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Quarta-Feira, 19 de Setembro de 2018
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Maratona Cultural fez o público circular por diferentes atrações ao longo do fim de semana

Só na área central da cidade, foram mais de 20 atrações tanto no sábado quanto no domingo

Carolina Moura
Florianópolis
Marco Santiago
A peça "Julia", de Criciúma, divertiu o público na Praça XV no início da tarde de sábado


Florianópolis — No início da tarde de sábado, uma mulher fazia o marido carregá-la em uma carroça a chicotadas na Praça XV de Novembro. O pequeno Gabriel exclamou: “eu não gosto de chicote!”, e puxou a mãe para dentro do Palácio Cruz e Souza, junto ao pai e ao irmãozinho menor. A família veio de Antônio Carlos e decidiu ficar para ver um pouco da programação da Maratona Cultural de Florianópolis, que durou todo o fim de semana. Foi assim o fim de semana na cidade, com uma surpresa em cada esquina.

Enquanto a peça Júlia, do Cirquinho de Revirado de Criciúma, divertia o público debaixo da figueira, havia samba no Mercado Público, contação de histórias na Beira-Mar Norte, dança de salão no Ribeirão da Ilha, e diversas exposições de arte e fotografia estavam abertas à visitação pela cidade. Só na área central, que pode ser coberta a pé, foram mais de 20 atividades tanto no sábado quanto no domingo, e o público saía de uma peça para outra, com uma exposição no intervalo e um show logo em seguida.

Esse vai e vem de pessoas era uma garantia de vários encontros, quem se viu em uma apresentação estava fadado a se encontrar em mais alguma. Neusa Borges e Márcia Cattoi, por exemplo, fizeram uma rota de teatro: começaram de manhã com “Livres e Iguais”, no TAC, passaram por “Júlia”, depois foram ver “EU. VOCÊ. ELA. A MÃE”, da Irreal Produções, no Sesc e então voltaram à Praça XV para a peça dos grupos Teatro em Trâmite e Trupe Popular Parrua, no fim da tarde.

“É uma grande chance para os artistas daqui, e do estado, e para a formação de público também”, considera Márcia. “A entrada livre é algo muito bom, tem coisas que eu queria ver antes mas era caro, agora tenho a oportunidade”, complementa Neusa. Por volta das 20h, era possível vê-la chegando no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho) para se unir à fila de distribuição de ingressos para “O Incrível Ladrão de Calcinhas”, da Trip Teatro de Animação, de Rio do Sul. O dia foi longo.

Atrações disputadas lotaram os teatros

Às 16h de sábado, a fila para assistir ao stand-up “#RiAlto: Get up, Stand up... Night” (Ou afternoon, tarde em inglês, como brincou Grazi Meyer na abertura do show) dava volta no TAC. Segundo a organização, eram 200 pessoas que aguardavam uma chance de entrar, já que os 365 ingressos disponíveis já haviam sido entregues uma hora antes — horário padrão de distribuição de ingressos para os espaços fechados da Maratona.

Na noite de sexta-feira, o espetáculo Gala Bolshoi teve os ingressos esgotados quase que instantaneamente. A fonoaudióloga Janice Brites diz que chegou às 20h, quando estava marcado o início da distribuição, e mesmo assim não conseguiu entrar. “Começamos a distribuir antes porque estava chovendo e havia muita gente para fora”, argumenta o coordenador da Maratona, Heitor Lins. Segundo ele, havia pessoas esperando desde 17h para conseguir ingressos, e no fim cerca de 400 pessoas ficaram sem entrar.

“Não podemos colocar mais gente do que cabe no espaço”, disse Lins. Mas ele vê a lotação dos eventos como uma coisa positiva. “Isso mostra que as pessoas querem consumir produtos culturais e estão dispostas a prestigiar o evento”, considera. Já quem foi persistente e aguardou na fila do TAC mesmo após avisos de que o teatro estava lotado, teve sua recompensa. De dez em dez, no fim todos entraram, inclusive Janice.

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