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Terça-Feira, 18 de Setembro de 2018
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Músicos de Florianópolis buscam raízes próprias para dar sua cara ao gênero folk

Artistas preferem criar uma personalidade própria em vez de simplesmente seguir o que já é consolidado por grandes artistas como Bob Dylan

Carolina Moura
Florianópolis

Como acontece com a maioria dos rótulos, criados para abarcar mais do que uma só palavra dá conta, o folk é difícil de conceituar. Pode vir à mente uma canção melódica, o som do violão e da gaita de boca, ou as raízes folclóricas por traz dele. E embora não necessariamente saibam definir o gênero, ou até satisfeitos com as possibilidades de diferentes definições, alguns músicos de Florianópolis arriscam criar seu próprio folk e percebem que existe um espaço, mesmo ainda restrito, para eles na cidade.

A Les Savons Superfins, de Henrique Silvério, Thiago Fukahori, Fernanda França, Martin Gonçalves, Isaac Silva e Lindsay Korth, é um exemplo. “Tem várias bandas brasileiras que são uma caricatura do folk americano — com os mesmos arranjos e um inglês com sotaque caipira. Nós cantamos em português e não usamos as harmonias tradicionais, elas são bem próprias nossas. O folk está mais no clima da música”, diz Henrique. “É uma banda que se propõe a fazer arranjos suaves, bonitos, com músicas que falam de relacionamentos e da vida cotidiana”, continua. O folk nesse contexto é uma influência, que transparece na sonoridade.

Já o músico Gustavo Cabeza, que como a Les Savons participou do show do Festival Hotspot em Porto Alegre no mês passado, se identifica com o folk no caráter de raiz. Diferente da banda, ele não tem restrições ao se declarar um músico folk. A própria abrangência do gênero o fascina, e tendo crescido no Rio Grande do Sul em meio a uma família de músicos tradicionalistas ele tem o que chama de “seu folk”. “Cada um nasce num canto do mundo ou do país e tem uma cultura que fala daquele local. Todos temos uma música de raiz”, diz ele. Afinal folk vem de folclore, e folclore existe em todo lugar com suas características próprias.

Até por sua multiplicidade de origem, o folk contemporâneo pode seguir muitos caminhos diferentes. “A evolução está na informação e na personalidade do que o artista for transmitir como opinião própria”, diz Gustavo. “Não adianta nada tocar igual ao Bob Dylan, mas sim respeitar a proposta e buscar a diferença nas nuances.”

 

Débora Kemplous/ND
A Les Savon Superfin criou seu folk próprio, com letras em português em harmonias tradicionais

 

Revival local

Além de fazer parte da Les Savons Superfins, o casal Lindsay Korth e Isaac Silva tem um trabalho mais antigo como duo, o Lindsay & Isaac. Com uma proposta acústica e suave, eles perceberam que o folk teve uma retomada nos últimos anos. “A gente tinha parado de tocar e voltou porque havia essa efervescência”, conta Lindsay. “Mesmo não sendo folk, a gente percebeu que nosso som se encaixava”, diz Isaac.

“Eu percebo o crescimento disso com outros olhos”, diz Gustavo Cabeza. “Não acho que aqui em Floripa tenhamos várias bandas ou lugares tocando o gênero. Existe sim o início de alguma coisa, porém nada ambicioso — o que acho bom”, diz ele, que acredita que é preciso estudar e reconhecer o folclore local para que o folk não se torne uma cópia de um gênero internacional.

Junto com os amigos Adilson Boing Jr. e Luiz Henrique Cudo, Gustavo é um dos responsáveis pela festa Young Folks, que acontece toda segunda quinta-feira do mês no Blues Velvet. Além de um espaço para tocar folk de todas partes do mundo, a festa também é um espaço para os músicos da cidade fazerem apresentações ao vivo eventualmente. Na próxima edição, de junho, a festa terá uma “São João edition”. “É preciso ter esse olhar de amplitude, local e universal, principalmente com o folk, que engloba de tudo um pouco”.

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