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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Obras de Victor Meirelles que são patrimônio da humanidade pela Unesco estão em Florianópolis

Os 19 desenhos não eram expostos há mais de dez anos e compõem a mostra “Som e Fúria: a Guerra do Paraguai Descrita por Victor Meirelles”

Karin Barros
Florianópolis
Bruno Ropelato/ND
Mônica Xexéo é diretora do Museu Nacional de Belas Artes e curadora da exposição na Capital


A partir desta terça-feira, quem visitar o Museu Victor Meirelles, localizado na rua homônima ao museu, no Centro de Florianópolis, terá a oportunidade de conferir 19 desenhos registrados em 2013 como patrimônio da humanidade pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura). Os documentos e mais uma medalha de bronze, numerada, com tiragem limitada, cunhada pela Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro, comemorativa aos 150 anos do combate naval do Riachuelo, estarão na exposição “Som e Fúria: a Guerra do Paraguai Descrita por Victor Meirelles”.

“O momento registrado por Victor Meirelles em 1868 foi de extrema crueldade, mas muito importante pra história da arte e do Brasil. Estamos abordando a questão iconográfica do trabalho, e mostrando a importância de artistas como ele para o século 19”, explicou Mônica Xexéo, diretora do Museu Nacional de Belas artes e curadora da exposição na Capital.

Os 19 desenhos são um recorte de uma coleção de 53 peças que não são expostas há mais de dez anos e ficam guardadas no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro. “O projeto da exposição surgiu após dois anos de concorrência pelo Programa da Memória do Mundo da Unesco, e trás dois temas registrados por Victor a pedido da Marinha Brasileira: o Combate Naval de Riachuelo e a Passagem de Humaitá”, informou a curadora, que levará a mostra para Rio de Janeiro na sequência. Os combates foram fundamentais para a vitória da Tríplice Aliança, composta por Argentina, Brasil e Uruguai na campanha da Guerra do Paraguai.

Embora Victor Meirelles não tenha testemunhado as batalhas, foi possível presenciar as movimentações da esquadra durante os dois meses em que lá esteve. Em carta ao colega da Academia Imperial de Belas Artes, Bettencourt da Silva, Victor Meirelles descreve em 13 de agosto de 1868: “Estive algum tempo estacionado diante de Humaitá e dali, às furtadelas, de vez em quando fazendo mesuras às balas que passavam, eu desenhava o que me era possível ver pelo binóculo, mas felizmente, depois da ocupação dessa praça, tenho feito à vontade, em muitos croquis, tudo o que me era indispensável para o quadro da passagem dos encouraçados, faltando-me apenas pouca coisa”.

Os desenhos, que são parte do processo para as obras finais de Victor, foram produzidos no convento de Santo Antônio, em um ateliê improvisado pela Marinha, próximo a Academia de Belas Artes no Rio. Eles são pequenos croquis, de 20cm a 40cm, feitos a lápis, giz e carvão. Para cada composição, segundo Mônica Xexéo, Victor realizava de 20 a 150 desenhos, sendo considerado um artista extremamente dedicado, organizado, detalhista e estudioso do seu próprio trabalho, aprimoramento que aprendeu na Europa, quando foi como estudante pela Academia Imperial de Belas Artes, retornando ao Brasil com muitas glórias e reconhecimento.

A abertura da exposição contará com a presença do presidente do Instituto Brasileiro de Museus, Carlos Roberto Ferreira Brandão e de membros da diretoria do Instituto.

Doação de obra

Integrando a programação da mostra, às 17h30 acontece a cerimônia de doação da obra do artista León Cogniet (1794-1880), que foi um dos professores de Victor Meirelles na École Impériale et Spéciale des Beaux-Arts, em Paris, na França. A obra será doada pelo colecionador Dr. Marcelo Collaço Paulo e passará a compor a Coleção Victor Meirelles que já possui, além das obras do pintor catarinense, desenhos e pinturas de seus mestres e alunos.

Como parte da programação e em apoio a esta mostra, no dia 29 de setembro, às 14h no auditório do Museu Victor Meirelles acontece o seminário Nosso Passado de Absurdos Gloriosos: 150 Anos do Combate Naval do Riachuelo. Os convidados são os professores/pesquisadores Lúcia Klück Stumpf, da USP, Rita Matos Coitinho, do Museu Victor Meirelles e Sérgio Medeiros e Waldir José Rampinelli, estes representando a Universidade Federal de Santa Catarina.

O quê: exposição “Som e Fúria: a Guerra do Paraguai Descrita por Victor Meirelles”
Quando: 18/8, 17h, até 17/10
Onde: Museu Victor Meirelles, rua Victor Meirelles, 59, Centro, Florianópolis. Tel.: 3222-0692
Quanto: gratuito

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