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Novo livro sobre Meyer Filho busca mostrar outras facetas do artista catarinense

A obra será lançada com uma exposição de desenhos de Meyer no Memorial Meyer Filho

Karin Barros
Florianópolis
24/04/2017 às 10H38
Sandra Meyer e Kamilla Nunes, do Instituto Meyer Filho - Pedro Alpídio/Divulgação/ND
Sandra Meyer e Kamilla Nunes, do Instituto Meyer Filho - Pedro Alpídio/Divulgação/ND


Um Meyer Filho de várias facetas – algumas bem diferentes do que a maioria do público está acostumado – será apresentado no dia 5 de maio com o lançamento da exposição e do livro “ABACV, SJEAG, SIZEZ, SOCYO, SNEPA, MABUI E MACAC - Arquivos Implacáveis de Meyer Filho”, em Florianópolis. 

O trabalho é resultado do projeto Conservação e Restauro das Obras em Papel de Meyer Filho, realizado pelo Instituto Meyer Filho. O planejamento se iniciou em 2013, desde então, dois profissionais de restauro e conservação e quatro bolsistas de museologia da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) estiveram diariamente no instituto debruçados sobre os desenhos do artista natural da Itajaí e morto em Florianópolis em 1991.

Dos 2.560 trabalhos que passaram por etapas de conservação, 606 precisaram de intervenção direta de restauro, por estarem com resquícios do tempo, oxidados ou rasgados. Agora, todo o material, que é datado entre as décadas de 1940 a 1990, foi arquivado de maneira a ser conservado por mais tempo e organizado por períodos. “Investimos numa obra pouco visualizada, as pessoas às vezes só conhecem o Meyer Filho padrão”, contou Sandra Meyer, filha, crítica de dança e coordenadora editorial da obra. 

Kamilla Nunes, curadora do livro e da exposição, que trabalha a dez anos no instituto, afirma que esses desenhos não foram feitos em papel específico. “O Meyer não tinha essa preocupação de comprar um papel de alta qualidade. Ele desenhava atrás de capa de cigarro, de qualquer papel que estivesse na frente, o tempo todo. Por isso tem diversos papéis no arquivo em péssimas condições. Ele também desenhava com qualquer coisa, tinta acrílica, pastel, caneta esferográfica”, coloca. 

No levantamento apresentado no livro, que terá duas capas e textos de Kamilla, Sandra e da escritora e crítica de arte brasileira Veronica Stigger, elas apresentam desenhos de Meyer além dos famosos galos – mas sem esquecer deles. Há trabalhos eróticos, com marcianos, paisagens, charges e ilustrações do início da carreira de Meyer, publicadas em revistas e jornais, todos eles com as digitais de Meyer, que as usava como forma de carimbar ou documentar seu trabalho. 

Para Kamilla, o livro pode ser entendido como um caderno de desenho, mostrando um fragmento pequeno de mais de dois mil desenhos. “Ele não é o registro de um processo de restauro, do projeto, antes e depois, mas ele abarca os desenhos que foram restaurados. Tanto que ele tem o formato de um moleskine com bordas arredondadas e costurado a mão na borda”, diz ela, salientando ainda a participação de Pedro Franz como designer gráfico da obra.    

O nome da obra, que é quase impronunciável, são de códigos de correspondência que Meyer decifrou em sete anos dos 30 que foi funcionário do Banco do Brasil. “Isso aparece nas crônicas dele, e ele chama de palavras códigas. Elas dizem muito sobre a relação do Meyer cidadão e do Meyer artista”, explica Kamilla.

Livro Meyer Filho - Divulgação/ND
Capa do livro que traz alguns desenhos que passaram por restauração e conservação no instituto - Divulgação/ND



Um lugar confortável 

A exposição de parte das obras restauradas do Instituto Meyer Filho ficará por dois meses no Memorial Meyer Filho, na Praça 15, em Florianópolis, e será como mais um capítulo do livro. A exposição é uma oportunidade para a comunidade e colégios conhecerem o artista além de seus trabalhos de pinturas cheios de vida e cor. Na mostra, assim como no livro, os desenhos de Meyer, selecionados entre 1940 e final da década de 1970, retratam mais o descontentamento do artista com o circuito artístico local e nacional, a falta de visibilidade e incentivo e a dificuldade de apresentar seu trabalho em outros lugares. 

Os desenhos apresentados são alguns dos muitos guardados no que ele chamava de “arquivo implacável”, e que serviu de mote ao nome do livro. Meyer era compulsivo por desenhar, e os trabalhos arquivados eram selecionados por ele entre dezenas de outros que foram jogados fora. “Meyer pensava e agia de diferentes formas quando partia para o desenho, e depois desse tempo todo trabalhando aqui [no instituto], vejo que o desenho para o Meyer é o lugar onde ele mais consegue se soltar, inclusive de um ponto de vista melancólico, de um sentimento que não é colorido, feliz e exaltante como o galo”, finaliza Kamilla Nunes. 

Serviço

O quê: livro e exposição “ABACV, SJEAG, SIZEZ, SOCYO, SNEPA, MABUI E MACAC - Arquivos Implacáveis de Meyer Filho”
Quando: 5/5, 19h, até 30/6, das 13h às 19h, de segunda a sexta
Onde: Memorial Meyer Filho, praça 15, 180, Centro, Florianópolis
Quanto: entrada gratuita

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