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Malcon Bauer organiza documentário sobre o fundador de uma das maiores revistas americanas

Thomas John Cardell Martyn, da Newsweek, morreu em Agrolândia, no Alto Vale do Itajaí, e era tio do ator

Karin Barros
Florianópolis
31/03/2017 às 21H28
Ator começou as pesquisas no Brasil e irá a Nova York, onde se encontrará com uma das netas de Martyn - Daniel Queiroz/ND
Ator começou as pesquisas no Brasil e irá a Nova York, onde se encontrará com uma das netas de Martyn - Daniel Queiroz/ND



Em 17 de fevereiro de 1933, era criada a “Newsweek”, segunda maior revista de notícias semanais dos Estados Unidos. O periódico foi fundado por Thomas John Cardell Martyn, um inglês nascido em janeiro de 1896, que participou da  Primeira Guerra Mundial e morreu em 1979. Mas o que isso tem a ver com Santa Catarina? Martyn viveu seus últimos dias de vida na cidade de Agrolândia, no Alto Vale do Itajaí, lugarejo de 10 mil habitantes.

O que faria o fundador de um grande jornal americano em terras tão desconhecidas da América do Sul? Esse mistério, e muitos outros que envolvem a história de vida de Martyn, serão contados em um documentário a ser lançado em 2018 pelo ator e humorista Malcon Bauer, em parceria com a Vinil Filmes, pelo Prêmio Catarinense de Cinema.

Malcon nasceu em Agrolândia e veio para Florianópolis antes dos 20 anos para cursar artes cênicas na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina). Em sua memória de infância, ele lembrava de uma grande lápide em um jazigo de Agrolândia que dizia algo em inglês, porém aquilo nunca foi algo importante. Ao criar a peça “O Homem de Agrolândia”, com direção de Renato Turnes, o ator precisou retornar à cidade para recolher fatos pitorescos daqueles moradores, dando mais realismo à peça. O fato da lápide passou batido na peça, mas ressurgiu em uma conversa com Loli Menezes, da Vinil, em 2013. Na lápide dizia “Founder of Newsweek” (fundador da Newsweek). “Ficamos nos perguntando o porquê do fundador de um jornal como esse estar enterrado aqui no Estado, e ainda mais na minha cidade”, lembra Malcon.

Após quase um ano de pesquisas, a dupla não encontrou muita coisa sobre Martyn na internet, apenas fatos pontuais, como sua mudança de Londres para os Estados Unidos, seus dois casamentos, a perda de uma das pernas na guerra, e a fundação da revista. Depois disso, Malcon decide ir até Agrolândia para saber se os moradores tiveram contato com o americano. Em uma conversa despretensiosa com a mãe Ilma Bauer, 57, sobre o projeto, ela diz: “Ah sim, o tio Tommy”.

Nesse momento, a ideia do documentário sofre uma reviravolta. O personagem investigado por Malcon agora era seu tio-avô. Martyn foi casado com a irmã da avó de Malcon, Irmgard Stahnke, que depois de casada adotou o nome de Mary Irmgard Martyn. O ator não a conheceu , porém, sua família conviveu bastante com os dois na década de 1960 e 1970, quando eles vieram morar em Balneário Camboriú e, posteriormente, em Agrolândia.

Foto antiga da família mostra o casal, esta no apartamento do casal em Balneário Camboriú - Reprodução/ND
Foto antiga da família mostra o casal, esta no apartamento do casal em Balneário Camboriú - Reprodução/ND



Apaixonados em São Paulo

O documentário “Meu tio Tommy – O homem que fundou a Newsweek” ainda está em fase de pré-produção. As gravações para o teaser de divulgação devem começar em breve com a família Stanhke Bauer. Uma viagem para Nova York já está marcada para o segundo semestre deste ano, e em breve uma ida até Londres também deve acontecer para entender melhor quem foi Martyn, ou simplesmente o tio Tommy.

Segundo informações preliminares, os tios-avós de Malcon se conheceram em São Paulo. Martyn teria abandonado a mulher e dois filhos nos Estados Unidos e chegado ao Brasil na década de 1940. Na capital paulista, Martyn conheceu Mary, que trabalhava como enfermeira, e os dois se apaixonaram. Eles não tiveram filhos, e a relação durou cerca de 15 anos.

Na década de 1960, os dois moraram em um apartamento em Balneário Camboriú. “Minha mãe foi lá apenas uma vez, mas disse que o lugar era maravilhoso. Achamos uma carta com um endereço do local e agora vamos tentar achá-lo”, conta Malcon. Mary teve câncer no final da década de 1960 e os dois optaram por voltar para Agrolândia e viver os últimos dias de vida na cidade natal dela. Após a morte da mulher, em 1973, quem cuidou de Martyn até 1979 foi o cunhado, Afonso Stahnke.

 

O ator em frente ao túmulo. A lápide, onde está escrito “Founder of Newsweek”, sempre instigou Malcon, antes mesmo de saber que era seu tio - Loli Menezes/Divulgação/ND
O ator em frente ao túmulo. A lápide, onde está escrito “Founder of Newsweek”, sempre instigou Malcon, antes mesmo de saber que era seu tio - Loli Menezes/Divulgação/ND



Uma renda alta misteriosa

lcon, o tio Tommy era bem reservado e não gostava de falar do passado. “Ele contava apenas que a família o tinha renegado e que isso teria a ver com a perda de uma das pernas, o que para gente é muito estranho, nebuloso, já que ele perdeu a perna muito antes”, explica Malcon sobre as pesquisas. O americano vivia em sua máquina de escrever. De acordo com Ilma, sobrinha de Mary, Tommy mandava e recebia muitas cartas dos Estados Unidos, mas ninguém sabia seu conteúdo.

Tommy e Mary viviam muito bem também, fazendo cruzeiros, viagens, organizando grandes festas e jantares onde moravam. “Meu tio conta que a tia Mary era muito festeira, e o tio Tommy fazia tudo que ela queria”, diz Malcon. Contudo, Tommy não trabalhava, e quem o conheceu afirma que ele tinha uma renda alta, mas não sabiam do quê. Malcon encontrou o passaporte do tio, e nele viu diversos carimbos entre o Brasil, Peru e Argentina, mas ainda não se sabe o que ele fazia por lá.

Depois da morte de Mary, o tio-avô Afonso lembra que duas jovens netas de Tommy estiveram em Agrolândia passando cerca de seis semanas. Dessa viagem, a inglesa Anne Alexander, hoje com cerca de 60 anos, levou um maço de folhas escritas para o pai a pedido do avô. Segundo a neta, o avô pediu que o filho publicasse um livro com o material. Porém, o filho estava chateado com o abandono do pai e guardou os escritos em um armário. Após a morte do pai, em 2015 a neta Anne resolveu editar o material e atender à solicitação do avô com “Inside the founding of Newsweek”. O contato entre os “primos” aconteceu via rede social, e ela já aceitou participar do documentário.

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