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Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
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Jurerê Jazz Festival traz 22 shows para Florianópolis até maio

Entre os destaques, estão a diva do jazz, Leny Andrade, e o show de encerramento, com BossaCucaNova e Monobloco

Karin Barros
Florianópolis
Divulgação/ND
O BossaCucaNova traz um caldo bem brasileiro com samba, maracatu, rock, funk, soul


Há seis anos o ritmo do jazz vem sendo lembrado em um evento exclusivo em Florianópolis: o Jurerê Jazz. O festival, que começou na última quarta-feira e segue até 1o de maio, terá ao todo 22 apresentações, sendo 16 gratuitas e abertas ao público em geral. No ano passado, de acordo com Abel Silva, 41, idealizador e coordenador do festival, mais de 50 mil pessoas passaram pelo evento, e o grande destaque ficou por conta do grupo cubano Buena Vista Social Club, que finalizou a última turnê da história da banda em Florianópolis. Para Abel, não são só os fatores música e jazz que levam ao sucesso de público. “É o fato de ser um evento outdoor. É um conjunto de coisas, como o uso das praças públicas e o Open Shopping, por exemplo. As pessoas vão pela experiência, a convivência com o outro, com o novo. A música estimula isso e Floripa pede”, diz, lembrando que ao chegar à cidade, vindo de Brusque, não entendia por que não havia um evento como esse na região.

Novidade no evento 2016 é a inclusão de mais três locais de apresentações, que podem atrair público diferente daqueles acostumados ao jazz: Second, P12 e Donna Dinnig Club. “Resolvemos ampliar não só o tipo e o gênero musical, mas também ocupar espaços que tradicionalmente o jazz não chegaria”, afirma. O P12, inclusive, será o cenário de encerramento do evento, com um show que colocará no palco duas grandes bandas do instrumental: Monobloco e Bossacucanova. Um show exclusivo, e animado, garante Marcelinho da Lua, um dos integrantes do Bossa. “Estamos ensaiando muito. Será algo bem diferente do que as pessoas estão acostumadas, com clássicos de ambas as bandas, mas como nunca são os mesmos integrantes das bandas, o show varia muito”, acrescenta o músico.

Outros lugares de Florianópolis também terão apresentações, entre gratuitas e pagas, do Jurerê Jazz, são eles: Jurerê Open Shopping , Boteco Jurê, Teatro Álvaro de Carvalho, Teatro Ademir Rosa (CIC) e IL Campanario Villaggio Resort.

VLADIMIR FERNANDES/Divulgação/ND
Expoente guitarrista  Nuno Mindelis tocará neste sábado, na noite que se abre ao blues


O line-up deste ano é composto por renomados artistas internacionais, como Phillippe Cohen Solal – que já tocou na sexta-feira – e o Duo Finlândia. Entre as atrações nacionais estão The Ipanemas, Carlos Malta, Pife Muderno, Nuno Mindelis, Bossacucanova, Monobloco, Gabriel Grossi, Solon Fishbone e Marcelinho da Lua.

Santa Catarina é reconhecida pelo talento na música instrumental, por isso, talentos regionais, catarinenses e da Ilha também terão espaço para mostrar os seus trabalhos. Estarão presentes: Souvenir, Fernando Bailão, Rivo Trio, Moods + Emília Carmona, No Dorso do Rinoceronte, TBZ Blues, Cristiano Ferreira, Coletivo T.A.E., Ricardo Capraro Quinteto, entre outros. Abel ressalta também que trazer músicos da região foi um caminho natural. “Trabalho com música há 26 anos, fiz muitos amigos aqui, e acabei unindo tudo isso”, explica.

