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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Atrações da Maratona Cultural que vêm de fora do Estado respondem a artistas catarinenses

Os músicos Felipe Cordeiro e Tulipa Ruiz e os grupos Dedo de Prosa e Teatro Invertido dão suas versões sobre o processo criativo e o cenário artístico onde atuam

Redação ND
Florianópolis

Muito mais do que apenas nomes conhecidos no Brasil inteiro, ou ao menos no Estado onde atuam, muitos artistas que se apresentam na Maratona Cultural neste fim de semana vêm de longe e trazem consigo um bem valioso para quem também produz arte por aqui: uma nova experiência. Sejam as questões culturais dos locais onde vivem e trabalham ou seus hábitos criativos pessoais, eles são capazes de nos mostrar um novo panorama artístico, cheio de diferenças e semelhanças com o cenário catarinense.

A Maratona Cultural deu o start na noite de sexta-feira reunindo 16 atrações em nove espaços diferentes de Florianópolis. O corte da programação anunciado na quinta-feira devido à reprovação do projeto por parte do governo do Estado, e a consequente falta de mais da metade da verba necessária, deixou de fora parte dos artistas esperados pelo público, mas alguns dos nomes mais aguardados já começam aterrissar na Ilha. Antes disso, receberam perguntas de artistas catarinenses com quem dividem a programação do evento, e as respostas você vê abaixo.

 

Divulgação/ND
 Tulipa Ruiz se apresenta sábado na praça Bento Silvério e respondeu à cantora Renata Swoboda, com quem divide o palco

 

Max Reinert – Téspis Cia. De Teatro:Santa Catarina tem uma tradição de produção teatral realizada por grupos que trabalham a longo prazo juntos. Pelo que conhecemos de Minas, este panorama também é semelhante. Como vocês acreditam que essa forma de organização influencia os espetáculos produzidos pelo grupo Teatro Invertido? E como o trabalho do grupo dialoga com os diretores convidados para cada montagem?

Teatro Invertido (MG): A opção pela criação teatral em grupo traz consigo a escolha por um projeto artístico que extrapola o campo da produção de espetáculos. Como artistas-gestores, somos desafiados e nos desafiamos cotidianamente a pensar essa trajetória numa perspectiva mais ampla, continuada. Em dez anos de trajetória, a colaboração e a horizontalidade são princípios básicos de nossos processos criativos, inclusive na relação com os diretores convidados. Grande parte do tempo de nossas criações esteve dedicado à construção em processo de uma dramaturgia que desse conta dos nossos desejos e das questões que nos tocam no tempo presente, colocando-as em fricção com os diversos parceiros artísticos que encontramos nesse percurso.

 

Jean Mafra– projeto Indisciplina: Quando nos conhecemos, em 2010, durante a feira da música que aconteceu em Belo Horizonte, você estava lá com um grupo de artistas, produtores e jornalistas do estado do Pará, enquanto eu era o único representante de Santa Catarina e lá estive graças ao apoio do Ministério da Cultura e não por qualquer envolvimento ou apoio daqui. Você acredita que o fato de existirem algumas políticas de incentivo à cadeia produtiva da música no Estado do Pará e de elas serem tão poucas aqui faz diferença no desenvolvimento e na visibilidade dessas duas cenas regionais, tão distantes, tão distintas?

Felipe Cordeiro (PA): Realmente o fato de haverem políticas públicas de incentivo à produção e difusão da música do Pará fez toda diferença no que diz respeita à visibilidade que esta cena teve nos últimos anos. A produção paraense é forte desde os anos 70, com uma tradição consistente, rica e original, mas somente nos últimos anos, já na minha geração, é que vem obtendo o reconhecimento merecido.

 

Willian Sieverdt – Trip Teatro: Vocês vêm de um grande centro, que é São Paulo e já estiveram em Santa Catarina em outras ocasiões. No último ano, por exemplo, apresentaram-se na cidade de Brusque. Santa Catarina é um Estado que tem um número de habitantes que não chega à metade da cidade onde vivem. Qual a principal diferença que percebem no contexto cultural destes dois locais? É diferente a reação do público nos seus espetáculos, se compararmos pequenas cidades de Santa Catarina à capital paulista?

Cia. Dedo de Prosa (SP): Estreamos "As Três Mulheres Sabidas" em maio de 2011 e temos viajado com o trabalho desde então. Apresentamos a peça nos mais variados tipos de teatros, em bibliotecas e até orfanatos, em capitais e cidades pequenas. O que notamos é que quando apresentamos em cidades onde a oferta de espetáculos é menor, os espectadores vêm com uma sede e uma curiosidade que geralmente "contagiam" o espetáculo, deixando-o ainda mais vivo. Para nós, este tipo de experiência é muito enriquecedora, pois alimenta o trabalho. Em Brusque realizamos sessões fechadas para escolas e também uma sessão aberta, e tivemos a feliz surpresa de ver muitas crianças assistindo ao espetáculo pela segunda vez, acompanhadas dos pais. Este é um trabalho super importante de formação de público, como se o espetáculo "ressoasse" para fora do teatro e despertasse a vontade para novas experiências com outras peças. Percebemos na plateia de Brusque um silêncio e um respeito pelo trabalho que nos chamou a atenção. Acho que nas capitais em que os espectadores estão mais acostumados aos espetáculos, este fluxo se dá de uma maneira diferente, talvez haja de início um "deslumbramento" menor, a novidade não é tão nova. Mas acreditamos que o poder das histórias que contamos arrebatam o espectador e solicitam sua imaginação para que as narrativas aconteçam plenamente. E quando isso acontece, sentimos nossa missão cumprida. 

 

Renata Swoboda- cantora: Eu pego no violão varias vezes por dia nem que seja pra fazer um ré maior. Assim surgem novas canções como “De Quando” e “Senhora Sereia”, e vou sempre aprimorando meu som. Queria saber o que você toca no seu lar quando está só você e seu violão?  

Tulipa Ruiz (SP): Em casa convivo com músicos que tocam e criam o tempo todo. Eu sou mais lenta, meus momentos de composição são mais esporádicos. Gosto de criar quando estou sozinha. Parto do violão algumas vezes, mas me divirto muito inventando coisa no Garage Band. Daí eu salvo o arquivo e só abro de novo muito tempo depois. No dia a dia ouço muita música, mas a composição acontece quando eu me proponho a fazer (o que pode demorar) ou quando bate aquela inspiração forte. Daí não tem pra onde correr.

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