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Longe dos estigmas, moda das barbas ganha aceitação e mercado crescente em Florianópolis

Na verdade, a barba nunca deixou de ser usada, mas nunca foi tão apreciada e cuidada como agora. A barba estilo lenhador é a mais adotada

Karin Barros
Florianópolis
31/08/2018 às 21H31

A barba já foi coisa de galã, depois foi estigmatizada, daí caiu em desgraça total, porém deu a volta e nos últimos tempos chegou ao auge como nunca se viu. Hoje tem barba quem quer, e principalmente, quem cuida. Se for bem feita e tratada, é bem aceita nos escritórios ou em qualquer espaço de trabalho. Não é difícil ver advogados, professores, jornalistas, vendedores e engenheiros bem apresentados, recebendo o público e os clientes, com uma bela barba cerrada, hipster, lenhadora ou até mesmo cavanhaque. Porém, para ser apresentável assim ela demanda um certo tempo e uma vaidade que custou a ganhar adesão entre os homens.

O desenvolvedor Mauro sempre usou barba, mas agora adotou uma mais comprida, tratada com produtos para dar volume e maciez - Daniel Queiroz/ND
O desenvolvedor Mauro sempre usou barba, mas agora adotou uma mais comprida, tratada com produtos para dar volume e maciez - Daniel Queiroz/ND


Vitor Conceição, proprietário da marca manezinha Barbearia VIP, que tem 35 lojas no país, toca o negócio há 12 anos, mas vê o crescimento do mercado há nove. Ele lembra que um personagem indiano de novela marcou o momento, e que a partir dali muitos homens – também influenciados por suas mulheres – acharam interessante usar barba. “Antes do galã aparecer nesse estilo, apenas 10% dos nossos serviços na época eram com barba. Ou a pessoa tirava direto ou não fazia nada nela. Dali por diante as pessoas começaram a cuidar, a se interessar, e a tendência foi crescendo. A gente costuma dizer aqui que a barba é a maquiagem do homem”, brinca o empresário.

Além da barba cair no gosto feminino, Vitor diz que ela ajuda a disfarçar imperfeições e a mudar o visual. Nesse período de quase uma década de barbas, surgiram muitas formas diferentes de cortar, mas atualmente, o que aparece como preferência é aquela barba realmente comprida, chamada “lumberjack” ou lenhador. Ela ajuda a esconder defeitos no rosto, falhas, cicatrizes, disfarça queixos pequenos e pode até emagrecer.

Cosméticos masculinos mais explorados 

O analista de qualidade de tecnologias Gabriel Ralph, 31, já leva essa pegada “lenhadora” há quatro anos. Depois do casamento, em 2013, ele decidiu mudar o visual. A mulher aprovou na hora, disse que ele aparentava uma pessoa com mais experiência e responsável. “O crivo da mulher foi bem importante, e na barbearia os profissionais foram me dando dicas de como cuidar, mas nunca fiz em casa, porque é difícil”, diz.

Gabriel Ralph - Flavio Tin/ND
Gabriel Ralph mantém a barba grande, no estilo lenhador, há quatro anos - Flavio Tin/ND


Ralph afirma que sempre se cuidou, mas confessa que a barba o tornou mais vaidoso. “Outras pessoas veem com bons olhos os cuidados com a barba. Pessoas desconhecidas vêm falar na rua, perguntam, dizem que queriam ter assim também”, conta. Mas para ter esse resultado, e por tanto tempo, Ralph tem cuidados específicos, como shampoo especial para barba, óleo para hidratar o pelo, balm para ficar mais cheirosa e ainda cuida da pele do rosto com um esfoliante, já que ela fica mais sensível com o tempo.

O empresário Vitor lembra que o cosmético em geral cresceu muito com o boom das barbas. “Quando começamos, não tinha nada. A gente importava ou usava óleo de argan de cabelo feminino para a barba. Hoje tem 14 produtos da marca, sendo cinco só voltados para a barba”, salienta ele, lembrando que antes a área do cosmético masculino não era explorada.

Depois da barba, o mundo da estética vem se tornando cada vez mais próxima do homem. No endereço da barbearia no bairro Santa Mônica, por exemplo, há sala da de massagem, de podologia e banho de banheira. Além de, claro, o lazer com jogos de sinuca, games, poker e música ao vivo.

Há dois anos, a marca criou um aplicativo para o cliente agendar os atendimentos sem sair de casa ou ligar, e Vitor lembra que o maior índice de procura pelo app era de estética. “O homem tinha vergonha de ligar e falar que queria essas coisas. Agora parece que ele entendeu que tem que se cuidar tanto quanto a mulher”, afirma.

Vitor, da Barbearia Vip: a barba pode mudar completamente o visual de um homem - Daniel Queiroz/ND
Vitor, da Barbearia Vip: a barba pode mudar completamente o visual de um homem - Daniel Queiroz/ND


Empresários adaptados à moda

Quem também optou pelo estilo lenhador há menos tempo é o desenvolvedor Mauro Silveira Junior, 26. Porém, diferente de Ralph, o mundo dos cabelos e barbas compridas sempre fizeram parte de sua vida. Integrante de motoclube, é comum ver esse estilo em quem curte alta velocidade em duas rodas. Porém, há oito meses Junior optou apenas pela barba grande. “Eu cuido bastante mesmo assim, uso produtos para dar mais volume e deixar mais macio, e prefiro ir a barbearia para deixar arrumada”, confessa.

A barba cerrada, como a de Maycon Lacerda, uma das tantas formas de corte - Daniel Queiroz/ND
A barba cerrada, como a de Maycon Lacerda, uma das tantas formas de corte - Daniel Queiroz/ND


Os casos de barba de Junior e Ralph ainda pouco influenciaram em seus trabalhos, mas o barbeiro Alisson Queiroz afirma que essa mudança das empresas é recente. “Elas estão mais maleáveis agora. Antes não era bem aceito, mas agora com uma barba bem-feita a maioria dos empresários aceita”, diz. Mesmo assim, o barbeiro Luiz Martini, 38, que trabalha há nove anos na Barbearia VIP, diz que antes de tudo tenta entender qual a necessidade do cliente, onde trabalha, o que faz, e se combina com o que ele quer desenhar no rosto. “Muita gente não tem essa noção. O ideal é deixá-la crescer por uma semana e ir até o barbeiro que ele direciona o corte”, diz.

O homem que é novo nesse mundo dos pelos no rosto com certeza vai se arriscar a fazer em casa, e pode dar certo, mas em sua maioria, é bem provável que faça um buraco onde não deve e estrague todo um design que levou semanas para conquistar. “Acontece muito isso, por isso na barbearia é mais seguro. Temos outro ângulo e conseguimos aparar a barba de forma homogênea, além dos produtos que são diferentes de cabelo e pelo”, explica Martini, que tem 20 anos de profissão.

Para ele, que é de família de cabeleireiros e barbeiros, o cuidado do homem com cabelo e barba sempre existiu, mas a vergonha de se cuidar é que acabou. “Porque agora tem um lugar direcionado para eles [os homens], não é mais salão unissex. É uma questão cultural também, de informação mais rápida”, coloca Martini.

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