Publicidade
Quarta-Feira, 14 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 30º C
  • 22º C

Há 50 anos morria C.S. Lewis, famoso autor de “Crônicas de Nárnia”

Irlandês escreveu ficções espaciais, fantasias, poemas e ensaios teológicos

Rogério Moreira Júnior
Florianópolis

Os responsáveis pela coluna de óbitos dos jornais tiveram um dia cheio há 50 anos. Em 22 de novembro de 1963, John Keneddy foi assassinado no meio de um comício em Dallas, no Texas. Seis horas depois, o escritor inglês Aldous Huxley morreu em Los Angeles. Embora já fosse madrugada em Londres, quando o câncer na laringe pôs fim aos 69 anos de vida de Huxley, outro autor britânico morreu a tempo de ser lembrado nos jornais ingleses: C. S. Lewis, irlandês escritor de ficções espaciais, fantasias, poemas e ensaios teológicos. E um dos mais influentes autores britânicos do século 20.

 

Divulgação
Divulgação
Primeiro sucesso literário de Lewis foi "Cartas de um Diabo ao seu Aprendiz"

 

 

Embora hoje ele seja mais conhecido pela série "Crônicas de Nárnia", o primeiro sucesso literário de Lewis foi "Cartas de um Diabo ao seu Aprendiz", de 1942. Nele, o autor anglicano reúne cartas de um demônio mais experiente para um sobrinho mais jovem. O tema pode parecer sombrio, mas a escrita simples e o humor irônico colaboram para que o autor faça um estudo sobre o homem e seus vícios morais.

Esta mistura de teologia e moral em roupas populares já havia sido apresentada pelo irlandês antes. Durante a Segunda Guerra Mundial ele foi convidado pela BBC e pela RAF, a força aérea real, para fazer palestras sobre o cristianismo. Num tempo em que os britânicos enfrentavam a força de Hitler a leste, Lewis incentivava cidadãos e soldados a manterem a coragem e se posicionarem contra o mal. Foi logo depois desse período, em 1947, que ele ocupou a capa da edição de setembro da revista “Time”.

Em outubro de 1950, cinco anos depois dos ataques a Hiroshima e Nagasaki, o autor publicaria "O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa", o primeiro livro de sua série infantil. Ele conta a história de quatro crianças que se refugiam no interior da Inglaterra devido à guerra - e acabam encontrando, dentro de um guarda-roupa, outro mundo em guerra. A partir dessa premissa, Lewis escreve, em seis anos, sete livros misturando a fantasia de Nárnia ao mundo cotidiano inglês. Embora a série seja claramente infantil, o autor esperava que o livro fosse valorizado por pessoas mais velhas. Isso porque, entre animais falantes, faunos e bruxas, os personagens passam por dilemas morais de confiança, fé e esperança. Assim como a ficção científica costuma contar histórias de outra terra para explicar a nossa própria, Nárnia coloca as crianças em problemas para discutir como um adulto deveria lidar com eles.

Cinquenta anos depois de sua morte, seus livros continuam servindo de inspiração para autores de fantasia. J. K. Rowling já deixou claro que se inspirou no irlandês para escrever a série "Harry Potter". Philip Pullman ("A Bússula Dourada") e Eoin Colfer ("Artemis Fowl") também já se declararam influenciados por Nárnia (embora Pullman critique a propaganda religiosa em Nárnia). Esses legados mostram como, mesmo depois de morto, C. S. Lewis consegue fazer o mundo do lado de fora do guarda-roupa ser mais fantástico.

Lewis e Tolkien

Além de enriquecer a literatura inglesa com seus livros, Lewis também cuidou para que outras boas obras também fossem publicadas. Como amigo próximo de J. R. R. Tolkien, ele foi um dos primeiros leitores de “O Hobbit”, quando este ainda era um manuscrito. Anos depois, ele também incentivou Tolkien a continuar o seu projeto - que daria a origem à trilogia “O Senhor dos Anéis”.

No final da década de 1940 os dois começaram a se separar lentamente. Mesmo assim, depois de saber da morte do amigo, Tolkien escreveu em carta que Lewis “foi um grande homem do qual os obituários oficiais de sangue frio apenas arranharam a superfície, em alguns lugares com injustiça”.

Trilogia no cinema

Em 2005, o estúdio Disney lançou o filme "O Leão, a Feiticeira e o Guarda-roupa". Com o sucesso das franquias "Harry Potter" e "O Senhor dos Anéis", a aposta numa série de fantasia infantil parecia um bom investimento. Dessa forma, os US$ 180 milhões gastos na produção renderam US$ 745 milhões ao redor do mundo – resultado que não se repetiu nas sequências. “Príncipe Caspian”, de 2008, trouxe ao estúdio US$ 141,6 milhões dos US$ 225 milhões investidos. O terceiro filme, "A Viagem do Peregrino da Alvorada", saiu dos estúdios Disney e foi distribuído pela Fox. Embora tenha o menor orçamento da série (US$ 155 milhões), a arrecadação doméstica não conseguiu pagar o filme, com US$ 104,3 milhões.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade