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Sexta-Feira, 16 de Novembro de 2018
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Mais vaidosos, homens ousam nos cortes e movimentam o mercado das barbearias

Homens brasileiros se rendem às tesouras em barbearias cada vez mais descoladas, com mix de serviços e espaços de socialização

Marciano Diogo
Florianópolis
Rosane Lima/ND
O advogado e DJ Diego Berto (à esq.) e o barbeiro Guilherme Ribeiro


Os homens brasileiros se preocupam cada vez mais com a aparência física e com os cuidados estéticos. Procuram fazer um corte de cabelo diferente, manter uma barba à mostra, porém bem aparada, e usam produtos para pele. De acordo com a ABIHPEC (Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos), a venda de xampus, sabonetes, produtos de barbear e cremes destinados ao público masculino aumentou no Brasil nos últimos anos. Em 2015, mesmo com a crise econômica nacional, esse segmento de mercado cresceu 2,4%. De 2008 a 2014, cresceu mais de 100%, quando movimentava cerca de US$ 2.284 bilhões e saltou para US$ 4.572 bilhões.

E esse constante crescimento no consumo se reflete no aumento de serviços especializados destinados aos homens que buscam tratar da barba, cabelo e pele. Por isso surgem cada vez mais barbearias para atender essa demanda. Antes estabelecimentos onde eram feitos somente cortes de barba e cabelo, hoje as barbearias oferecem serviços estéticos especializados como tratamentos faciais e corporais. Entre elas, está a Tradicional, que desde 2012 em Florianópolis oferece, além do corte, limpezas de pele, massagens terapêuticas, depilação e tratamentos de podologia e manicure. “Já se foi o tempo em que a vaidade masculina era vista com preconceito. A maioria dos homens quer um corte diferente e outros cuidados, mas ainda tem constrangimento de ir a salões de beleza procurar por esses serviços. Por isso, nada mais natural que as próprias barbearias atendam por completo o seu público”, afirma o empresário Rodrigo Novaes Gonçalves, dono da Barbearia Tradicional, espaço que também tem uma adega de vinhos, sinuca, café e loja de alfaiataria.

Filho de barbeiro, que também trabalha na Tradicional, Rodrigo observou na vaidade dos homens um mercado em potencial. O seu negócio cresceu e em 2015 o empresário abriu outra unidade da barbearia no Mercado Público Municipal, chamada de Barbearia do Mercado, e em 2016 abrirá uma nova unidade localizada na SC-401, no Norte da Capital. “Também criamos uma linha de camisetas e produtos como canecas”, observa o barbeiro Aroldo Gonçalves, pai de Rodrigo. 

Rosane Lima/ND
De pai para filho: o empresário rodrigo Novaes Gonçalves, dono da Barbearia Tradicional, é filho do barbeiro Aroldo Gonçalves


Assim como a Tradicional, a Barbearia VIP acompanhou o comportamento dos homens brasileiros com a beleza e cresceu abruptamente nos últimos anos. Abriu a sua primeira unidade em Florianópolis há 18 anos e atualmente conta com outras três franquias, localizadas em São José, Balneário Camboriú e Brasília.

“Estamos abrindo uma nova franquia em Fortaleza nessa semana e ainda neste ano vamos abrir unidades no Rio de Janeiro e Paraná”, adianta Victor Conceição, dono da Barbearia VIP, que acrescenta que as barbearias são historicamente pontos de encontro entre os homens, e tal fato impulsiona ainda mais a modernização desses espaços. “São espaços de confraternização. É um lugar onde, entre um corte de cabelo e uma aparada na barba, os homens se encontram para falar de futebol, política e outros assuntos da vida”, opina o empresário e barbeiro, que observa ainda que o aumento na procura por esses serviços é também reflexo por uma busca maior pela vida saudável: “o homem brasileiro está mais estiloso. Mas não é somente uma questão de beleza, é também uma questão de bem-estar”, conclui.

Rosane Lima/ND
Barbearia com bar e videogames: a Barão da Navalha é espaço de confraternização entre os homens


O advogado e DJ Diego Berto frequenta quinzenalmente as barbearias. O jovem afirma que o homem brasileiro está mais ousado e não tem medo de fazer um corte de cabelo ou um formato de barba diferente. “É uma tendência mundial de igualdade. Nós também nos preocupamos com a beleza e precisamos de produtos e serviços que atendam essa vontade. No meu caso, uso um finalizador para o cabelo e a barba, que é fundamental para dar estrutura no visual”, afirma. Entre as baladas à noite e o escritório durante o dia, Diego opta por adotar um corte moderno, chamado de undercut. “É um corte mais versátil, que dá para adaptar”, opina.

Do undercut ao clássico
O barbeiro e empresário Rafael Dutra, dono da barbearia Barão da Navalha, estabelecimento que existe desde 2015 em São José, atesta: o undercut está entre os cortes mais pedidos pelos homens. “Claro que também há o também o clássico, com o topete para o lado, sem passar a máquina ou navalha, que nunca sai de moda. Quanto à barba, tem que estar à mostra. Também temos visto muitos pedirem para manter somente o bigode, acho que está voltando a moda”, afirma o empresário, que também criou bonés e até uma marca de cerveja artesanal da Barão da Navalha. “Hoje as barbearias não vendem somente o serviço, mas a experiência. Por que não se divertir enquanto corta o cabelo?” comenta o administrador Diego Meirelles, também sócio da barbearia que conta com atrativos como open bar de bebidas e videogames.  

