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Na 71ª edição, festival de cinema não foi extraordinário, mas trouxe surpresas e clássicos

Evento em Paris aconteceu em meados de maio e abrigou 58 países

Gilberto Gerlach*Especial para o ND
Florianópolis
05/06/2018 às 11H42

Entre 8 e 19 maio a pequena cidade de Cannes triplicou sua população – foram 12 dias onde este simpático lugar à beira do Mediterrâneo se transformou, abrigando 58 países e distribuindo 41.542 credenciais.

O libanês “Capharnaum” era um dos favoritos a Palma de Ouro e ganhou o Prêmio do Júri no festival - Divulgação/ND
O libanês “Capharnaum” era um dos favoritos a Palma de Ouro e ganhou o Prêmio do Júri no festival - Divulgação/ND


Na competição oficial, este ano, foram 21 filmes da Espanha, Egito, Rússia (2), França (5, nenhuma premiação), Polônia, China, Irã, Itália (2), Japão (2), EUA (2), Coréia do Sul, Líbano e Turquia.

A abertura foi com o espanhol “Todos lo saben”, nulo; cerimonial agradável sob a presidência de Cate Blanchet, entregando o premio “Carrosse d,Or” a Martin Scorsese, que abriu o festival.

O júri foi formado por nove membros, onde cinco eram mulheres. Nenhum filme extraordinário, exceção para “O livro da imagem”, onde Godard prevê o apocalipse que se aproxima neste mundo louco de hoje. Este, recebeu o Prêmio Especial do Júri. A Palma de Ouro foi para o japonês Kore-eda, simpático, porém nada de especial.

O Grande Prêmio foi dado a Spike Lee por “BlacKkKlansman”, onde ele faz uma agradável e irônica infiltração de um judeu e um negro na Klu Klux Klan. O prêmio do Júri foi para o libanês “Capharnaum”, de Nadine Labaki, autora de três filmes onde um deles tem o nome “Rio, eu te amo” (2014). Como no filme japonês, o tema era das crianças abandonadas.

O prêmio de Direção coube ao polonês “Guerra fria”, de Pawel Paxlikowski (“Ida”): a Polônia stalinista e a Paris boêmia entre os anos 1950 e 1960. Bela fotografia em p&b. Prêmio de Roteiro, ex-aequo, foi para a italiana Alice Rohrwacher – “Feliz como Lazaro”, e o iraniano “Três Visagens”, de Jafar Panahi. Último destaque para o turco Nuri Bilge Ceylan, de “A pereira selvagem”, com duração de 3h08.

Nas sessões, o papa por Win Wenders

Lars von Trier, que havia sido banido do festival há poucos anos por declarações descabidas, voltou com a história de um serial-killer cuja demência é analisada através da arte renascentista. Conto filosófico sinistro e humorístico onde aparece em pessoa a figura da consciência desse assassino, o personagem Verge (magistral Bruno Ganz), que resolve interferir nesta grotesca ação do matador (excelente Matt Dillon), conduzindo-o às profundezas da terra onde está um inferno dantesco.

Wim Wenders apresentou uma biografia do Papa Francisco, sempre convincente nas suas declarações de combate à pobreza, desigualdades sociais, poluição etc. Faz um paralelo do papa a São Francisco de Assis, criando cenas em p&b antigo ao estilo Dreyer, de São Francisco peregrinando pelo mundo, como nossa Santa Joana de Gusmão.

Uma obra portuguesa perfeita

Na Sala Buñuel foram mostrados os clássicos restaurados. E o primeiro filme foi “A ilha dos amores” do português Paulo Rocha, 1982. Após ter sido exibido neste festival há 36 anos, voltou agora com as presenças do presidente da Cinemateca Portuguesa e do ator Luis Miguel Cintra. Com duração de 2h35, jamais havia assistido uma obra tão perfeita em meus 65 anos de cinema. Vida e morte de Wenceslau de Moraes (Lisboa, 1854 – Tokushima, 1929). O título do filme vem do capítulo mais célebre do poema épico “Os Lusíadas”, de Luiz Vaz de Camões, século 16.

Pelo centenário de nascimento de Ingmar Bergman foi apresentada cópia restaurada de “O sétimo selo” (1957) e dois documentários sobre este mestre, um da diretora alemã Margarethe von Trotta. Entre alguns clássicos restaurados, “Enamorada” (Emilio Fernandez), “Viagem a Toquio” (Ozu), “Ladrão de bicicleta” (De Sica), “Se meu apartamento falasse” (Wilder), “A religiosa” (Rivette), documentários sobre Orson Welles e a pioneira Alice Guy.

Cacá Diegues e brasileiros premiados

Em sessão especial, homenagem a Cacá Diegues pela sua trajetória neste festival desde os anos 1980, apresentando seu último filme rodado em Portugal – "O grande circo mágico", inspirado em poema de Jorge de Lima.

Na seção "Um Certo Olhar”, prêmio especial do Júri para "Chuva é cantoria na aldeia dos mortos", da brasileira (paulista) Renée Nader Messora e do português João Salaviza. No norte do Brasil, região da Pedra Branca, um jovem indígena perde seu pai e vai atrás dele. Palavra de ordem no encerramento dada pela equipe do filme: demarcação.

Na Quinzena dos Realizadores, "Os silêncios", de Beatriz Seigner, e "Diamantino", de Daniel Schmidt e Gabriel Arantes, prêmio de Melhor Filme na Semana da Critica.

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