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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Imorrível indispensável: de volta aos palcos, Di Melo promete show histórico em Florianópolis

Neste ano soulman comemora 40 anos de lançamento do “long play” mítico da música brasileira

Fábio Bispo
Florianópolis

Bastaram oito dias em um estúdio de São Paulo, um bocado de inspirações lisérgicas e alguns goles de uísque para que o pernambucano Roberto de Melo Santos plantasse sua semente revolucionária na música brasileira. Em 1975 foi rebatizado de Di Melo, apresentando ao mundo uma sonoridade única com o lançamento do disco homônimo. A ligação do “útero ao agradável”, como ele diz, incluiu em um único “long play” Hermeto Pascoal, Milton Banana, Heraldo Monte, Cláudio Beltrame, Geraldo Vespar e um músico que tocava bandoneon com Astor Piazolla que ninguém lembra o nome. “Esse disco foi uma dádiva. Foi tudo muito rápido, a foto foi feita no escuro, a roupa eu trouxe do Japão e o bonezinho é da terra dos homens que vestem saia”, contou o imorrível em entrevista exclusiva ao Notícia do Dia. Ele já foi dado como morto depois de um acidente de moto, achou que nunca mais voltaria a cantar, e no próximo dia 17 promete uma apresentação incendiária em mais uma edição da festa Whata Funk?, no Green Park, na Praia da Joaquina.

Divulgação/ND
Pernambucano fez mais de 400 composições durante hiato de 25 anos longe da cena

Depois de um hiato de mais de 25 anos longe a cena musical, Di Melo foi redescoberto nos anos 1990 por DJs e produtores musicais europeus. A linguagem atual do único disco de estúdio fez o artista resgatar a própria vontade, há muito perdida pelas esquinas embriagadas e regadas a todos os tipos de drogas de São Paulo, e cantar. O retorno aos palcos foi triunfante, assim como foi sua chegada à terra da garoa no final dos anos 1960. Em maio, Di Melo deve voltar ao estúdio para gravar algumas das mais de 400 composições feitas ao longo dos últimos 35 anos de reclusão em seu próprio eu.

Nos anos 1970, Di Melo tocava em todas as rádios do país. Gravou com Jair Rodrigues, Wando e compôs músicas com Baden Powell. “Kilariô eu compus no Japão, de onde eu trouxe a roupa da capa do disco”, lembra, emendando que já a faixa “A vida em seus métodos diz calma” foi feita em São Paulo — por motivos óbvios, é claro. A sonoridade única colocava o artista em posição de destaque na noite paulistana.

Mas mesmo diante de tanto sucesso, na época, o que ganhava com direitos autorais era irrisório. Foi o estopim para o período de ostracismo e ócio criativo. “Em algum momento havia perdido a vontade de fazer as coisas. Passei a não me levar a sério e nem levar meu trabalho a sério, foi quando saí de cena”, relembra. “Aí eu voltei no espaço do tempo que hoje nem Santo Antônio me segura”, afirma. O LP, que neste ano completa 40 anos de lançamento está esgotado e pode ser encontrado somente na Europa por € 700.

Com agenda lotada e uma vontade imensa de viver, Di Melo atribui muito do seu retorno à cena a filha Gabriela, de oito anos. “A Gabiroba me devolveu essa vontade de fazer as coisas. E ela já é uma artista de primeira”, conta dizendo que se estivesse vivo Tim Maia certamente gravaria a faixa “Engano ou Castigo”, composta em parceria com a filha.

No período em que ficou longe dos palcos, das gravadoras e estúdios de rádios, Di Melo rodou mais de dez anos pelo mundo com Geraldo Vandré, com quem tem 12 composições inéditas. No próximo disco, com a mesma pegada que o esgotado LP de 1975, Di Melo promete trazer parcerias com Emicida, Rashid e não esconde a vontade de dividir o estúdio novamente com Hermeto Pascoal.

Por telefone, ele demonstrou a expectativa de estar em Florianópolis no próximo dia 17 e tocar de frente para as dunas da Joaquina. Em diversos momentos da entrevista cantarolou novas e velhas canções, sem esconder a felicidade pelo momento em que vive. "Minha agenda está tão cheia que se eu marcar comigo mesmo eu furo". Em 2013, esteve no Estado ao lado de Moraes Moreira, em Rio Negrinho, no Psicodália. “A vida é una, se nela você não faz aquilo que venha lhe prazerar, se você está aqui e não sabe até quando irá ficar, nem há como considerar o que possa vir a ser ou se chamar, viva! Ninguém conseguirá viver jamais suas emoções”.

Antigas e novas sonoridades

Di Melo estava há tempos nos planos da Whata Funk. O sonho se concretizou quando Drika, Adriana Coelho, se juntou aos produtores das festas Nação Balanço e Saragaço. “A whata já tem fama de trazer aquilo que não é tão conhecido. Apostamos em boa música e tenho uma sorte danada de ter um público com ouvido antenado e que acredita na nossa proposta”, afirmou Drika.

O evento da noite de sexta dia 17 conta ainda com show do instrumentista Nelson Viana e banda, discotecagem de Gustavo Monteiro, além, claro, do Dj Marcelo Pimenta, responsável por uma das festas mais badaladas há algum em Floripa, a Nação Balanço. O evento ainda contará com exposição de artistas locais e muita “black music”.

“Vou tocar as mais embaladas do disco, mas também vai ter coisa nova. Estou de bem com a vida sim, e pronto para arrebatar o que é meu de direito. Me sinto um garotão de 17 anos”, disse o cantor que no próximo dia 22 completa 66. Entre as músicas prometidas para a noite na Praia da Joaquina estão os sucessos do disco de 1975 "Kilariô", "A vida em seus métodos diz calma" e "Se o mundo acabasse em mel".

Serviço:

Vendas online:

http://www.gorockbee.com/di-melo-em-floripa-producao-whatafunk--nacao-balanco--saragaco

PONTOS DE VENDA:
IRÔ sushi - Shopping Trindade (11:00 - 14:30, 18:00 - 23:00)
FLORIPA INK TATTOO STUDIO - Shoping Trindade 
Tienda De Ideas - Lagoa 
BOOKS & BEERS - Lagoa 
Só Açaí Floripa - Rio Tavares 
Aldeia Indigo Centro Multicultural - Campeche 
Roots Records - Centro

INGRESSOS:

1º lote até dia 05/04: R$ 30
2º lote até 15/04: R$ 40
3º lote e na hora: R$ 50

 

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