Publicidade
Terça-Feira, 22 de Janeiro de 2019
Descrição do tempo
  • 31º C
  • 23º C

Elian Woidello defende pensamento estético sobre a música do Sul do Brasil

Para ele, o subtropicalismo é uma estética que une a música do Sul à feita nos demais países do Mercosul

Juliete Lunkes
Florianópolis
Flávio Tin/ND
Elian começou a desenvolver o pensamento após uma viagem para shows no Planalto Central

 

Há pouco mais de dois anos, quando o músico Elian Woidello viajou para uma série de shows na região do Planalto Central, notou que a percepção dos nativos do local sobre sua música e sobre o lugar de onde vinha era um tanto descontextualizada. Ao ser questionado por uma repórter sobre ser um músico do Sul do país e não estar vestindo bombachas, começou a pensar sobre a estética urbana que norteia a música e a arte produzida na região Sul do Brasil. Assim, como uma espécie de contraponto ao tropicalismo, o último grande movimento musical brasileiro, ele começou a pesquisar e unir as arestas da cultura local para formar um pensamento estético que une a música do Sul do Brasil à feita nos demais países do Mercosul. Assim nasceu o Subtropicalismo.

 “Eu comecei a perceber que não havia um pensamento estético, que não havia uma identidade urbana sulista definida . O Subtropicalismo não tem a ver com folclore ou etnia, não significa atribuir tudo a um gênero”, explica.

Desde que começou a refletir sobre as influências musicais – e climáticas – que norteiam a produção do Sul, Elian já escreveu dois livros tratando do tema e já planeja o próximo, assim como a gravação de um disco dentro da estética. “Não tenho medo do que vão pensar sobre a definição dessa estética urbana. Eu acho legítimo querer compreender o que eu estou fazendo, de onde vem o que eu crio. A maioria dos compositores do Sul que eu conheço é influenciada pela milonga sem saber”, destaca. Segundo Elian, apesar dos múltiplos sotaques dentro da mesma região a forma de dicção,o modo de pronunciar as palavras, é a mesma, e essa é mais uma das características consideradas pelo Subtropicalismo. 

 

Contribuição com a brasilidade

Assim como o Tropicalismo, o conceito associado ao clima que norteia a estética compreendida por Elian tem também outra representação no Rio Grande do Sul, com a “Estética do Frio” do músico Vitor Ramil. Mas segundo ele, a estética criada por Ramil isola o Rio Grande do Sul e não faz um contraponto com o Tropicalismo. Da mesma forma ele nega a intenção de desenvolver uma espécie de “gauchização” da música do Sul. “Eu sempre viajei muito e percebi que o Sul contribui muito pouco com a brasilidade da música. As pessoas falam em Carnaval fora da época no nordeste como algo comum, mas tratam a neve no Sul como algo distante, como uma característica referente à Europa. Não gosto dessa ideia o restante do país tem de o Sul ser europeu”, reitera. Ainda assim, ele acha que o pensamento deve se popularizar primeiro por aqui, para depois atingir os demais Estados.

Segundo Elian, além dele, outros músicos Bruno Manfra, Calinho Luminoso, Piero e Meliza, Manuela Tecchio, Ximena Bedó e Orquestra Viola e Cantoria já compactuam com esse pensamento.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade