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Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
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Na cadeia da indústria criativa de Santa Catarina, a moda é um dos destaques

A cadeia produtiva e criativa da moda, junto com a indústria de alimentos, é a que mais emprega no Estado, segundo a Fiesc

Carol Macário
Florianópolis
Divulgação / ND
A Damyller é um exemplo de indústria criativa: produz cerca de 200 mil peças por mês e emprega diretamente 2.000 pessoas

 

Como ser diferente num mercado facilmente copiado? Com o avanço da indústria chinesa, que pouco cria e tudo copia, como competir economicamente? A resposta está na criatividade e inovação. Santa Catarina, onde a vocação têxtil é reconhecida dentro e fora do país, o design de moda tem sido revolucionário e posicionado o Estado como um dos principais pólos do setor no Brasil. Além disso, a cadeia produtiva e criativa da moda, junto com a indústria de alimentos, é a que mais emprega no Estado, segundo a Fiesc (Federação das Indústrias de Santa Catarina).

Só a Damyller, por exemplo, uma das marcas mais consolidadas do país, emprega diretamente 2.000 pessoas. Indiretamente o número é incalculável. A empresa fundada há 34 anos no Sul do Estado tem 90% de sua produção feita em Santa Catarina. E à parte o jeans, cuja matéria-prima, o Denim, é comprada de outros estados, a maior parte da malha utilizada nas peças é catarinense. “Estamos constantemente buscando o novo. Por meio de pesquisas diárias e viagens para garimpo de tendências. A marca cresceu, e hoje somos referência em jeans no mercado brasileiro”, afirma Damylla Damiani, consultora de moda da marca. A Damyller conta hoje com uma equipe de sete criadores, todos formados em instituições de ensino do Estado.

É a moda saindo do caderno de fofoca e virando negócio. “E nessa linha, o conhecimento é a moeda de maior valia do mundo contemporâneo”, afirma Jackson Araújo, consultor de moda e diretor criativo do SCMC (Santa Catarina Moda Contemporânea). A Fruto do Pano, por exemplo, confecção de lingeries e pijamas de Florianópolis, ganhou espaço no mercado nacional porque cada peça é carregada de conceito e “carinho”, como diz a criadora da marca, Beatriz Campos, 34. “Não são necessariamente modelos sensuais de lingerie, mas são baseados no conforto, no carinho, no toque”, diz ela. Em vez de tecidos sintéticos usuais na fabricação dessas peças, a marca se utiliza da variedade de tecidos produzidos pelas indústrias têxteis do Estado, como a Renaux, de Brusque, e Menegotti, de Jaraguá do Sul.  

“A indústria da moda passa por um período onde os principais e verdadeiros diferenciais estão nos processos de inovação e no design”, afirma Paula Cardoso, gestora executiva do SCMC, projeto inovador que busca aproximar a produção acadêmica das universidades com a realidade das empresas de moda do Estado. O SCMC foi criado em 2005 por um grupo de empresários do ramo do Vale do Itajaí que entendeu que a produção têxtil catarinense precisava agregar mais valor aos seus produtos por meio do design.

“O SCMC atua justamente nesta seara, promovendo nas indústrias e instituições de ensino de Santa Catarina uma reflexão para entendimento dos processos que levarão o Estado a ser referência”, diz Paula. Para Jackson Araújo, diretor criativo do projeto, Santa Catarina foi o primeiro lugar do Brasil a fazer uso das ferramentas de economia criativas. “Em 2005, quando quase ninguém falava nisso, o SCMC já juntava a academia com a indústria”, diz.

Inspiração para outras áreas

Segundo Sérgio Luis Pires, presidente da Câmara do Desenvolvimento da Indústria Têxtil, do Vestuário e de Calçados da Fiesc, o SCMC é um movimento que já está inspirando outros setores do pólo industrial catarinense, como a moveleira, de cerâmica e outras. “São pólos que podem se espelhar no modelo e criar projetos parecidos. O design hoje é tudo. Por meio do investimento no design se consegue esperar um futuro.”

O diretor regional do Senai – SC (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Sergio Arruda, é da mesma opinião. “A forma de poder participar do mundo globalizado é por meio da inovação. E não só no produto final, mas em todo o processo de produção”, diz. Para 2014, o Senai-SC está investindo R$ 203 milhões em oito instituições de tecnologia e duas de inovação em todo o Estado, espalhados de acordo com a vocação regional de cada região, para incentivar a pesquisa e a inovação.

 

Reprodução / Editoria de Arte / Rogério Moreira Jr. / ND
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