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HQ do brasileiro Marcelo D'Salete vence o Eisner, maior prêmio de quadrinhos do mundo

Lançada no Brasil em 2014 pela Veneta, a HQ concorria à categoria melhor edição americana de material estrangeiro

Folha de São Paulo
São Paulo
21/07/2018 às 16H51

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O quadrinista paulistano Marcelo D'Salete venceu na última sexta (20) o Eisner, maior prêmio de quadrinhos do mundo, com a obra "Cumbe". 

Lançada no Brasil em 2014 pela Veneta, a HQ concorria à categoria melhor edição americana de material estrangeiro. A trama se baseia em relatos e documentos reais para narrar as histórias de quatro escravos no período colonial.

Página de
Página de "Cumbe", HQ de Marcelo D'Salete - Divulgação/ND



Criado em homenagem ao quadrinista e ilustrador americano Will Eisner, o prêmio Eisner é distribuído anualmente durante a Comic Con San Diego, na Califórnia, e premia quadrinistas em diversas categorias.

"A obra 'Cumbe' é parte do momento singular do quadrinho nacional, representado por inúmeros autores com uma excelente produção. Já houve outros brasileiros premiados com o Eisner e, nessa toada, certamente ainda teremos mais obras reconhecidas nacional e internacionalmente", escreveu o autor em postagem em seu blog que comenta a premiação.

'Cumbe' foi um dos resultados de um processo de pesquisa iniciado em 2004 com leituras sobre o quilombo dos Palmares. O estudo também resultou em uma outra obra, "Angola Janga", lançada no Brasil em 2017 também pela Veneta.

Palavra de origem quimbundo, cumbe significa força, fogo, luz e simboliza as tentativas dos quatro escravos das histórias, que tentam, cada um à sua maneira, lutar contra o sistema escravista.

Desde sua publicação no Brasil, "Cumbe" já foi lançado nos EUA, na França, na Áustria, na Itália e em Portugal. Segundo afirmou o autor em entrevista à Folha em na última segunda (16), isso demonstra o interesse crescente do público estrangeiro de compreender questões relacionadas ao período escravista no Brasil.

"Talvez isso se deva ao fato de que hoje temos um público negro de leitores cada vez maior e um público não negro também muito interessado. Acredito que isso venha da vontade de compreender melhor nossa sociedade."

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