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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Em Florianópolis Luis Fernando Veríssimo fala sobre sua rotina e o que faz para se divertir

Descontraído, escritor concede entrevista sobre a paixão pela música, em visita ao Estado durante turnê com sua banda, a Jazz 6

Patrícia Marcidelli Peron
Florianópolis

 Rosane Lima/ND
 
 Veríssimo durante visita ao Mercado Público da Capital

 

 

Luis Fernando Verissimo veio a Santa Catarina na última semana para cumprir uma agenda diferente. Não era Feira do Livro ou outro evento ligado à literatura, mas uma turnê com o grupo musical em que toca saxofone, o Jazz 6. A banda fez duas apresentações em Florianópolis. Durante a estada na Ilha, o escritor gaúcho percorreu pontos turísticos e topou um bate-papo com a reportagem do Notícias do Dia. Ele e a mulher, Lúcia, nos aguardavam no Mercado Público, no Centro da cidade. Tentava degustar bottarga, especiaria feita com ova de tainha. A fama de envergonhado se confirmou: Luis Fernando sabe expor seu lado irônico e de humorista muito melhor por meio da escrita do que da fala. Muito conciso, falou da rotina diária e o que gosta de fazer para se entreter. Em pouco mais de 25 minutos de conversa, foi abordado pelo menos quatro vezes por fãs-leitores, sedentos por registrar em foto a presença do escritor. Ao longo de seus 74 anos, o filho do também escritor Erico Verissimo é músico, jornalista, romancista, cronista, tradutor, roteirista, cartunista e um dos autores mais populares do Brasil.

Notícias do Dia – O que acha do Twitter e da moda das redes sociais? Você os utiliza?
Luis Fernando Verissimo – Olha, tem um monte de perfis com meu nome, mas não sou eu não. Eu pouco faço uso da internet. Prefiro ainda a boa velha máquina de escrever.

ND – E os e-books (livros eletrônicos)? Acredita que o livro feito de papel corre o risco de acabar?
Verissimo – É a evolução natural das coisas, o futuro segue por esse caminho. Mas não acredito que seja o fim dos livros. Eu, pelo menos, não aderi. E nem pretendo.

ND – O que prefere: escrever ou tocar saxofone?
Verissimo – Prefiro tocar. Com a literatura eu tenho uma obrigação. Tocar é muito mais divertido. Se pudesse escolher a profissão, seria músico.

ND – Como é o seu processo criativo, de onde surgem as ideias para escrever?
Verissimo – Tudo pode render texto. Um fato político, futebol. Na maioria das vezes sento em frente ao computador sem ter muito claro ainda sobre o que vou falar.

ND – Uma vez a escritora Raquel de Queiroz disse que os personagens que criava para seus romances decidiam o próprio destino – e não ela, a criadora. Isso também ocorre com você?
Verissimo – Às vezes o personagem toma novos rumos. Acontece de nem mesmo eu saber o que meu personagem está fazendo.

ND – O que gosta de fazer quando não está trabalhando?
Verissimo – Eu e a Lúcia gostamos   de jantar em lugares diferentes, ir ao cinema. E claro, viajar. Neste ano passamos praticamente mais tempo na estrada do que em casa. Fomos para a Patagônia, no Sul da Argentina, Paris, e outros destinos no Brasil. Gosto muito de ir a livrarias.

ND – Você se considera um típico gaúcho?
Verissimo – Sou é um desnaturado. Ao contrário dos gaúchos, não escuto rádio Guaíba e nem tomo chimarrão pela manhã.  Até hoje, só andei de cavalo uma vez.

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