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Terça-Feira, 13 de Novembro de 2018
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Nova geração de designers e estilistas promete renovação na moda produzida no Estado

Em número de cursos de moda, Santa Catarina se equipara a Estados como São Paulo

Carolina Moura
Florianópolis
Divulgação/ND
Moda em Santa Catarina nova geração
Desfile da coleção da MarcaPeriférica, uma espécie de ONG criada pelos alunos da Estácio de Sá

 

Nesta terça-feira (13), 33 jovens estilis­tas levarão pela primeira vez suas criações à passarela. São todos for­mandos do curso de moda da Udesc (Uni­versidade do Estado de Santa Catarina), que vão desfilar suas coleções não apenas à frente de amigos, familiares e professo­res, mas de jornalistas, empresários e dos profissionais convidados Carlos Miele, fundador da M. Officer, e Adriana Zucco e Jeziel Moraes, estilistas da catarinen­se Colcci.

O Octa Fashion (Observatório de Culturas e Tendências Antecipadas), como é chamado desde a edição passada, é uma janela para a criação de moda do Estado — algo que as universidades, pro­fissionais e empresas catarinenses estão interessados em consolidar.

Reconhecida pela forte indústria têxtil de base, Santa Catarina trabalha para cons­truir sua identidade criativa. “Eu vejo uma virada de jogo. Com a entrada do produto chinês no mercado, o que antes era facção terceirizada, que produzia para marcas de fora, teve que mudar o perfil”, diz Jorge Dolzan, coordenador do curso de moda da Estácio de Sá.

As empresas tiveram que começar a agregar valor às suas criações, como é o caso da Dudalina — uma facção de camisaria masculina que apostou em um diferencial para o mercado feminino e se consolidou como marca. Contudo, para Ricardo Gomes, jornalista e acadêmico da área de moda que coordena de São Paulo o concurso Brasil Fashion Designers, com edições em diferentes regiões do Brasil in­cluindo o Sul, a valorização do design ain­da é incipiente no Estado.

“A única chance de competição com os produtos chineses é o design, porque somos muito criativos e o design não tem mensuração de valor”, diz Gomes. “A gente não compra roupa, a gente compra desejos, devaneios.” Segundo ele, Santa Catarina está evoluindo, mas isso preci­sa acontecer mais rapidamente.

Com 22 cursos superiores de moda — um deles, da Udesc, o único do país a receber cinco estrelas no Guia do Estudante da Editora Abril — e um dos maiores pólos indus­triais do segmento no Brasil, há poten­cial. Algo que alguns projetos de institui­ções de ensino e de empresários buscam explorar em conjunto.

Caminhando para a contemporaneidade

Confrontados com os novos desafios do mercado, um grupo de empresários do Vale do Itajaí decidiu apostar na inovação como diferencial. Foi assim que surgiu em 2005 o projeto SCMC (Santa Catarina Moda Contemporânea), que busca aproximar a produção acadêmica das universidades com a realidade das empresas de moda do Estado. “A nossa principal missão é ser um agente modificador dentro dessas empresas e universidades, para antecipar e compartilhar tendências ligadas à cadeia da moda”, diz Alexandro de Azevedo, diretor executivo do projeto.

OSCMC seleciona estudantes das universidades parceiras para trabalhar em duplas dentro de cada uma das empresas associadas. O trabalho criativo deles culmina em um evento final, que até 2009 era um desfile e desde então passou a ser uma instalação conceitual de moda.

Neste ano o evento acontece em Florianópolis, nos dias 23 e 24 de novembro. Serão 14 tendas montadas no P12, uma para cada empresa, que apresentarão tendências alinhadas ao conceito de resort culture — inspirados no potencial turístico de Santa Catarina. “Queremos provocar as empresas a sair da zona de conforto e passar a agregar valor através do design e inovação”.

Conexão universidade e indústria

Em número de cursos de moda, Santa Catarina se equipara a Estados como São Paulo. Também sai à frente com os primeiros cursos de mestrado e doutorado na área, que estão em avaliação e devem ser implantados na Udesc a partir do ano que vem. “Isso é reflexo da própria necessidade de profissionalização do setor”, diz a professora Balbinette Silveira, do curso de bacharelado em moda da Udesc.

A procura por esses cursos é grande, mas os alunos ainda reclamam da falta de interação com o mercado de trabalho durante a formação, principalmente na região de Florianópolis. “Em Blumenau, tem alunos que já saem empregados através de estágios. É diferente aqui, a gente tem uma formação muito boa, mas não tem experiência, porque falta oportunidade”, diz Juliana Paiva, 21 anos, formanda da Udesc.

São as próprias universidades que tentam suprir essa deficiência. No caso da Udesc, segundo a chefe de departamento do curso, Icléia Silveira, são oferecidas aulas técnicas e práticas que apresentam situações do dia a dia das empresas, que são fundamentadas com um amplo repertório teórico — diferencial da graduação. Na Estácio de Sá, como explica o coordenador Jorge Dolzan, os empresários são levados para dentro da universidade, em parcerias nas disciplinas de projeto.

 

Rosane Lima/ND
Moda em Santa Catarina nova geração
Universidades buscam qualificar os profissionais para o mercado, porém ainda faltam oportunidades de estágio, especialmente na Capital

 

Qualidade de exportação

Formanda da Udesc neste semestre, Bruna Rosa, 21 anos, já apresentou sua coleção no desfile do ano passado. Os looks conceituais de loungewear (roupa de usar em casa), inspirados nos robes e camisolas dos anos 40, fizeram parte do portfólio que a estudante enviou para o concurso internacional Lycra Future Designers 2012 e que lhe rendeu um lugar entre os semifinalistas — a única da América Latina.

Bruna não foi selecionada para a final, mas já pensa em participar novamente no ano que vem e talvez começar sua própria linha de moda praia, aproveitando a conexão com a Lycra. Com um intercâmbio para estudar em Turim, na Itália, ela é confiante com relação à formação que recebeu em Florianópolis. “Lá eles têm o diferencial da história, mas em termos de estrutura não estamos perdendo em nada”.

Bruna não é a única catarinense que ganhou destaque no exterior. Oestudante da Fameg (Faculdade Metropolitana de Guaramirim) Diego Luiz Sauer, 25 anos, desfilou na semana passada uma coleção de quatro looks como convidado da ExpotextilPerú 2012, em Lima. “Foi bem bacana, me trataram super bem e vieram me dar os parabéns porque o que eu apresentei é bem diferente da cultura deles”, diz Diego.

O convite foi um dos prêmios que ele recebeu como vencedor do concurso Brasil Fashion Designers deste ano, no qual concorreram estudantes de todo Sul do país. Sua coleção usou formas dos anos 60, inspirado no tema do concurso, que era Elis Regina, misturadas com elementos do cyber punk.

Rosane Lima/ND
Moda em Santa Catarina nova geração
Alunos da Udesc apresentam suas criações no desfile desta terça-feira do Octa Fashion, que leva um ano para ser planejado

Octa Fashion é o primeiro portfólio do aluno

Após o desfile do Octa Fashion 2012 na terça-feira, a professora Balbinette Silveira, coordenadora do evento, logo se reúne com os próximos formandos para organizar o evento do ano que vem. Anovidade deste ano é um painel de LED que será instalado na passarela, na ACM (Associação Catarinense de Medicina).

“É incrível participar de um desfile deste tamanho. É uma oportunidade única, porque poucos vão conseguir apresentar uma coleção dessa forma de novo”, diz Bruna Rosa, 21 anos, que participou da edição do ano passado. “Esse desfile é o primeiro portfólio do aluno”, diz a professora Balbinette Silveira, que coordena o evento. “Como é voltado para a imprensa e empresários, quem não está empregado ainda acaba saindo com um emprego no próprio desfile.”

O evento já tem esse formato há cerca de dez anos, mas em 2011 ganhou o novo nome, Observatório de Culturas e Tendências Antecipadas, que mostra o caráter conceitual e inovador. Isso não significa, porém, que as roupas não tenham apelo comercial. “As pessoas achavam que o desfile da Udesc era fantasioso, com coisas que nunca entrariam no dia a dia”, diz Balbinette.

Mas desde que o curso mudou de estilismo para moda, em 2007, a ergonomia e usabilidade se tornaram fatores importantes. Isso é evidenciado na revista do desfile deste ano, que será lançada na terça-feira, na qual jornalistas foram convidados a fazer um editorial de moda urbana misturando as peças dos alunos.

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