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Jejum intermitente propõe ficar sem comer por até 36 horas: você aguentaria?

Em alta nas buscas do Google, a estratégia de emagrecimento é apoiada por nutricionistas da Grande Florianópolis

Karin Barros
Florianópolis
26/01/2018 às 09H38

No Brasil, o jejum intermitente foi a segunda maior busca no Google em 2017 na categoria “como fazer”. Também não é difícil encontrar artigos e reportagens que explicam o assunto e contam os famosos que já arriscaram a fórmula. O assunto parece novo, mas há milênios se reproduz o ato de jejuar, principalmente entre as religiões.

Em alta nas buscas do Google, a estratégia de emagrecimento tem apoio de nutricionistas - Eduardo Kanpp/Folhapress/ND
Em alta nas buscas do Google, a estratégia de emagrecimento tem apoio de nutricionistas - Eduardo Kanpp/Folhapress/ND


Na nutrição, o jejum chega como mais uma ferramenta de auxílio ao emagrecimento nos consultórios. Diferente da dieta, ele consiste na limitação voluntária do ato de comer. Com formatos de 16 até 36 horas sem comer, não é qualquer pessoa que pode fazer. A nutricionista clínica funcional Morgana Silva, 25, afirma que viu o crescimento na procura pelo jejum de um ano para cá e a incidência maior entre os jovens entre 15 e 35 anos. Contudo, para começar a jejuar é preciso ter os exames em dia e, principalmente, a cabeça.

A nutricionista esportiva Daniela Muniz coloca que mais que a questão física e bioquímica, é preciso prestar atenção no psicoemocional do paciente. “Como a pessoa se comporta perante o alimento é um fator determinante na maioria dos casos”, diz. Estar sem comer pode causar irritação, estresse, e até aumentar o nível de ansiedade quando o paciente volta a comer em horários normais, aumentando até o quadro de obesidade.

Os primeiros passos

Para iniciar o jejum intermitente, o primeiro passo é encontrar um profissional capacitado, como uma nutricionista ou um nutrólogo. Após fazer uma bateria de exames, se não for gestante, diabético tipo 1, ou tiver distúrbio alimentar, é a hora de iniciar uma reeducação alimentar. Após um período nesse sistema, aí sim pode começar o jejum. É importante saber que no momento em que for permitido ingerir alimentos, também não é a hora de comer qualquer coisa. O profissional passará uma lista de alimentos de acordo com o horário e objetivo do paciente.
Morgana reforça que durante o período sem comer, é importante saber as taxas de glicemia, insulina, colesterol e triglicerídio do corpo, para manter tudo balanceado. Durante a estratégia de emagrecimento, que pode ser intercalada a cada 30 dias ou mesmo virar um estilo de vida, são liberados a ingestão de água, café e chá sem açúcar, e somente em casos extremos de fome ou fraqueza, suco natural.

Reeducar o metabolismo

O empresário Guilherme Abilhôa, 35, é paciente de Daniela e por dois meses seguiu como estratégia de emagrecimento o jejum intermitente. Como resultado de até 14 horas sem comer, ele conseguiu a perda de 4% de gordura corporal. “Quando comecei o planejamento alimentar sabia que precisava reeducar o metabolismo, então a ideia de jejum parecia ser interessante, porque se encaixava na minha rotina, levando em consideração o controle emocional com a comida, e os desempenhos nos treinos que fazia à tarde”, diz Guilherme.

Após o término do jejum, ele afirma que a experiência lhe trouxe muita consciência alimentar, principalmente sobre diferenciar quando estava com fome e quando era apenas vontade de comer. “Tudo que nos faz sair da rotina e da zona de conforto requer um pouco de esforço, mas eu coloquei na cabeça que queria fazer. Se minha nutricionista achar interessante repetir, eu faria de novo para alcançar o meu objetivo”, finaliza ele.

Moda passageira

Sobre o jejum ser um estilo de vida, Daniela ressalta que isso vai de cada paciente, pois cada pessoa é um caso e se adapta de uma maneira, porém, entre os pacientes dela há uma mulher idosa que mantém o jejum ao longo da vida e está dando um banho de saúde. Sobre o efeito sanfona, ela reafirma a orientação capacitada ao jejum. “Pode ocorrer um revés, porque não se sabe que o que está acontecendo na parte bioquímica e metabólica. O jejum mexe muito com a questão hormonal, relacionado à fome, ansiedade e saciedade, porque trabalha de forma diferente a insulina, o testosterona, os hormônios de crescimento, principalmente no período da noite, quando se consegue ficar mais tempo sem comer”, aponta. Com a saúde em dia, lembrando que toda pessoa tem suas individualidades, essa privação pode acarretar em uma otimização hormonal, do GH e da insulina.

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