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Masc abre exposição nesta quarta-feira como parte da celebração dos 70 anos do museu

“Sensos e Sentidos – coleção de Jeanine e Marcelo Collaço Paulo” reúne 120 obras nacionais e internacionais

Karin Barros
Florianópolis
24/10/2017 às 10H11

Em 2018, o Masc (Museu de Arte de Santa Catarina), em Florianópolis, celebra 70 anos, e as comemorações de aniversário começam nesta quarta, às 19h, com a abertura da exposição “Sensos e Sentidos – coleção de Jeanine e Marcelo Collaço Paulo”. 

Josué Mattos e Edina de Marco, curadores da exposição
Josué Mattos e Edina de Marco, curadores da exposição "Sensos e sentidos" - Marco Santiago/ND


A mostra reúne 120 obras de artistas de renomes regionais, nacionais e internacionais, sob curadoria de Josué Mattos, administrador do museu, e, Edina de Marco, curadora-adjunta. “Certamente essa é a primeira ocasião de um encontro de obras de diferentes escolas e períodos em Santa Catarina. Não vejo precedentes nos últimos anos, onde uma mostra que reúna escola cusquenha, arte jesuítica, século 19, europeu e a uma cena modernista catarinense significativa, como Eduardo Dias, Victor Meirelles e Haro [pai e filho]”, afirma Mattos. 

A exposição propõe recortes dentro da coleção de Jeanine e Marcelo Collaço Paulo, composta por obras e peças oriundas de diferentes escolas e movimentos da história da arte, inscrita ao longo dos últimos cinco séculos de países como Portugal, Peru, França, Espanha e Itália. Collaço explica que já havia emprestado suas obras mas nunca em conjunto. “Foi escolhido um percentual ligado a figura humana, trabalhando essa condição”, coloca. Para o colecionador, que também é médico oncologista, a arte serviu como ponto de equilíbrio e sensibilidade no trabalho. “Isso foi comprovado, e está sendo demonstrado em 20 escolas dos EUA, que recomendam esse recurso de vista a museus com estudantes de medicina”, acrescenta. 

O processo de seleção para esta exposição iniciou em abril, após uma reunião com o casal com o Programa Curatorial do Masc. “Descobrimos a força para a história da arte na coleção deles. É um pequeno núcleo significativo, formado nas últimas quatro décadas e que não havia sido mostrado ainda”, coloca o administrador. 

A distribuição das obras foi feita em duas alas pelas relações que elas tem entre si, como, por exemplo, retratos da iconografia cristã e religiosa, ou o encontro que promoveram entre um artista do século 19 com a obra contemporânea de Fernando Lindote, radicado na Capital. Segundo Mattos, coleções privadas têm grandes lacunas cronológicas, por isso nem sempre é possível fazer uma linha do tempo.  Além disso, a autoria de muitas obras é anônima e com datações imprecisas, por isso a visitação é menos categorizada. “Quando você começa a ter e colecionar arte começa a gostar e isso se torna parte das nossas vidas, dividir essa paixão por arte com pessoas que também gostam é ótimo”, diz Collaço. 

Classificação indicativa é clara

“Sensos e Sentidos” tem classificação indicativa para maiores de dez anos, pois há cenas de nu artístico em toda a exposição. “Fizemos dessa forma para evitar polêmicas. Essa censura tem sido um debate gerado por uma classe política que busca desvirtuar os principais interesses da política brasileira na atualidade”, aponta Mattos os casos recentes no país. O colecionador Collaço afirma que a classificação foi uma posição do museu, e que todas as suas obras tem caráter acadêmico, “da mais pura expressão de arte brasileira e internacional”. 

Segundo o administrador, a exposição buscou seguir a legislação, que aponta que mostras com cenas de nudez ou sexo devem ser indicadas a maiores de dez anos. Mesmo assim, ele reforça que crianças menores acompanhadas dos pais podem visitar o Masc nesse período. “Cabe ao responsável decidir essa visitação. Nenhuma imagem ali será algo visto pela primeira vez”, conclui. 

Outras quatro mostras abrem na quinta-feira (26) 

O Masc traz na agenda outros quatro projetos para a comemoração dos 70 anos do museu, totalizando com “Sensos e Sentidos” mais de 300 trabalhos, entre exposições de alcance nacional e internacional também sobcuradoria de Edina Marco e Josué Mattos. Em “Continentes, Ilhas, Quintais: Paisagens no Acervo do Masc, que abre na quinta-feira e segue até janeiro, há obras datadas de 1930 até os tempos atuais, com artistas, como Alfredo Volpi, Agostinho Maliverni Filho, Carlos Scliar, Djanira Motta e Silva, Domingos Fossari, Eli Heil e Ernesto Meyer Filho.

Também na quinta-feira abre a retrospectiva “Eli Heil – Estou Voando”, uma homenagem a artista que morreu em setembro aos 88 anos. Com essa, somam-se 15 exposições individuais de Eli no espaço. Nenhuma artista expôs tanto na história do Masc e nenhum outro espaço recebeu tantas individuais da pequena notável, por isso o espaço é considerado a “casa da catarinense”. A nova retrospectiva apresenta seis obras do acervo da instituição e uma emprestada da coleção de Marcelo Collaço Paulo. O título remete à marcante tela “Estou Voando”, que pertence ao Masc. A exposição ocupará o espaço 6x3, aberto neste ano. 

Outra mostra que faz parte das comemorações de aniversário do Masc é a “Clarabóia #3 apresenta: Futuro do Pretérito”, de Evandro Machado, que também abre nesta quinta. De Blumenau e atualmente residindo no Rio de Janeiro, o artista visual Evandro Machado, considerado um dos principais nomes da arte contemporânea brasileira. Evandro apresenta uma série composta por vídeos de animação, desenhos em grande formato e uma instalação sonora para construir uma paisagem pós-apocalíptica tendo como cenário os grandes centros urbanos e a ausência do ser humano.

Tercília do Santos, natural de Piratuba, também traz suas obras para o Masc a partir de quinta com a mostra “Os Jardins da Infância”. A exposição reúne 81 obras em um retrospecto de 25 anos de carreira. A curadoria é da professora Célia Antonacci, da Udesc.

Serviço
O quê: “Sensos e Sentidos – Coleção Jeanine e Marcelo Collaço Paulo”
Quando: de 25/10 a 4/3/2018, de terça a domingo, das 10h às 21h
Onde: Masc, CIC, avenida Irineu Bornhausen, Agronômica, Fpolis
Quanto: gratuito

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