Publicidade
Domingo, 23 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 27º C
  • 18º C

Jovem bailarino pede ajuda para estudar em escola russa na qual Mikhail Baryshnikov frequentou

Evandro Bossle foi selecionado para estudar na Vaganova Ballet Academy

Marciano Diogo
Florianópolis
Daniel Queiroz/ND
Evandro Bossle criou uma vaquinha on-line para as pessoas contribuírem para custear a formação na prestigiada escola

Mesmo com as sapatilhas um pouco gastas, Evandro Bossle não cansa de repetir o fouetté, rodopio específico do balé. Perfeccionista, o jovem natural de Florianópolis de apenas 17 anos de idade foi recentemente selecionado para estudar na Vaganova Ballet Academy, escola de balé localizada em São Petersburgo, na Rússia, com 275 anos de tradição. O dançarino estudou durante oito anos na Escola Bolshoi no Brasil, em Joinville, e agora busca reunir U$ 21.700 para conseguir realizar a formação internacional.

Evandro, até agora, é o único bailarino brasileiro homem selecionado para estudar na Vaganova, escola onde o ator e dançarino Mikhail Baryshnikov frequentou. O garoto busca pelo menos adquirir a primeira parcela do valor necessário – cerca de U$ 7.300 – para estudar em uma das melhores escolas de balé do mundo. Para isso, conta com a ajuda de amigos e desconhecidos. “Compartilhei na rede social e um colega deu a sugestão de criar uma ‘vaquinha’ on-line para todos que quiserem me ajudar”, conta o garoto, que tem esperança de conseguir arrecadar o dinheiro até a primeira semana de novembro.

Evandro soube que a Vaganova Ballet Academy selecionava bailarinos do mundo inteiro ainda em agosto, e enviou um vídeo e fotos para escola no início de setembro questionando se poderia fazer a audição à distância. Diante do material, a academia deu o aval positivo e convidou o rapaz para ser um de seus estudantes. “Eu custei a acreditar que havia sido aprovado. Agora que consegui, sigo com fé acreditando no altruísmo das pessoas para me ajudar”, relata o bailarino.

O curso na Vaganova tem dez meses de duração. “Depois eles realizam uma avaliação de rendimento, e se eu for aprovado, a partir daí a escola começa a subsidiar a minha estadia no país”, conta o dançarino. Para ele, o Brasil ainda tem pouco investimento em dança. “Não faltam bailarinos brasileiros talentosos, porém muitos não se projetam a nível internacional porque falta incentivo”, lamenta.

Paixão e rigor

A vontade de dançar foi despertada por sua irmã mais nova quando ainda era pequeno. “Eu praticava artes marciais, como judô e taekwondo, mas queria mesmo era fazer balé, e a auxiliava a fazer os passos de dança e os saltos”, relembra Evandro. Em 2006, quando tinha nove anos, convenceu seus pais a realizar um teste para a Escola do Teatro Bolshoi, em Joinville, e foi aprovado. “Eu tinha a vontade e a estrutura corporal necessária”, conta.


Durante oito anos Evandro morou em uma casa social com crianças de todo o país, e teve aulas de literatura musical, piano, história da arte e dança contemporânea e clássica. “No começo foi mais difícil porque tinha momentos que a saudade da família apertava. mas depois me acostumei com as lesões, dores e saudade. Tive um professor russo que me ensinou que o melhor remédio para dor é continuar dançando”, recorda Evandro.


Foi com o professor que Evandro começou a admirar o balé russo, e se interessou pela Vaganova. “Eles têm uma técnica artística que valoriza mais a história que está sendo contada, a partir dos movimentos da dança. ”, diz o bailarino.

 

Para contribuir com a formação de Evandro: www10.vakinha.com.br/VaquinhaE.aspx?e=297408

 

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade