Publicidade
Sábado, 21 de Outubro de 2017
Descrição do tempo
  • 23º C
  • 19º C

Baseadas nos alimentos orgânicos, quitandas se renovam em oferta e charme na apresentação

Quitanda do Paladar, Mercado Sehat e São Jorge atuam fortemente na área e reforçam a ação dos pequenos produtores

Karin Barros
Florianópolis
06/01/2017 às 12H52
Quitanda do paladar - Flavio Tin/ND

Anibal Nunes Pires, da Quitanda do Paladar, feirinha charmosa no Mercado Público - Flavio Tin/ND

As quitandas não passaram ao largo de toda a renovação que ocorreu no setor de alimentos  no país. Mais bonitas e charmosas, foram além dos hortifruti – agora orgânicos – e diversificaram mix, incluindo temperos, flores, produtos importados, artesanais e típicos caprichados na apresentação. Também anexaram espaços como cafés e restaurantes. Só não perderam, é claro, o colorido e o bom cheiro das frutas e dos alimentos frescos. 

Em Florianópolis, é possível encontrar feiras e mercados que nasceram para serem especializados em receber produtos que ficam prontos para o consumo no seu tempo, como a Quitanda do Paladar, no Mercado Público, o Mercado São Jorge e o Mercado Sehat.

No Centro da Capital e no Itacorubi, o Mercado São Jorge foi projetado há quatro anos com a intenção de ter a feira de hortifruti como o coração do negócio, mas nele também é possível encontrar café, vinhos, pescados, livros, restaurante e sushi, por exemplo. Ele surgiu da intenção da proprietária Carolina Araújo Teixeira, que também está à frente do restaurante Central, em comercializar alimentos saudáveis e ainda dar força ao pequeno produtor.

Segundo a administradora do local, Gisela Muller, nos últimos dois anos já foi possível ver que o trabalho tem dado certo. “Cresceu o número de produtores certificados na Ilha. E tínhamos problemas com alguns produtos, como a alface, que até pouco tempo vinha de Tijucas do Sul, no Paraná. Recentemente fechamos com produtores locais”, explica ela, afirmando que o local vende 18 toneladas de orgânicos por semana.

O público que atualmente frequenta o Mercado São Jorge é de diferentes classes sociais, do carro de luxo ao ciclista, e bem ecléticos, porém essas pessoas têm em comum a intenção de educar a saúde com a garantia de procedência do produto. “As pessoas têm medo de comprar gato por lebre”, afirma Gisela.

A administradora afirma ainda que alguns clientes são chamados de “bebê orgânico”, pois as famílias se preocuparam com a alimentação desde seu nascimento, e garantem que os filhos só comam produtos fiscalizados vendidos no São Jorge. “A Lara é uma delas. Tem dois anos, vem aqui quase todos os dias, conhece todos os funcionários. Temos também essa característica acolhedora”, diz. 

Mercado São Jorge - Flavio Tin/ND
O Mercado São Jorge vende 18 toneladas de orgânicos por semana - Flavio Tin/ND


Fresco e sazonal

Entre os principais desafios para a venda de orgânicos é conscientizar as pessoas que o outro alimento tem agrotóxico, e que isso é um veneno que fará mal a longo prazo. “Muitos ainda comparam com o preço do sacolão, porque o veneno que está contido não é visível. É um problema que está no sutil, mas temos o retorno sobre o sabor”, diz Gisela Muller, do Mercado São Jorge.

Além disso, a maioria também não está acostumada com a sazonalidade de uma verdura ou fruta que cresce e fica pronta para o consumo naturalmente. Gisela explica que no verão tem problemas com a maçã, fruta bem comum para os brasileiros, mas que não dá no Estado de forma orgânica nessa época por causa do calor. Por isso, a fruta precisa ser importada de países como Itália e Argentina, aumentando o custo no repasse ao cliente.

O mesmo problema acontece na Quitanda do Paladar, localizada no Mercado Público de Florianópolis há um ano e meio, sob os cuidados de Anibal Nunes Pires, 27. Ele explica que nessa época importa a maçã da Alemanha. “Tem cliente que fica bravo porque não tem o produto, pois estão acostumados com aquele cheio de agrotóxico, e que por isso dá o ano inteiro”, diz Gisela.

A Quitanda, que tem uma oferta menor por conta do espaço, optou pelos orgânicos pela qualidade. Mas mesmo sabendo de todas as vantagens adquiridas por quem consome, encontrou uma forma de chamar a atenção dos clientes. Na exposição dos produtos, Anibal  destaca junto às placas de preços, os benefícios dos alimentos, como o caso da banana, que auxilia no bom-humor, e o do açafrão da terra, que tem tantas propriedades que a palavra-chave da placa é “mágico”.

O local traz produtos orgânicos locais, como de Ratones, Ribeirão da Ilha e Antônio Carlos, mas alguns, por conta do clima, ainda precisam vir de outros estados, como São Paulo e Rio Grande do Sul. A Quitanda também oferece outros produtos orgânicos que vão além do hortifruti, como ovos, geleias, manteiga e a cachaça. Os temperos também são muito solicitados, e estão sempre fresquinhos.

Mercado Sehat - Flavio Tin/ND

Camille, Ana Paula, Samuel, Gabriela, do Mercado Sehat, novo conceito de feira e alimentação - Flavio Tin/ND


Relações orgânicas

A ideia inicial era produzir orgânicos, mas com o passar do tempo surgiu a vontade da venda de orgânicos associado a um café e restaurante tailandês, e assim segue o Mercado Sehat, no Campeche, no recente um ano de história com quatro sócios paranaenses. “Queremos quebrar aquele preconceito que orgânico é coisa de hippie, coisa sem sabor. A comida tailandesa é uma explosão de sabores”, explica a sócia Ana Paula Oliveira, 34, sobre a utilização dos orgânicos na cozinha.

O espaço é multi, recebendo eventos para envolver pais e filhos, bandas locais, exposições fotográficas, e outros. “Temos embaixo desse guarda-chuva do orgânico, que não é só um alimento. É todo tipo de relação que você constrói no mundo. Tudo aqui é baseado em relações”, diz Gabriela Trojan, 33.

Uma ideia que os sócios ainda querem colocar em prática de maneira efetiva é o Dia da Troca, que já aconteceu três vezes. O objetivo é que os moradores levem até o Mercado Sehat verduras/frutas que plantam no quintal de casa, e façam trocas com quem quiser participar. “A gente vê muito cliente querendo negociar produtos, mas para o Sehat eu não posso garantir algo sem o certificado, então esse dia funciona”, argumenta Samuel Oliveira, 35.

Os sócios também salientam a dificuldade de trabalhar com o orgânico por ele ser sazonal. “O orgânico tem ganhado espaço, mas ainda tem poucos produtores. A Ecovida, cooperativa de produção familiar, facilitou a garantia do produto e o aumento dele, onde as famílias se autocertificam através de núcleos. Existe uma credibilidade entre eles”, acrescenta Samuel. 


Conheça os locais

O quê: Mercado São Jorge
Onde: rua Bocaiúva, Centro, Fpolis/rua Brejaúna, Itacorubi, Fpolis
Quando: de segunda a sábado, das 9h às 21h, e sábado das 9h às 19h (Centro)/ de segunda a sexta, das 9h às 22h, e sábado, das 9h às 18h (Itacorubi)

O quê: Mercado Sehat
Onde: avenida Pequeno Príncipe, 859, Campeche, Fpolis
Quando: de segunda a  segunda, das 8h15 às 23h

O quê: Quitanda do Paladar
Onde: Mercado Público de Florianópolis, Centro
Quando: de segunda a sexta, das 7h às 19h, e sábado, das 7h às 14h

Publicidade

1 Comentário

Publicidade
Publicidade