naquela época e este ano foi novamente convidado a desfilar seu talento na passarela europeia. Iarocheski participa também da temporada de Vancouver, no Canadá, e só não está no line-up dos novos criadores da Semana de Moda de Nova York porque estava sem tempo hábil para desenvolver o trabalho.

Coleções atentas ao futuro

Chegar até o conceito final de uma coleção não é fácil, principalmente porque eles começam a pensar no produto final com bastante antecedência. É preciso estar atento e visualizar o que será moda nos próximos anos.

Coleções do Octa Fashion 2017 - Divulgação/ND
Coleções do Octa Fashion 2017 - Divulgação/ND


No caso da Anayara, a coleção foi desenvolvida com o propósito de unir elementos da cultura gamer e da estética kawaii, que, apesar de aparentemente não ter uma relação direta entre si, funcionam no trabalho como uma fuga da realidade na transição da adolescência para a fase adulta. A aluna de Florianópolis optou pelas colors candy, linhas, formas geométricas e por modelagens e tecidos diferentes, que teve que buscar pela internet, entre eles o plástico. O elemento causou frisson em Anayara, que viu o material eleito para a sua coleção como parte do último desfile da francesa Chanel. “Corremos o risco das pessoas acharem que foi plágio, mas estamos no processo muito antes dessas coleções famosas serem lançadas”, atenta ela.

Já Matheus quis abordar o preconceito e a homossexualidade em suas roupas. Ele fez uma imersão no filme da década de 1980, “Querelle”, de Rainer Fassbinder, e criou a coleção Disputo, onde une resquícios de um submundo de fetiche, tráfico de drogas e libertinagem à estética do uniforme naval. O formando escolheu formatos e cores dramáticas para dar tom às peças, como roxo, amarelo, branco e verde. “Essa coleção foi um processo da minha vida. A gente tem uns momentos de amor e ódio, mas hoje eu aceito, e acho que foi interessante, tem peças icônicas”, diz ele.

Maria Eduarda criou a Ground 88, inspirada pela série sul coreana “Reply 1988”. Ela buscou reinterpretar o sentido de ser ageless (ou seja, não importa a idade) como quem quer evoluir sem se perder no processo. Com uma pegada comercial, ela unificou a alfaiataria com sport style em malhas estruturadas e designs de superfície com aquarela. “Eu sempre quis fazer algo mais comercial, que dê para vestir mesmo, e por isso eu preciso ligar cada detalhe ao meu tema. No conceito as coisas ficam mais visíveis”, salienta.

Serviço

O quê: Octa Fashion 2017
Quando: 14/11, 18h
Onde: Centro de Eventos Gov. Luiz Henrique da Silveira, Canasvieiras, Florianópolis
Quanto: nome na lista com a direção do Octa (Ceart/Udesc) mediante a doação de um livro

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