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Iva Giracca, a spalla da Camerata Florianópolis, retorna ao Rock in Rio neste domingo

A violinista gaúcha tem 40 anos, sendo 37 de experiência na música

Karin Barros
Florianópolis
23/09/2017 às 09H36

Iva Giracca tem na bagagem 37 anos de violino – isso que ela tem apenas 40 anos. Foi aos três anos de idade, assistindo uma orquestra na TV, que ela descobriu o instrumento gostaria de tocar. Iva pegou o violão que já havia ganhado e um pedaço de madeira e pôs no ombro. A mãe, surpresa, perguntou o que ela estava tentando fazer, e Iva simplesmente afirmou que era “aquilo” (ela não sabia o nome do instrumento) que queria aprender. O instrumento improvisado a levaria para uma trajetória dos sonhos para muitos músicos.

Iva Giracca, Spalla da Camerata Florianópolis - Daniel Queiroz/ND
Em três tempos: violinista vai do erudito e clássico ao rock com desenvoltura a atitude - Daniel Queiroz/ND

A musicista é gaúcha de Santa Maria, mas mora em Florianópolis há quase 15 anos, deles, quase 14 são dentro da Camerata Florianópolis, uma das orquestras de câmara mais respeitadas do país; fez ainda participações em diversos grupos e está indo pela segunda vez para o palco do Rock in Rio. Por grande incentivo da mãe, Iva fez o método Suzuki de ensino, criado por um japonês para ensinar violino a crianças.

Quando chegou à capital catarinense, se dedicou a Ossca (Orquestra Sinfônica de Santa Catarina), porém, ao saber de uma vaga na Camerata, arriscou, conquistou o grupo e conseguiu entrar. Paralelo ao trabalho na orquestra, Iva também atua na banda da Capital, Anjo Mal.

Há pelo menos quatro anos, Iva é o Spalla da orquestra, uma das posições mais importantes no grupo, e que já teve experiência em outras orquestras. Spalla é o nome dado ao primeiro-violino. Ela senta sempre na primeira cadeira à esquerda do maestro e é responsável pela afinação da orquestra, antes da entrada do maestro. O Spalla também é responsável pela execução de solos de violino. Pode atuar como regente substituto, e é ele quem transmite as orientações do maestro, e também quem deve marcar as arcadas e dedilhados. Por isso, não é difícil reconhecer Iva no palco.

Iva Giracca, spalla da Camerata Florianópolis - Daniel Queiroz/ND
Foto Daniel Queiroz/ND


Nova oportunidade

Iva é super vaidosa. Sempre sobe ao palco com uma maquiagem bem produzida – por motivos de luz forte, e claro, beleza – um figurino arrasador e uma postura digna de diva. A maquiagem, ela mesma faz. O cabelo também. As unhas, muito mais, porque qualquer corte errado ou cutícula machucada pode dificultar seu ofício.

O último trabalho manual de Iva tem um toque especial de ansiedade com cuidado com o momento. Iva fez a própria saia de couro em que subirá ao palco Sunset do Rock in Rio 2017 ao lado da banda Republica, de rock progressivo, neste domingo (24), às 18h. Esta é a segunda participação da violinista no evento. A primeira foi ao lado da Camerata Florianópolis, em 2015, quando o grupo tocou com ninguém menos que Steve Vai, o mestre das guitarras.

Dessa vez, o convite partiu de Paulo Fellin, vice-presidente artístico do Rock in Rio e produtor da banda paulista Republica, que ligou para Iva em maio com a ideia de juntar os dois trabalhos. “Tivemos dificuldade em conseguir dias livres por causa das agendas, mas fizemos um final de semana de ensaios apenas e nunca mais. Fiquei mais em contato com o baterista, que me passou as músicas e me deixou livre parar criar. Quando cheguei ao estúdio, fiz o que me vinha a cabeça, umas coisas eles gostaram, outras pediram para mudar”, coloca ela.

Iva diz que se identificou com o repertório, pois o rock tem uma energia diferente da música erudita, e que ficou impressionada com o profissionalismo da banda, que tem o próprio estúdio, instrumentos de primeira linha e um road para cada integrante. Coisas que para um músico de nível nacional parecem normais, mas para grupos que estão ainda em ascensão parece um lugar a ser alcançado. “Espero que seja tão divertido quanto a primeira vez. Mas a gente parece criança esperando o Natal (risos). Minha sorte é que a Camerata tem muito trabalho, e eu ocupo muito a minha cabeça”, confessa ela, sobre o nervosismo de subir novamente ao palco Sunset. 

Iva Giracca, spalla da Camerata Florianópolis - Daniel Queiroz/ND
Foto Daniel Queiroz/ND


Eclética como a Camerata

A trajetória precoce de Iva que a levou aos 11 anos estar entre os músicos da orquestra sinfônica de Santa Maria (RS) e aos 12 dar aulas de violino, levou também ao caminho natural de cursar a faculdade música.

Apesar de escutar todo o tipo de música em casa, foi na UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) que teve contato com outros estilos musicais. “Nunca foi dito na minha casa que música erudita era boa e o resto não, mas lá [na faculdade] eu aprendi que música era muito mais do que minha cabeça achava na adolescência”, afirma.

Talvez por isso Iva tenha se encaixado tão bem com as propostas do maestro Jeferson Della Rocca, que de forma ousada ao lado de seus arranjadores Luiz Zago e Alberto Heller, na Camerata, constroem tantos espetáculos ecléticos e versáteis. “Imagina a minha felicidade de poder dentro de uma orquestra tocar músicas que eu já gostava, já fazia informalmente em apresentações extras, e ainda desfrutar do contato com esses músicos maravilhosos, como o Lenine e Steve Vai”, confessa ela animada.  

Mesmo dona de um talento incontestável na música, Iva diz que teve muita sorte no caminho. “Na minha vida as coisas sempre foram caindo no meu colo. Nunca fui aquela pessoa de criar as expectativas para elas acontecerem. Sempre achei que as coisas vão acontecendo no momento que tem que acontecer. Ai é mais complicado para lidar, porque minha vida é uma bagunça. Mas eu sempre considerei qualquer coisa uma oportunidade”, finaliza a violinista.

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