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Quarta-Feira, 23 de Janeiro de 2019
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Livro sobre as fortalezas da Ilha de Santa Catarina ganha nova edição e exposição na UFSC

A obra tem manuscritos de 1786 feitos pelo engenheiro militar José Correia Rangel

Karin Barros
Florianópolis
Bruno Ropelato/ND
Maquete da fortaleza de São José da Ponta Grossa está na mostra na universidade


Há 26 anos, o arquiteto Roberto Tonera, especialista em patrimônio histórico, trabalha com as fortalezas da Ilha de Santa Catarina. Tonera faz parte do grupo do projeto Fortalezas, que existe há 36 anos na UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) e é responsável por três das quatro fortificações da região. Nesta quarta-feira, ele e Mário Mendonça de Oliveira, professor da universidade federal da Bahia, lançarão a 2ª edição revisada do livro “As defesas da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro em 1786”, no hall da Reitoria da UFSC, às 19h.

Os manuscritos são de José Correia Rangel, um engenheiro militar que passou em 1786 em Florianópolis a serviço da colônia portuguesa. Os desenhos são em tamanho real, pois o livro em que Correia Rangel escrevia era uma caderneta de campo. O engenheiro era responsável por transcrever o que via, desde os uniformes das tropas de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul, ao número de soldados por patente, os armamentos e tudo que existia dentro das fortalezas. 

Os organizadores da obra, que originalmente tinha 76 páginas, fizeram transcrições para o português moderno com uma contextualização histórica, já que nos manuscritos, Correia Rangel não se detinha a detalhes como ano e os nomes dos projetistas de cada fortificação. “Ele nunca havia sido publicado porque não é um livro fácil. Pertencia ao arquivo militar de Lisboa, em Portugal, e é um conjunto de documentos ordenados”, explicou Roberto Tonera. O livro tem ainda uma apresentação feita pelo coronel Aniceto Afonso, membro da Comissão Portuguesa de História Militar.

O documento de Correia Rangel, segundo Tonera, já era conhecido, e isoladamente algumas das imagens publicadas na obra foram utilizadas por outros autores catarinenses. Iconografias de época que nunca foram publicadas, mas que contextualizam o momento histórico do livro foram liberadas com o apoio da Biblioteca Nacional e do Real Gabinete de Leitura do Rio de Janeiro.

O livro de Tonera e Oliveira foi lançado pela primeira vez em 2011, e esta segunda edição tem lançamento marcado ainda para o Rio de Janeiro no dia 23 de julho, e Salvador, no dia 11 de setembro. Outras datas em São Francisco do Sul, Uruguai e Brasília ainda estão em fase de confirmação. Os escritores participarão também com o livro do Congresso Internacional de Fortificações, no México, em agosto.

Primeiros urbanistas

Uma exposição composta de fotografias e maquetes das fortificações, réplicas de canhões e trajes militares e civis do século 18, além de painéis informativos com textos, mapas e imagens também estão em mostra no hall da reitoria da universidade.

Para Tonera, Santa Cruz de Anhatomirim, Santo Antônio de Ratones e São José da Ponta Grossa são de fundamental importância para a Capital e o Estado. “Engenheiros militares como Silva Paes, que é autor do projeto das quatro principais fortalezas do Estado e projetou também a primeira do Rio Grande do Sul, são os nossos primeiros arquitetos, os primeiros urbanistas”, lembrou Tonera, acrescentando também que Silva Paes projetou a Catedral Metropolitana de Florianópolis e o Museu Cruz e Sousa.

As fortalezas da Ilha de Santa Catarina são importantes documentos históricos, e “podem servir ainda como difusão da cultura, educação patrimonial e turística da Capital”, finalizou Tonera, que acredita que as fortalezas ainda servirão como um campus avançado da UFSC. 

A universidade já cuida das fortalezas há 36 anos, quando deu início às pesquisas e ao trabalho de restauração da Fortaleza de Anhatomirim. Na década de 1990 as outras fortificações foram incluídas no projeto. “Não tem outra instituição no Brasil que trabalhe com fortalezas desta forma ininterrupta como a UFSC, com ações continuadas, permanentes, pesquisas, documentações e a difusão do material na internet”, enfatizou o especialista.

“As defesas da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro em 1786”. De: Roberto Tonera e Mário Mendonça de Oliveira . Editora: EdUFSC. 224 págs. R$ 30

O quê: lançamento do livro “As defesas da Ilha de Santa Catarina e do Rio Grande de São Pedro em 1786”
Quando: 15/7, 19h
Onde: Hall da Reitoria da UFSC, Trindade, Fpolis
Quanto: gratuito

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