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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Infográfico mostra os planos para o futuro do Museu da Escola Catarinense

Com espaço destinado a ele desde 2000, o museu nunca abriu as portas oficialmente. A coordenadora atual tenta acelerar esse processo

Carolina Moura
Florianópolis
Luiz Evangelista/ND
Administrado pela Udesc, prédio tem um grande projeto de restauro, mas com alguns reparos pode ficar apto à visitação

 

O prédio que abrigou a Escola Normal Catarinense e depois a Faed (Faculdade de Educação e Ciências Humanas) da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina, no número 196 da rua Saldanha Marinho, ainda mantém as portas fechadas. Destinado pela universidade à instalação do Museu da Escola Catarinense em 2000, ele nunca chegou a ser estruturado para funcionar como tal, e agora a coordenadora atual, Sandra Makoviecky, procura fazer o possível para tornar o espaço apto a receber visitantes. Isso já acontece gradualmente – quem vai até a porta e bate, é atendido e pode conhecer as duas salas já montadas com exposições permanentes.

Atualmente, o espaço é usado para cursos e capacitações da universidade e de instituições ligadas à arte e museologia, como o vizinho Museu Victor Meirelles, com o qual mantém parceria. No ano passado o vão central do prédio também foi palco da montagem de “O Fantasma da Ópera” do programa de extensão Viva Voz, da Udesc, que teve bastante procura. “A gente pode ceder o museu para mais atividades como essa. Mas para isso precisamos fazer alguns reparos”, diz a diretora.

A ausência de atividades no museu antes da gestão atual não significa que as anteriores tenham ficado paradas. A última delas se dedicou a elaborar o projeto de restauração do prédio, tombado em sua totalidade – tanto no exterior quanto no interior. Ele contempla um restauro completo do prédio, inclusive com uma pesquisa para torná-lo mais próximo do original, desfazendo mudanças realizadas ao longo dos anos. O subsolo também seria reformado para receber visitantes, mostrando a estrutura da construção. Mas como é uma obra de grande porte e de grande orçamento, ainda não há previsão para que seja realizada. E Sandra quer colocar o espaço para funcionar sem ter que esperar.

“Quero transformar isso em um espaço vivo e cultural”, diz ela. Com o projeto arquitetônico pronto, sua função é de definir as atividades do museu. Entre seus planos há propostas de médio e longo prazo, mas sua ideia é fazer reparos pontuais, sem alterações estruturais, para que o prédio fique em condições de uso prontamente. Isso passa principalmente pela pintura das paredes e troca dos forros das salas. “É possível trazer o museu ao uso pleno com poucos recursos”, diz Sandra, que recebeu o compromisso do reitor em tentar agilizar essas pequenas obras este ano. Com a diminuição da arrecadação de ICMS pelo Estado no ano passado, porém, diminuiu o repasse à Udesc. “E a área mais afetada, como sempre, é a área cultural. Em 2012 não houve nenhum investimento neste espaço.” Então tudo esbarra na previsão da arrecadação este ano, no repasse que será feito à universidade e em como ele será aplicado.

Contratação de funcionários

Atualmente, o Museu da Escola Catarinense tem três funcionários efetivos – todos da área administrativa. A principal dificuldade para contratação é que o plano de cargos e salários da universidade não contempla funções específicas necessárias para a operação de um museu, como museólogo e técnico de restauração. Enquanto o plano não é alterado – o que precisa passar pela Assembleia Legislativa –, Sandra trabalha para contratar os profissionais por processos alternativos, já em trâmite na universidade. A prioridade é a contratação de um museólogo, que elaborará o plano museológico da instituição, um técnico para higienização e restauração do acervo de livros e outro especializado em madeira pra restaurar os painéis da Academia do Comércio, e um produtor cultural para cuidar da programação de exposições e espetáculos. Posteriormente seria necessária também a contratação de um bibliotecário – cargo esse presente no plano da universidade – para cuidar do acervo de livros e documentos.

Para não depender dos recursos da universidade, o Museu da Escola Catarinense poderia apelar para editais como os da Petrobrás, MinC (Ministério da Cultura) e Funarte (Fundação Nacional de Artes). O problema é que eles requerem a apresentação do plano museológico, que o museu ainda não possui. Outro empecilho é que alguns editais pedem a comprovação de acessibilidade no prédio, o que o museu não possui. E como a construção é tombada por dentro e por fora, é mais complicada a instalação de rampas ou elevadores, já que não se pode mexer na estrutura.

 

Infográfico: Rogério Moreira Jr./ND

Sala 6 – Sala de aula de época

Os bancos de escola, cartazes didáticos, quadro negro feito com tábuas de madeira pintadas e um relógio cuco pendurado acima reconstituem uma sala de aula típica dos anos 40, dos tempos de Getúlio Vargas.

Falta: pintura e iluminação

Sala 11a – Exposição permanente

Neste espaço estão expostas coleções do acervo permanente do museu. Entre elas estão móveis que pertenceram a Antonieta de Barros, bancos de escola, a coleção de brinquedos do ex-diretor do Instituto Estadual de Educação e restaurador Aldo Nunes e materiais escolares de época. No espaço também fica montado o cenário das tradicionais fotografias escolares do passado, com o mapa e a bandeira do Estado, um globo e livros.

Falta: consertar as janelas, que estão com a madeira danificada e possuem frestas, e arrumar a fiação, que agora fica em canaletas aparentes

Sala 18 – Sala para cursos

Uma das principais atividades do museu no momento é receber cursos e capacitações nas áreas de arte e administração museológica. A sala já está montada para receber atividades do gênero.

Falta: pintura

19 e 21 - Auditório e sala de projeções

Já em uso, este espaço tem um auditório maior com sala de projeção, que também tem sido usado para exibição de filmes e vídeos. A sala pode ser usada para eventos de cinema e conferências de outras áreas.

Falta: pintura

Salas 12 e 14 – Salas da administração

Sala 17 – Sala de reuniões


Sala 3 – Oficina de restauração

Atualmente há duas salas sendo usadas para restauração de obras e peças antigas no museu. Esta sala é uma delas, e hoje está sendo cedida para a realização de um projeto externo. Hoje uma voluntária faz a restauração dos artigos do museu há mais de um ano, e Sandra pretende contratá-la por dispensa de licitação.

Falta: contratação de técnico de restauração

Sala 5 – Exposição ou extensão da biblioteca

Dependendo do tamanho do acervo coletado pelo museu, esta sala pode ser usada como continuação da biblioteca. Caso contrário, pode funcionar como uma sala de exposições, a exemplo da sala número 7.

Falta: pintura e iluminação

Sala 7 – Sala de exposição

O espaço do vão central do museu pode ser usado para exposições. Nesta sala a ideia é fazer o modelo de cubo branco, sem interferências.

Falta: pintura, trocar o forro e iluminação

Sala 8 – Painéis da Academia do Comércio

Hoje usada como depósito de acervo, esta sala seria dedicada aos 16 painéis da Academia de Comércio que estão no acervo do museu. Entre as fotografias das turmas e mestres estão personalidades importantes do Estado, como Nereu Ramos. Recuperados do antigo prédio da Academia,  os painéis estão em péssimo estado. A voluntária do museu está trabalhando em sua restauração.

Depende de: finalização do restauro das peças, através da contratação de um técnico especializado, pintura, troca do forro e iluminação

Sala 11b – Sala de consulta

Entre os dois andares do museu há um espaço com janelas grandes e boa iluminação, que deve ser transformado em uma sala de estudo e consulta para o acervo da sala de documentação. Com uma escada de acesso para a sala acima, que será transformada em teatro, pode ser usada também como espaço de preparação para atores e equipes das apresentações. Ela serviria como uma sala de reserva técnica, que todo museu possui.

Depende de: pintura e mobília

Sala 15 – Sala de exposições

Acima do espaço destinado à cafeteria, esta sala seria usada para exposições de arte. Ligada ao andar de baixo por uma bela escadaria de madeira.

Depende de: pintura e iluminação

Sala 16 – Sala do grupo do laboratório Life, da Udesc

Como a temática do museu é a educação, essa sala seria dedicada às atividades do Life (Laboratórios Interdisciplinares de Formação de Educadores), da Udesc. O laboratório tem investimento do Ministério da Educação para desenvolver tecnologias educacionais. Deve ser instalado ainda no primeiro semestre de 2013.

20 - Sala de exposições contemporâneas

Chamada de “sala do cupim”, esta sala estava infestada. Todo o forro foi retirado pela própria equipe do museu, deixando à mostra as vigas e telhas do prédio. A ideia de Sandra é mantê-la assim, sem forro, e transformá-la em um espaço para mostras de arte contemporânea que dialoguem com a estrutura do prédio e da sala de exposição.

Falta: pintura e iluminação

 

Sala 4 – Biblioteca

Bibliotecas há várias em Florianópolis. Para não se tornar mais uma, que recebe qualquer tipo de livro, o espaço de documentação do Museu da Escola Catarinense será especializado em acervos de educadores, como Elpídio Barbosa e Osvaldo Rodrigues Cabral. Os livros do museu estão sendo higienizados – também por voluntários – e devem ser reunidos posteriormente nesta sala, para consulta.

Falta: primeiramente é preciso contratar um técnico para higienizar os livros, depois de um bibliotecário para trabalhar no espaço

24 - Teatro multiuso

Com uma área grande, esta sala tem inclusive um mezanino que pode ser agregado aos bastidores do palco. Com a divisão do palco e instalação de uma cortina, estaria apto para apresentações teatrais e de música. A ideia é manter uma plateia com cadeiras móveis, que podem ser rearranjadas para encontros de capacitação e outros eventos.

Falta: pintura, divisão do espaço para criar o palco, instalação de cortinas de veludo vermelho, colocação de cadeiras, iluminação e sonorização

 

Sala 1 – Livraria

A ideia de Sandra é colocar uma livraria só de autores catarinenses no espaço que fica logo na entrada do museu, à esquerda.

Falta: restauro completo do museu e licitação para operação

Sala 2 – Cafeteria e loja do museu

Na sala oposta, à direita do terraço de entrada, a proposta é montar uma cafeteria que funcionará em conjunto com a livraria como atrativo para os visitantes e espaço de convivência. No mesmo espaço, seria operada uma loja com produtos do museu.

Falta: restauro completo do museu, estruturação do espaço e licitação para operação

Subsolo

O subsolo do museu hoje abriga uma pequena cozinha para os funcionários, para além da qual se estendem corredores e cubículos que já teriam sido usados como calabouços durante guerras e a ditadura. O projeto de restauro prevê adequar esse espaço para visitação, semelhante subsolos como Museu do Louvre, em Paris, ou do Mercado Modelo de Salvador.

Falta: restauro completo do museu, exposição das paredes de pedra originais e isolamento das áreas com vidro

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