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Mesmo com apresentação curta, Anitta conquista público em show na Grande Florianópolis

Cantora carioca começou no funk, com "Show das Poderosas", e hoje vem despontando em carreira internacional

Gustavo Bruning
Florianópolis
12/03/2018 às 09H21
Anitta subiu ao palco do Centro de Eventos Petry à 1h50 - Gustavo Bruning/ND
Anitta é Larissa de Macedo Machado, carioca de 24 anos - Gustavo Bruning/ND


Foi em 2013 que ouvi falar da Anitta pela primeira vez. O “Show das Poderosas” havia se tornado o hit do ano e não havia quem não associasse a palavra “prepara”, pronunciada com as sílabas bem separadas, ao hit da cantora carioca. Ela havia descartado o “MC” de seu nome há pouco tempo e logo veio o single “Zen”, que entrou para a minha playlist de favoritas. Foi então que a divulgação intensa de sua carreira em programas de TV e shows pelo Brasil a trouxe mais uma vez a Florianópolis. Naquele ano, ouvi de um colega que havia a entrevistado sobre algumas exigências feitas pela artista. Fiquei surpreso com o fato de uma cantora em começo de carreia ter tais demandas, mas isso ainda não era suficiente para taxa-la com o rótulo negativo de “diva”. Quase cinco anos depois, consigo ver que a grande estrela já estava dentro de Larissa de Macedo Machado, seu nome verdadeiro. A jovem, hoje com 24 anos, só não havia colhido os merecidos frutos da carreira ainda.

A ascensão de cantora de funk para representante do pop nacional fora do país foi um dos maiores triunfos dos últimos anos de Anitta. Com uma carreira internacional ganhando força, ela acumula parcerias como "Sim ou Não", com o colombiano Maluma, e "Is That For Me", com o DJ Alesso. Também gravou a não tão memorável "Switch" com a rapper australiana Iggy Azalea, que garantiu à brasileira sua primeira apresentação em um programa de TV dos Estados Unidos, em maio do ano passado.

A cantora abriu o show com a música
Show em Biguaçu focou quase que exclusivamente na fase pop da carreira de Anitta  - Gustavo Bruning/ND

Ícone da moda e uma figura pública

Após receber indicações ao Grammy Latino e iHeart Music Awards e levar para casa troféus do MTV Europe Music Awards e DMX Awards, ela se tornou mais do que uma performer: Anitta é uma marca, um ícone da moda e uma figura pública com 27 milhões de seguidores no Instagram. Não foi isso, no entanto, que me levou ao Centro de Eventos Petry, em Biguaçu, na noite desta sexta-feira (9), para ver o seu show pela primeira vez. Foi o desejo de ver como a artista transpõe para o palco a energia e diversão que entrega em suas melhores músicas, como “Bang” e “Paradinha”.

Nas primeiras filas, fãs tentaram contato visual com a artista - Gustavo Bruning/ND
Nas primeiras filas, fãs tentaram contato visual com a artista - Gustavo Bruning/ND

Camarim, setlist e muita dança

Por volta das 00h30 de sábado (10), dezenas de pessoas se reuniram próximo ao camarim da cantora para tentar vê-la de relance antes do show. Segundo a produção, os pedidos de Anitta foram modestos: o camarim deveria ter pipoca, castanhas, sucos e frutas – maçãs e bananas, principalmente. Após posar para fotos com poucos fãs selecionados, a carioca subiu ao palco à 1h50.

A setlist do show foi, sem dúvida, o maior acerto. A seleção das músicas engloba quase que exclusivamente a fase pop de sua carreira, mas não deixa de fora parcerias que a consagraram. Para os fãs que sentiram falta da vertente funkeira de Anitta, a abertura do show, que ficou a cargo do DJ Anão, poder ter sido uma boa pedida.

Ao lado de quatro dançarinas, a estrela abriu o show com “Bang”. Logo foi a vez de “Sim ou Não” e de um medley de “Ritmo Perfeito”, “Ginza” e de seu sucesso mais recente, “Machika”. “Cobertor”, dueto com Projota, ganhou uma versão solo ao vivo, seguida da música mais sentimental da artista: a balada “Will I See You”. Depois de “Deixa Ele Sofrer”, o show seguiu com performances da dançante “Is That For Me” e de “Downtown”, que teve como destaque a dança sensual de Anitta e uma de suas dançarinas.

Anitta subiu ao palco à 1h50 - Gustavo Bruning/ND
Anitta subiu ao palco à 1h50 - Gustavo Bruning/ND

Saldo positivo 

O playback em músicas como “Paradinha” não afetaram o saldo positivo do show. Mesmo que artistas de grande porte, como Beyoncé e Lady Gaga, se arrisquem cantando com precisão em meio a coreografias frenéticas, não é isso que o público procura em um show da carioca. Vê-la se entregando à dança e ostentando sua própria personalidade em cada movimento são conquistas mais válidas que o apego aos vocais.

"Loka", parceria de Anitta com Simone & Simara, também agitou a plateia e foi seguida pelo sucesso "Você Partiu Meu Coração", gravado com Nego do Borel e Wesley Safadão. A faixa seguinte foi “Essa Mina É Louca”, dueto com Jhama. Depois de um interlúdio protagonizado pelos dançarinos, a artista retornou ao palco para o bloco final. Após “Sua Cara”, “Movimento da Sanfoninha” e “Vai Malandra”, encerrou a festa ao som do “Show das Poderosas” e com uma rápida despedida.

O público acompanhou a cantora no palco por 53 minutos - Gustavo Bruning/ND
O público acompanhou a cantora no palco por 53 minutos - Gustavo Bruning/ND


A primeira conclusão foi de que o show foi curto demais – a cantora ficou no palco por apenas 53 minutos. A falta de trocas de figurino e de segmentos temáticos, características comuns de turnês de estrelas pop, acabam tirando da apresentação o caráter de grande espetáculo. Ainda assim, o show de Anitta cumpre bem a sua principal proposta: ter a artista reproduzindo no palco – e indo além, em muitos momentos – suas coreografias mais marcantes. Tanto nos camarotes quanto nas laterais da pista, não foi difícil enxergar grupos reproduzindo os passos. Além disso, a apresentação veio com um bônus: o momento delicado e romântico em que ela entregou “Will I See You” para uma audiência vidrada, o que comprova que a artista sabe equilibrar uma performance tocante e um show representado pela dança.

O público

Incluindo participações no Carnaval da Capital, Anitta já se apresentou em seis ocasiões na Grande Florianópolis – a primeira delas foi em 2012. O show mais recente foi realizado há pouco mais de dois meses, no P12, em Jurerê Internacional. Desta vez, prém, ela retornou de curtas férias no Havaí trazendo uma produção mais contida. Enquanto o show de janeiro foi lotado por um público eclético, com gays, casais heteros, millennials, turistas e moradores, como contou a colunista Laura Coutinho, esta apresentação não chegou a encher o Centro de Eventos Petry.

Anitta manteve o mesmo figurino ao longo do show - Gustavo Bruning/ND
Anitta manteve o mesmo figurino ao longo do show - Gustavo Bruning/ND


A presença dos fãs mais intensos foi evidente: eles cantavam a letra, buscavam desesperadamente um contato visual e tentavam entregar presentes e exibir cartazes. A surpresa foi encontrar uma grande quantidade de crianças e famílias na apresentação. Ainda assim, o sucesso da artista entre o público mirim é compreensível se considerarmos o seu poder na internet, onde esse novo público está mais do que habituado. Enquanto as gerações passadas dançavam ao som de Xuxa e Eliana, muitas crianças de hoje ficam deslumbradas com o brilho de Anitta ao vê-la em seus videoclipes e campanhas publicitárias.

O show de Anitta foi o primeiro de Lara Raitz Dinon, de 7 anos - Gustavo Bruning/ND
O show de Anitta foi o primeiro de Lara Raitz Dinon, de 7 anos - Gustavo Bruning/ND

Os fãs

Entre os fãs que aguardaram na porta do camarim estava Lara Raitz Dinon, de 7 anos, acompanhada da mãe, Maristela Raitz Dinon. A pequena é fã do gênero funk e foi conferir o primeiro show de sua vida ao lado de algumas amigas. “Eu gosto da Anitta porque ela tem músicas legais”, disse a garota, que também tem o MC Kevinho como um de seus ídolos. “Ela escuta funk desde os 5 anos e adora dançar”, garantiu a mãe. O horário do show, no entanto, não ajudou: por volta das 2h30, enquanto o palco fervia, Lara dormia tranquilamente em um dos sofás do camarote.

Esta foi a sexta apresentação de Anitta na Grande Florianópolis - Gustavo Bruning/ND
Esta foi a sexta apresentação de Anitta na Grande Florianópolis - Gustavo Bruning/ND


“A Anitta tem uma performance pronta e sabe bem o que faz, porém não tem nenhum tipo de contato com o público. Ela vem, faz o show e vai embora”, afirmou Willian Martins, de 22 anos, que considerou a música “Vai Malandra” como o ápice da noite. Para o publicitário, que também viu a artista ao vivo em janeiro, a Anitta das redes sociais e a Anitta que se vê nos palcos têm personalidades diferentes. “[No P12] também houve pouca interação com a plateia, mas foi mais do que desta vez. Como ela voltou de um período de férias, acho que não estava no ritmo. Mas ela sabe o que faz”, defendeu.

“Sou fã da Anitta desde que estava no útero da minha mãe”, brincou a fã Letícia Cristina Kraus, de 20 anos. Sem poupar elogios ao show, a estudante de administração contou que a música “Show das Poderosas” marcou o período de sua vida que conheceu o feminismo e se tornou feminista. “As letras das músicas dela são sobre a libertação da mulher e como a mulher é poderosa e pode fazer o que quiser”, destacou.

Willian Martins e Letícia Cristina Kraus curtiram o show da pista - Gustavo Bruning/ND
Willian Martins e Letícia Cristina Kraus curtiram o show da pista - Gustavo Bruning/ND


Para ver o show de um bom lugar, as amigas Mariana Manica, 13, e Giovanna Soldati, 14, chegaram ao Petry às 21h40. “Foi maravilhoso. Ela mandou bem pra caramba em ‘Vai Malandra’, que foi a melhor parte e é a música que mais está em alta”, disse Mariana. Mesmo contra a grade da pista, a dupla fez o possível para dançar também. Para Andrea Manica, 45, mãe de Mariana, Anitta conseguiu mostrar um lado diferente do que exibe nos videoclipes. “Nos vídeos ela é mais provocativa e no palco ela foi muito elegante. Foi um show de alto nível”, afirmou a advogada.

Anitta encerrou a apresentação com
Anitta encerrou a apresentação com "Show das Poderosas" - Gustavo Bruning/ND

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