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Intercâmbio para a melhor idade: quem fez conta como foi a experiência e recomenda

As amigas Cecília Carvalho e Solange Cechinel se aposentaram e experimentaram estudar inglês em Malta

Karin Barros
Florianópolis
14/08/2018 às 14H30

Depois de uma vida atarefada, com horários a cumprir e muitos compromissos chega finalmente a sonhada aposentadoria. Para alguns, o momento é de descansar e aproveitar os frutos de tanto trabalho. Uma das opções é viajar, e não apenas viajar para conhecer novas culturas, mas sim outras línguas, fazendo curso de idiomas no exterior por meio de intercâmbio.

Cecília Carvalho viajou para Nova Zelândia e Malta para estudar inglês e também contatar outras culturas - Daniel Queiroz/ND
Cecília Carvalho viajou para Nova Zelândia e Malta para estudar inglês e também contatar outras culturas - Daniel Queiroz/ND


A procura é comum entre jovens de 18 a 26 anos, que querem aprender idiomas para o mercado de trabalho, contudo, a melhor idade/os mais maduros/mais experientes ou apenas idosos também aparecem nessa busca.

O intercâmbio para idosos é algo novo e ainda com baixa procura, porém, quem faz parece não querer mais parar. Segundo o presidente da Intercultural em Florianópolis, Felipe Jendiroba, a agência de viagens costuma combinar o curso de idiomas com uma atividade cultural ou de lazer. Eles buscam ainda colocar essas pessoas em turmas com idades mais avançadas, que tenham interesses em comum.

Cecília Aparecida Carvalho, 66, se aposentou por definitivo em 2015, e já quis emendar o fim das cargas horárias como consultora de patrimônios pelo país com um intercâmbio de três meses na Nova Zelândia. “Eu sempre priorizei apoiar meu filho nas viagens, no intercâmbio que fez para o Japão, em seus estudos. Eu não queria aposentar e ficar parada, queria aprender mais”, diz ela, que é natural de Urubici, mas moradora de Florianópolis.

Na Nova Zelândia, Cecília morou com uma família onde podia participar – mesmo que pouco – da rotina local. Felipe explica que é possível escolher entre morar nas residências estudantis, em apartamentos locados ou em casas de famílias (não sendo necessário que alguém venha ficar em sua casa no Brasil). As aulas nessa época eram separadas pelo nível do idioma de cada aluno, e as aulas aconteciam das 9h às 15h, com almoço dentro da escola.

Viagem de estudos e amizade

Com quatro passaportes quase completos, em 2017, Cecília partiu para mais uma aventura, dessa vez acompanhada de duas amigas para Malta, país no sul da Europa. Por um mês elas cursaram inglês e por mais um mês optaram por passear e conhecer melhor a cidade, que, segundo a historiadora, é do tamanho de Florianópolis.

Solange Cechinel foi a Malta e já programa outra viagem para 2019 - Daniel Queiroz/ND
Solange Cechinel foi a Malta e já programa outra viagem para 2019 - Daniel Queiroz/ND


Sempre visando aprimorar ainda mais o idioma, no país europeu a aposentada pode ter contato com pessoas de origens diversas, um dos pontos altos de quem opta por fazer intercâmbio na Europa. Uma das amigas que viajou junto, Solange Cechinel, 65, lembra de ter conhecido uma senhora de 76 anos, natural da Alemanha, que foi um grande incentivo nas aulas.

Solange já conhecia alguns países quando resolveu partir para um intercâmbio. Preferiu ir com amigas para se sentir mais segura e à vontade com pessoas conhecidas em um apartamento alugado. “Era um sonho da adolescência, e depois que fiquei viúva, nada mais me impedia”, diz ela, que procurou pesquisar bastante antes de fazer a viagem.

A família achou loucura no começo, mas Solange, que preferiu ficar só um mês no intercâmbio, afirma que foi muito tranquilo, e que no final se arrependeu de não ter ficado mais. Contudo, a bancária aposentada já está programando o próximo intercâmbio, que deve acontecer em 2019.

Sempre é possível 

Com a vida bem agitada que tinha antes da aposentadoria, Cecília não conseguia tempo hábil para viagens desse nível, por isso acabava passando apenas alguns dias viajando como turista. “Hoje eu recomendo muito esse tipo de viagem, e só não fiz outra ainda por causa da desvalorização da nossa moeda e da alta do dólar”, conta. “Eu vi que é possível mesmo na nossa idade, com as nossas limitações, fazer longas viagens”, complementa Solange.

A bancária afirma que escolheu fazer o passeio de estudos por uma agência de viagens justamente pelo medo de contratempos e segurança. O presidente da Intercultural diz que viagens agenciadas têm diversas vantagens, como documentação, visto, encaminhamento das matrículas para as escolas, parcelamentos. “Trabalhamos com escolas de idiomas conhecidas, que são credenciadas pelos órgãos internacionais, que fazem um trabalho sério”, aponta.

SERVIÇO 

Saiba alguns dos valores para os locais mais procurados pela Intercultural*
Florença (Itália): R$ 6.468,37
St Julian’s (Malta): R$ 6.687,80
Oxford (Inglaterra): R$ 6.412,61

*Valores por duas semanas sem passagens aéreas (inclui o curso e acomodação)

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