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Quinta-Feira, 15 de Novembro de 2018
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Histórias de fantasmas assombram museus e teatros de Florianópolis

Lendas sobre figuras espectrais fazem parte do folclore da Capital

Carol Macário
Florianópolis
Débora Klempous/ND
Fantasmas Palácio Cruz e Souza Florianópolis
Mãe de Hercílio Luz, Joaquina, é o vulto que habitaria o Palácio Cruz e Sousa

 

Todos os sábados, exatamente às 15h30, ecoam no espaço esvaziado de gente do palácio que um dia foi sinônimo de poder em Florianópolis as badaladas de um relógio. É assim há alguns anos. Se o relógio existe? Só se for no além. No Museu Histórico de Santa Catarina – Palácio Cruz e Sousa, antiga Casa do Governo do Estado, situado na praça 15 de Novembro, os únicos dois relógios existentes, tão antigos, estão parados. As badaladas, se supõe, devem ser um sinal dos ex-moradores, aqueles que já deixaram o corpo mas não o casarão, e continuam rondando os antigos aposentos, zelando pelo patrimônio, entrando e saindo pelas portas, tocando o piano e ainda chorando seus mortos. 

“Já procuramos o relógio por toda parte”, garante Chirley Regina Farias, 53. “Não está em lugar nenhum.” Há 30 anos ela recepciona os visitantes do museu, e já viu muitos deles saírem pálidos de pavor, literalmente com cara de quem viu fantasma. Ela conhece bem as histórias de aparições de vultos do Palácio Rosado – residência oficial dos governadores do Estado até 1954 e transformado em museu em 1984 –, tido como o mais assombrado da cidade. 

Joaquina Ananias Xavier da Luz, morta em 1884, era mãe do ex-governador Hercílio Luz (1860 – 1924), o responsável pela grande reforma que transformou o casarão num fino exemplar da arquitetura neoclássica e barroca. Ela ainda é vista eventualmente, vagando pelo Salão Vermelho, utilizado antigamente como sala de banquetes e onde um grande retrato seu pintado a óleo adorna a parede esquerda. “Uma vez ela não deixou uma turista entrar na sala”, conta Chirley. “Quando o vigia a acompanhou para verificar que mulher a impedia, ela já não estava mais. A visitante disse que era a mesma do quadro. Saiu dizendo nunca mais voltar.” 

Nem todos os fantasmas do Palácio assombram – como a mulher de vermelho, que um dia dançava no Salão Amarelo, ao som do piano. Alguns deles ajudam. Tânia Gomes Cunha, ex-funcionária, numa tarde foi ajudada por ninguém menos que o ex-governador Jorge Lacerda (1914 – 1958) a fechar as janelas do Palácio no final do expediente. Ninguém viu nenhum homem sair ou entrar, e só dias depois, vasculhando em documentos históricos, Nair reconheceu no homem de uma foto antiga o mesmo que a ajudara – era Jorge Lacerda, morto em 1958 em um acidente aéreo e velado no Palácio.

Estripulias de Ademir Rosa

O ator e diretor Renato Turnes estreou em 2003 em Florianópolis o monólogo de horror “O Coração Delator”, primeira parte da “Trilogia Lugosi”. O palco do Teatro Armação serviu como uma luva para a história obscura e densa protagonizada por Turnes. De volta ao local para o ensaio fotográfico para o Notícias do Dia, o ator contou da vez que estava sozinho no teatro, ensaiando, e viu um vulto no corredor logo atrás da plateia. “Era o Ademir Rosa”, garante. 

Foi também o Ademir Rosa que Zica Vieira diz ter visto subindo a escada em caracol que dá acesso ao camarim, no fundo do palco escuro. “Só avistei a perna dele”, diz, em tom de brincadeira. 

Mas a história do velho sobrado remonta ao ano de 1834. Foi construído por um comerciante aos moldes da arquitetura açoriana. Em 1985 foi desapropriado pelo Estado por compra, para fins culturais. Antes de virar teatro, funcionava no local o restaurante Bar Praça XV -16.

Não à toa, com tantas histórias de pessoas que por ali moraram e passaram, os mais sensitivos garantem sentir algo mais. “Um vigia uma vez pediu demissão por ter ficado impressionado com um antigo pôster. Era uma foto com todo elenco e, na imagem, uma das atrizes assumia um ar compenetrado. Ele achou a imagem demoníaca.”

 

Débora Klempous/ND
Fantasmas teatro Armação Renato Turnes
O ator Renato Turnes encarna uma assombração do Teatro Armação
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