Kazuo Kajihara/Divulgação/ND
Jazz com eletrônico do Duo Finlândia, formado pelo argentino Mauricio Candussi e o brasileiro Raphael Evangelista


Jazz como base

Uma das características do Jurerê Jazz Festival deste ano é justamente trazer variadas batidas para a programação. São artistas renomados que têm como base o jazz, porém, partem dele para outras denominações da música. É o caso do Duo Finlândia, uma das atrações internacionais, já que Mauricio Candussi, 36, é argentino, e Raphael Evangelista, 36, é brasileiro de Belo Horizonte. A dupla surgiu em 2010, quando Candussi, que já fazia apresentações instrumentais, procurou Evangelista no Brasil.

O duo subirá ao palco na terça-feira (26), no Teatro Ademir Rosa, no CIC, às 19h30, acompanhados de um acordeón, um piano, um violoncelo e um computador. O último é o que traça a veia principal da dupla: o eletrônico. Da música lounge e instrumental, eles evoluíram para uma fusão de ritmos e sonoridades de América do Sul, folk eletrônica e jazz.

Já fizeram shows na França, Argentina, Alemanha, Finlândia, Andorra, e mais outros 13 países. Para Florianópolis, trazem o show do álbum “Mundo Rural”, resultado de uma pesquisa no interior do país. “São músicas de campos, das fazendas, longe das cidades grandes. Ele foi lançado em 2015, mas esse ano traremos extensões desse projeto. Foi uma realização muito grande esse CD, que traz talentos como o das lavadeiras de Jequitinhonha (MG), que lavam as roupas cantando. Tem gente do Brasil inteiro”, explica Evangelista, sobre a mistura da música tradicional brasileira com o eletrônico.

Outro artista reconhecido internacionalmente por seu talento é Nuno Mindelis, 58. Nascido em Angola, mas morando no Brasil desde pequeno, ele não nega as raízes do blues, mas garante que hoje seu show é mais rock. Ele traz para a Capital, neste sábado à noite, o show do álbum “Angels and Clowns”, gravado e produzido nos Estados Unidos. “Produzido pelo colaborador do Bob Dylan, Duke Robillard, é um disco que mudou muita coisa em mim. É um obstáculo que consegui superar, um paradigma. Não é um disco de músico, isso é um pouco egoísta, é para o público”, afirma ele, explicando um pouco da aceitação espontânea das rádios pela seu som mais pop rock.

Divulgação/ND
Em 27/4. A grande intérprete do jazz Leny Andrade e Banda Sambop tocam no CIC


Modéstia de diva

Entre os shows mais esperados do festival deste ano está o da diva do jazz Leny Andrade. Aos 73 anos, a carioca afirma que não para em casa e conhece o mundo inteiro, “graças a Deus”. Pela primeira vez no evento, mas não a primeira na cidade, acredita que o show será inesquecível, como sua última oportunidade – que não lembra ao certo a data – na cidade. O show, que ocorre na próxima quarta-feira, no CIC, será acompanhada da banda Sambop, que, segundo ela, é “um sexteto danado”.

Perguntada sobre o repertório, ela não antecipa nada. “Não preparo o show, tenho muito repertório com todo mundo. Modéstia a parte, esperem o melhor, porque vou com os melhores músicos do Brasil”, comemora Leny.

A cantora é considerada uma das melhores intérpretes vivas de jazz no mundo, o que lhe rendeu o título de “Sara Vaughan do Brasil” pelo New York Post, e confessa que existe segredo. “Não beba nenhum tipo de álcool, de vinho a cerveja, nada. E durma muito. Você tem que ter tesão pela sua voz. Se eu não me arrepiar pela minha voz, prefiro não gravar”, enfatiza.

Ela começou a cantar aos 15 anos, e fez sua estreia como cantora profissional em night clubs. Em um curto período de tempo, ganhou fama e se tornou uma das cantoras mais populares do país. Na década de 1980, passou a ser convidada anualmente para turnês nos Estados Unidos e na Europa. Entre seus prêmios, Leny tem a estatueta do Grammy Awards na América Latina de 2007, pelo seu disco “Ao Vivo”, gravado em conjunto com o pianista César Camargo Mariano, e arrisca dizer que deve ganhar outro prêmio pelo novo álbum, “Alegria de viver”.

