Publicidade
Quarta-Feira, 21 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 26º C
  • 17º C

Jovem curadora catarinense apresentará exposição na SP-Arte, maior feira de falerias do Brasil

Kamilla Nunes tem 23 anos e um currículo de destaque como curadora de artes

Carol Macário
Florianópolis
Pedro Alípio / Divulgação/ ND
Kamilla foi uma das quatro selecionadas de todo Brasil para projeto com jovens curadores

 

A próxima edição da SP-Arte, maior feira de galerias de arte do Brasil, terá uma jovem catarinense no time de curadores. Kamilla Nunes, 23, foi uma das quatro selecionadas para fazer a curadoria de uma exposição durante o evento. A SP-Arte começa no dia 10 de maio, no pavilhão da Bienal de São Paulo.

É a primeira vez em oito anos que a feira organiza esse tipo de programa voltado para jovens. Também é inédito em Santa Catarina a atuação quase militante de um profissional especializado em conceber, montar e supervisionar exposições de arte. No Estado, a curadoria de arte gera frustrações na classe artística por andar em marcha lenta e por não existir nem mesmo especialização específica. “Aqui os próprios diretores de museu fazem curadoria. Mas esse profissional que finca os pés e se especializa é raro”, afirma Kamilla. Muitos são artistas e atuam também como curadores, como é o caso do artista plástico Fernando Lindote. “Acaba sendo uma figura mesclada”, diz.

Kamilla é natural de Florianópolis, entrou para a faculdade de artes visuais na Udesc (Universidade de Santa Catarina) em 2006, e desde o primeiro ano já sabia sua vocação. “Sempre achei curioso observar as obras de arte dentro de um espaço”, diz a jovem. “Gosto desse processo de pensar as obras juntas e depois o resultado final.”

No começo do curso acadêmico, Kamilla entrou para um projeto de pesquisa, em que a professora responsável, Rosângela Cherem, propôs uma cocuradoria no Memorial Meyer Filho, no Centro da Capital, instituição cultural criada para divulgar e zelar a obra do artista modernista Ernesto Meyer Filho (1919-1991) e sediar exposições de arte moderna e contemporânea. Em 2008, ela se tornou diretora e curadora residente do espaço.

“Às vezes não digo a minha idade para não causar conflito”, admite. “Mas tenho trabalhado só com pessoas legais e que respeitam”, diz. Mesmo que idade não tenha a ver com competência, parece que o truque tem funcionado. Entre 2007 e 2011, Kamilla assinou mais de 18 projetos de curadoria, além da vasta programação do Memorial Meyer Filho e dezenas de publicações. Dentre as mostras de destaque estão “A extensão das coisas”, no Memorial Meyer Filho, “Faça algo errado, e diga que fui eu que mandei fazer”, na galeria do Sesc (Serviço Social do Comércio) de Joinville; “Ó lhó lhó”, mostra de vídeo arte na Sessão Corredor do Ateliê 397; “Bestiário” exposição individual de Meyer Filho, na Galeria Municipal da Fundação Cultural de Joinville e “Teleplastias”, exposição individual de Walmor Corrêa, na Fundação Cultural Badesc.

Santa Catarina padece de cursos voltados para a área

Kamilla Nunes entrou para a faculdade de artes visuais, mas nunca teve um trabalho seu de arte. “Não me dedico a produzir. Sou apaixonada por arte, e foi essa forma, a curadoria, que encontrei para trabalhar com isso”, esclarece. Porém, nos cinco anos de academia, não há sequer uma disciplina voltada para a área. “Aproveitava as cadeiras de história da arte, por exemplo, para estudar e adaptar às minhas pesquisas e projetos curatoriais”.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade