Publicidade
Domingo, 30 de Abril de 2017
Descrição do tempo
  • 24º C
  • 13º C

Herança árabe: restaurante em Florianópolis oferece imersão na gastronomia e cultura

O restaurante tem quase um ano e conta com funcionário sírio-libaneses refugiados da guerra

Karin Barros
Florianópolis
08/12/2016 às 23H23

Babaganoush é o nome dado à pasta de beringela de origem árabe que pode ser usada como aperitivo, servida com pão sírio ou como tempero para saladas. A pasta serviu de inspiração para o nome do restaurante que abriu há dez meses no Centro de Florianópolis sob comando do descendente de árabe Gihad Ibrahim Soumaille, 26, e do árabe Khaled Smaili, 22, que antes de serem sócios, são primos. Com eles, completam a equipe do Babaganoush outros cinco sírio-libaneses refugiados da guerra.

Donos são primos descendentes de árabes - Flávio Tin/ND
Donos são primos descendentes de árabes - Flávio Tin/ND


No local, tudo - da música à decoração - coopera para fazer uma imersão na cultura que é tão familiar quando o assunto é gastronomia. O chefe de cozinha, responsável por dar o verdadeiro sabor árabe aos pratos, é Aala Damer. Ele mora na cidade há pouco mais de um ano, não fala nada em português e entende muito pouco da língua. “Eu não imaginava que as pessoas daqui sabiam tanto sobre a comida árabe. Muitas viajaram para lá, muitos são descendentes, chegam aqui já sabendo o que escolher no cardápio”, explica Gihad, que morou cinco anos na cidade natal do pai, Sawiri, no Líbano.

Entre os pratos mais conhecidos e pedidos no restaurante estão o kibe cru, que dispensa explicações, e custa de R$ 15 a R$ 25; o shawarma, que tem três formas de servir (sanduíche, sanduíche cortada no prato e no prato sem o pão sírio), os valores vão de R$ 15 a R$ 27; e o Mashawi, que é um churrasco árabe servido no prato com pão sírio, homus (pasta de grão de bico), babaganoush, tabule (triguilho com temperos) e batata frita, a partir de R$ 15,90. Sim, você não leu errado: tem batata frita na comida árabe, mas é naquele formato que conhecemos como batata rústica, cortada em pedaços maiores. “As maioria fica surpresa com isso, mas lá a gente come batata frita até no café da manhã. É um produto usado de diferentes formas”, acrescenta o sócio Gihad.

Uma curiosidade sobre o shawarma é que no Brasil ele também é conhecido como churrasco grego. Criado pelos turcos, o prato ganhou adaptação dos árabes e dos gregos, tendo sua diferença na montagem.

Tudo que é vendido no local é produzido pela equipe árabe do Babaganoush, como as esfirras, que são super saborosas, em tamanhos grandes, e que custam R$ 5 cada. Alguns temperos vêm direto do Líbano, já que os sócios têm familiares no país e facilidade na importação. Outros são trazidos de Foz do Iguaçu, local com uma grande comunidade árabe que produz a maioria dos temperos. Gihad explica que o zaatar, por exemplo, uma planta parecida com o orégano, só dá em montanhas altas e úmidas, mas pode ser encontrado no Direto do Campo, na Capital. O tempero é usado na mistura com gergelim, e colocado em esfirras e sanduíches.

Entre os pratos mais conhecidos e pedidos no restaurante estão o kibe cru - Flávio Tin/ND
Entre os pratos mais conhecidos e pedidos no restaurante estão o kibe cru - Flávio Tin/ND



Narguilé é cultura 

Outro detalhe que deixa o cliente muito mais ligado ao mundo árabe é o uso do narguilé,  uma espécie de cachimbo de água de origem oriental, utilizado para fumar tabaco aromatizado. O Babaganoush conta com sete tipos de essências, entre elas melancia, hortelã e chiclete. Todas as quartas-feiras ocorre uma espécie de happy hour com narguilé livre a todos os consumidores do estabelecimento. Nos demais dias, o valor para uso é de R$ 35 com quatro carvões.

A gastronomia árabe também conta com doces, como os folhados de pistache, castanha de caju, amendoim, nozes, tâmara, bolacha de tâmara, e o crepe árabe criado pela casa, utilizando a massa do pão sírio com recheio de chocolate com banana ou morango.

Serviço

O quê: Babaganoush
Onde: avenida Rio Branco, 893, Centro, Fpolis
Quando: de segunda a sábado, das 11h a 0h

Publicidade

0 Comentários