Batida que une

Marcelinho da Lua é desses artistas super versáteis, que estarão no Jurerê Jazz com dois shows, um single, na Second, dia 29 e 30, e um com o grupo que participa, o Bossacucanova, no dia 1º de maio, que fecha o festival.

Ele começou na música aos 22 anos, e como ele mesmo define, “fiz o trajeto contrário”, começando como roadie, aprendendo a produzir e posteriormente adentrou a carreira de DJ. Hoje ele grava, mixa, compõe e produz eventos. Para a apresentação solo na cabine de DJ, ele quer sentir o espírito do jazz. “Vou tentar surpreender as pessoas, trazer músicas dançantes. Gosto de pegar as pessoas de surpresa, gosto de mexer com as emoções”, afirma.

Já com a banda, o show promete ser um encontro musical para a história das apresentações mais criativas e empolgantes da casa. O espetáculo trará a mistura da modernidade do Bossacucanova com a energia do Monobloco, fazendo releituras muito especiais de clássicos da música brasileira. “Estamos chamando de Monobossa”, brinca Marcelinho.

O Bossacucanova é liderado pelo trio de produtores Alex Moreira, Marcelinho Da Lua e Marcio Menescal, que junto com outros músicos de alto calibre, unem passado e presente. “Misturamos clássicos da bossa nova gravado pelos cariocas, como Roberto Menescal e Carlos Lyra. Viajamos já para a Austrália, Japão, África, Singapura, e países da Europa”, explica. Marcelinho também conta que a banda tem um lado mais de produtor também, gravando com nomes, como Maria Rita, Teresa Cristina e o próprio Monobloco, porém, essa é a primeira vez que se apresentarão juntos.

O Monobloco é consagrado por incorporar diversos ritmos e estilos musicais à batida do samba. Resgata clássicos, pérolas da MPB, marchinhas e canções do imaginário pop, ao mesmo tempo em que traz composições inéditas, novos estilos e batidas. O álbum mais recente, lançado em 2013, chama-se “Arrastão de Alegria”, nome da faixa-título que abre o disco e traz um resumo da história bem-sucedida de mais de uma década de palcos.

Locais do evento 

Jurerê Open Shopping, av. das Raias, 400, Jurerê Internacional

Donna Dinning Club, av. dos Pampos, s/nº, Jurerê Internacional

Boteco Jurê, av. dos Búzios, 1.800, Jurerê Internacional

Teatro Álvaro de Carvalho (TAC), rua Marechal Guilherme, 26, Centro

CIC, avenida Irineu Bornhausen, Agronômica

IL Campanario Villaggio Resort, av. dos Búzios, 1.760, Jurerê Internacional

Second, avenida dos Búzios, 1.800, Jurerê Internacional

P12, servidão José Cardoso de Oliveira, Jurerê Internacional

Serviço 

O quê: Leny Andrade e Sambop
Quando: 27/4, 21h
Onde: Teatro do CIC, avenida Irineu Bornhausen, Agronômica
Quanto: R$ 120 e R$ 60 (meia)

O quê: BossaCucaNova e Monobloco
Quando: 1/5, às 14h
Onde: P12, servidão José Cardoso de Oliveira, Jurerê Internacional
Quanto: R$ 60

O quê: Nuno Mindelis
Quando: 23/4, 20h
Onde: Jurerê Open Shopping, av. das Raias, 400, Jurerê Internacional
Quanto: gratuito 

O quê: Duo Finlândia
Quando: 26/4, 19h30
Onde: TAC, rua Marechal Guilherme, 26, Centro, Fpolis
Quanto: R$ 20 e R$ 10 (meia)

O quê: Marcelinho da Lua
Quando: 29 e 30/4, 23h
Onde: Second, avenida dos Búzios, 1.800, Jurerê Internacional
Quanto: a partir de R$ 30 (fem) e R$ 50 (masc)

Confira a programação completa em www.jurerejazz.com

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