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Mostra gratuita de arte popular inaugura galeria no Mercado Público de Florianópolis

Exposição O Canto da Terra, com curadoria de Lena Peixer e Janga, marca a estreia do novo espaço nesta terça-feira

Gustavo Bruning
Florianópolis
22/08/2017 às 17H08

O Mercado Público de Florianópolis, a partir desta terça-feira (22), não será apenas referência para a gastronomia tradicional e para trabalhos manuais da região. Um novo espaço, localizado no primeiro andar do prédio, passará a receberá trabalhos de artistas locais e irá se tornar uma galeria de arte. Para a estreia, às 19h desta terça, foi escolhida a exposição O Canto da Terra, que tem como curadores os artistas plásticos Lena Peixer e João Otávio Neves Filho, o Janga. Com entrada gratuita, o local pode ser visitado das 13h às 19h, a partir de quarta-feira (23).

Lena Peixer e Janga são os curadores da exposição O Canto da Terra - Flávio Tin/ND
Lena Peixer e Janga são os curadores da exposição O Canto da Terra - Flávio Tin/ND


“Escolhemos artistas que trabalham com o espírito festeiro e extrovertido da região, mas também com religiosidade, por exemplo. São características naturais do artista popular”, explica Lena. A exposição tem predomínio de obras do cotidiano, que retratam a cultura popular do litoral catarinense em suas obras. “São trabalhos com toda uma riqueza nos detalhes, que refletem hábitos, crendices e tradições que formaram a nossa etnia”, afirma.

O regionalismo também é evidente no título, que usa a dualidade para brincar com “o canto em que a gente vive” e “o som da cantoria local”, garante a artista plástica. “É a argila, o movimento, o esculpir na madeira. Esse canto é o nosso canto, eles [os artistas] produzem e são os fazedores da nossa arte, e são quem dá esse tempero mané às obras”, conta.

Entre o time de artistas que têm obras expostas no espaço estão Neri Andrade, Tercília dos Santos, Saulo Falcão, Nei Batista de Souza, Valdir Agostinho, Manoel Pereira, Osmarina Villalva, João Olíbio, Maria das Rendas e Adelina Medeiros. “Foi uma seleção rápida, porque eu e o Janga escolhemos artistas que dialogavam entre si”, explica Lena. “Enquanto a Tercília [dos Santos] traz esse carinho pelos animais, com o gado no pasto, a Maria das Rendas mostra seus trabalhos emoldurados", declara.

Durante um mês, O Canto da Terra traz obras de artistas locais em diferentes técnicas, como a modelagem em argila, esculturas esculpidas em madeira e papel machê, além de pinturas multicoloridas que representam a maneira peculiar e divertida de ver o mundo do nativo. O colorido das obras, somado à temática local, reforçam o entusiasmo dos artistas em espelhar na arte a integração com o meio ambiente. “Há um sentido ecológico muito grande [nos trabalhos]. São obras com cores que retratam essa força telúrica. Todos [os artistas] “cantam” a terra natal de alguma forma”, afirma Janga. A mostra apresenta ainda obras dos artistas Ademar Melo, Antônio Machado, Etelvina Rosa e Maria Celeste Neves – todos in memorian

A exposição de estreia da nova galeria da Capital possui modelagem em argila, esculturas esculpidas em madeira e papel machê, além de pinturas multicoloridas - Flávio Tin/ND
A exposição de estreia da nova galeria da Capital possui modelagem em argila, esculturas esculpidas em madeira e papel machê, além de pinturas multicoloridas - Flávio Tin/ND


“Foi uma ideia inteligente fazer esse espaço”, afirma Lena, que acompanhará a escolha dos artistas nas exposições feitas na nova galeria - a gestão será feita pela secretaria de Cultura e pela Fundação Franklin Cascaes. Para a artista, a nova galeria é uma boa forma de popularizar as artes visuais, inserindo os trabalhos “bem perto do público, no miolo da cidade”. “A gente viaja para os outros municípios e sempre vai ao mercado público, porque ali é onde está registrada a cultura daquela cidade, tanto gastronômica quanto artística”. Na expectativa de um público imenso e bastante visibilidade, Janga torce para a continuidade do projeto. “É a mostra de arte popular mais importante feita em Florianópolis na última década. Espero que esse espaço ainda receba muitas outras exposições”, completa. 

O secretário de Cultura de Florianópolis, Márcio Luiz Alves, esclarece que a nova galeria funcionará simultaneamente à Galeria Municipal de Arte Pedro Paulo Vecchietti. “Vamos manter as duas. Temos uma carência de espaços de cultura em Florianópolis, e não seria adequado fechar uma para abrir outra”, assegura. A proposta é criar um espaço que faça parte do cotidiano das pessoas. “Ainda não demos um nome à galeria pois não queremos algo provisório ou improvisado”, diz. A primeira exposição deve durar 30 dias e, ao fim, uma nova mostra deve ocupar o local. “A próxima será feita através de um edital, que é algo simples e não envolve recursos financeiros, pois não temos recursos para pagar”, explica.

Serviço

O quê: Abertura da exposição O Canto da Terra
Quando: 22/8, 19h
Onde: Sala de Atos, 1º andar do Mercado Público, rua Jeronimo Coelho, nº 60, Florianópolis
Quanto: gratuito

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