Diferente do advogado Diego Berto, o engenheiro Leonardo Varella opta por manter um corte de cabelo clássico, penteado para o lado, sem passar a máquina ou navalha. “Até já experimentei fazer outros mais modernos, mas não ficou legal. É preciso observar também qual é o mais adequado para o seu formato de rosto”, opina Varella. Já o jovem estudante Leonardo Pacheco mantém o corte razor part há pelo menos dois anos. “É um corte que mantém o penteado bem delineado. Gosto da ideia de ‘desenhar’ na cabeça”, brinca.

Marco Santiago/ND
O barbeiro Seu Elias já cortou o cabelo de jogadores de futebol como Neymar e Messi


O craque das barbas e cabelos
No último fim de semana Florianópolis recebeu o reconhecido barbeiro mineiro Seu Elias, que já cortou o cabelo e fez a barba de jogadores de futebol como Neymar, Daniel Alves, Ronaldinho Gaúcho e até mesmo de Lionel Messi. Empresário dono de barbearias, o jovem Elias Torres da Silva, 29, começou a cortar cabelos de homens aos 13 anos de idade. No último fim de semana, ministrou palestra na Capital para mais de 80 barbeiros no Barber Day, evento que aconteceu na sede da Keune Cosméticos na Capital. Em entrevista para o Plural, o cabeleireiro falou sobre tendências e mercado.

O que te levou a cortar cabelos de jogadores de futebol?
A Copa do Mundo aconteceu em Belo Horizonte, e acabou que acabei por fazer o corte de todos esses jogadores, inclusive da comissão técnica do time do Brasil. Criei a marca Seu Elias em 2013 e a partir daí o negócio começou a se consolidar. Também promovemos pelo Brasil o Barber Day, que fazemos cursos compactos em diferentes cidades. Em 2016 já passamos por 17 capitais.

Por que você acha que há um crescimento no número de barbearias no Brasil?
Na última década o homem brasileiro adotou uma mudança no comportamento. Hoje ele é antenado em moda e tendências e se preocupa com a estética masculina. No nosso país, parte desse comportamento teve influencia de jogadores de futebol e cantores de sertanejo, que não têm medo de se demonstrarem preocupados com a aparência física e estética. Com o homem mais preocupado com a aparência, é natural que surjam mais serviços especializados para atender essa procura.

O que você observa como tendências no corte de barba e cabelo masculino?
No cabelo, o degrade com topete, com uma pegada mais old school e vintage. Também tem o coque samurai, para os cabelos compridos, que ‘estorou’ em 2015. Mas a maioria dos cortes mais pedidos, sem dúvida, são aqueles que são raspados do lado, entre eles o undercut degradê. O que dá mais trabalho para quem os adota, por que quanto mais raspado, mais é necessário frequentar o barbeiro para mantê-lo da mesma maneira. Já a barba, a tendência é que ela apareça, com a barba crescida, independente do formato. É fundamental também usar um shampoo específico para o tipo de cabelo e um finalizador, também na barba, como algum óleo. Finalizadores como pomadas, pós e sprays, podem ser usados em todos os tipos de cortes; são eles que dão estrutura para o cabelo, brilho e fixação.   

Os mais pedidos – confira os penteados e cortes masculinos que estão na moda:

Undercut =É o corte que deixa os fios bem baixos nas laterais da cabeça, às vezes até raspados com a máquina, e mais volume de cabelo em cima da cabeça. Normalmente é feito com degradê no tamanho dos fios. David Beckham e Brad Pitt estão entre os primeiros a adotar esse corte.

Razor part = Inspirado em cortes populares das décadas de 30 e 40, traz as laterais mais curtas aparadas com máquina ou navalha e a parte de cima da cabeça com fios mais longos. O diferencial é o risco da navalha em um dos lados, que marca a divisória de para onde o cabelo será penteado.Está entre os preferidos dos jogadores de futebol.

Slicked back =Mais adotado por homens com cabelos lisos, o corte traz como principal característica o cabelo penteado para trás, com o cabelo aparado dos lados e comprido em cima.É fundamental o uso de um finalizador, como gel ou pomada, para fixar o penteado.

Coque samurai = Ideal para cabelos compridos, o penteado começou a ser adotado por mais homens brasileiros a partir de 2014. Amarra o cabelo tracionado com um coque redondo na parte de trás da cabeça.

Marco Santiago/ND
Com undercut e barba à mostra: de 2008 a 2014, a venda de produtos estéticos para o homem cresceu mais que 100%, saindo de US$ 2,284 bilhões para US$ 4,572 bilhões


Números da vaidade masculina no Brasil
De acordo com a ABIHPEC (Associação Brasileira de Higiene Pessoal, Perfurmaria e Cosméticos) e uma pesquisa feita pela consultoria britânica Euromonitor International, mesmo com a crise econômica nacional, a venda de produtos estéticos para o homem cresceu 2,4% em 2015. De 2008 a 2014, o movimento financeiro desse mercado cresceu mais que 100%, saindo de US$ 2,284 bilhões para US$ 4,572 bilhões. Segundo a APIHPEC, o mercado brasileiro de produtos masculinos ocupa o segundo lugar do ranking de maiores consumidores do mundo, ficando apenas atrás dos Estados Unidos.

Atualmente, os produtos masculinos representam mais de 10% do consumo total de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos no Brasil, que totaliza U$ 43 bilhões. Em 2013, os produtos para barba representavam 58,1% das vendas, equivalente a um faturamento de U$ 2.658 bilhões. Enquanto a categoria de cuidados pessoais somava 42%, totalizando U$ 1.915 bilhão em vendas.

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