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Instituto Histórico e Geográfico discute cultura e imigração no mês do 120º aniversário

Instituto reúne amplo acervo de documentos, mapas, fotos e jornais que são fontes de consulta permanente de pesquisadores, estudantes e público em geral

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
27/09/2016 às 10H00

O mês de setembro marca o 120º aniversário de criação do IHGSC (Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina), a entidade cultural mais antiga do Estado. Além de congregar historiadores, geógrafos, antropólogos, arqueólogos e etnólogos e de publicar obras nestes campos do conhecimento, o Instituto reúne um amplo acervo de documentos, mapas, fotos e jornais que são fontes de consulta permanente de pesquisadores, estudantes e até de pessoas que buscam informações sobre antepassados e a genealogia familiar. Além disso, o IHGSC participou de momentos importantes da história catarinense, como ocorreu quando seu fundador, José Arthur Boiteux, foi a Portugal atrás de documentos, mapas e plantas que embasassem a defesa de Santa Catarina na questão de limites com o Paraná – batalha jurídica cuja conclusão completa um século em 2016.

Presidente do instituto, Augusto César Zeferino, organizou a programação de aniversário - Flávio Tin/ND
Presidente do instituto, Augusto César Zeferino, organizou a programação de aniversário - Flávio Tin/ND



Para festejar os 120 anos, o Instituto organizou uma série de eventos que terminam esta semana com o lançamento de seis livros e da 34ª edição de Revista do IHGSC, na noite de hoje (ver programação abaixo), e a realização de cinco palestras na quarta-feira, sempre na sede da entidade, a Casa José Boiteux (av. Hercílio Luz, 523, Centro), em Florianópolis. Um dos destaques é a presença do jornalista açoriano João Gago da Câmara, que lança nesta terça-feira o livro “Dos vulcões ao Desterro”. Amanhã, o professor Artur Teodoro de Matos, nascido nos Açores e radicado em Lisboa, fará uma palestra sobre a vinda dos açorianos no século 18 para o Sul do Brasil. Também haverá uma conferência do professor Angel Espina Barrio, da universidade de Salamanca, na Espanha, e uma exposição cartográfica com 25 mapas que teve a curadoria do historiador e cartógrafo José Manuel Jesús Hidalgo.

O presidente do Instituto, Augusto César Zeferino, ressalta que o acervo bibliográfico, formado por quase 100 mil volumes, foi formado a partir de doações, como vem ocorrendo com os livros da biblioteca particular do historiador Oswaldo Rodrigues Cabral, cedidos por sua sobrinha, a também historiadora Sara Regina Poyares dos Reis. “No início, a elite intelectual do Estado fazia parte do Instituto, reunindo inclusive escritores, porque a Academia Catarinense de Letras surgiu bem depois”, diz ele. Essas figuras ilustres eram membros do Instituto e foram responsáveis também pela formação dos acervos da fototeca (são mais de 20 mil imagens), da hemeroteca e da mapoteca.

Projetos dependem de mais recursos

Um dos pontos altos da trajetória do Instituto foi a realização, em 1948, do 1º Congresso de História Catarinense, que comemorou os 200 anos da colonização açoriana no Estado e mudou radicalmente a concepção sobre a imigração e a própria figura ao colonizador. “Durante muito tempo ser açoriano ou descendente dele era pejorativo, e o congresso, que teve mais de 100 trabalhos apresentados, mudou isso”, conta Augusto César Zeferino. A ciência da área passou a receber outro tratamento e novos eventos e seminários começaram a discutir o processo migratório. Apesar das tentativas, nunca foi possível realizar a segunda edição do congresso.

Em 2012, o IHGSC promoveu no Rio de Janeiro o Colóquio Nacional do Contestado, em parceria com o Ministério Público de Santa Catarina. Durante três anos, também realizou na Câmara dos Deputados, em Brasília, sessões solenes sobre figuras catarinenses como o poeta Cruz e Sousa, o político Lauro Severiano Müller e a guerra do Contestado. O Instituto publica a Revista do IHGSC e boletins periódicos com notícias recentes e informações de interesse dos sócios, e mantém a série Catariniana, com ensaios sobre temas catarinenses. Um convênio com as universidades dos Açores e de Salamanca permite a oferta de programas de mestrado e doutorado para catarinenses na Europa.

Há outros eventos e publicações nos planos do presidente, que muitas vezes ficam no papel por falta de recursos. Por lei, cabe ao governo do Estado a função de garantir a manutenção financeira, técnica e administrativa do Instituto, mas ele não tem cumprido a contento a sua parte, deixando de repassar as verbas que poderiam tornar mais dinâmica a atuação da entidade.

 

Lançamento de livros (*)

“Dos vulcões ao Desterro”, de João Gago da Câmara

“Farpas de Açorianópolis”, de Nereu do Vale Pereira

“Florianópolis – Análise geo-histórica e glossário toponímico”, de Augusto César Zeferino e Nereu do Vale Pereira

“Nossa Senhora do Desterro – Primeiros anos”, de Eleutério Nicolau Conceição

“A colônia comunitária de jovens Heimat-Timbó”, de Valberto Dirksen

“A maluca viagem de Dom Pedro I ao Sul do Brasil – Guerra Cisplatina – 1826”, de Nelson Adams Filho

“Revista do IHGSC nº 34”

 

Abertura da exposição cartográfica “Olhares europeus sobre o Brasil meridional”

(*) Terça-feira, às 19h

 

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